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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

é melhor ser sozinho

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publicado em 24/02/2026 ás 07h00
atualizado em 24/02/2026 ás 08h15

 

às vezes perco minha alegria. espero que não demore muito. penso que é melhor viver sozinho, não exatamente no velho jargão: “melhor só, do que mal acompanhado” – não, viver sozinho, não quer dizer se isolar, nem se afastar de ninguém. não sou egoísta…

sigo a rotina de trabalho, minha produção jornalística é fundamental. eu sigo os passos de clarice lispector – “escrevo porque, para mim, escrever é como respirar, faço para sobreviver”.

meu pai dizia – tudo passa, mas ele não passou, ele está em mim nos sentimentos, amabilidades, afetos, que também morrem. foi ele quem me disse que não se deve dar pancadas no morto – a propósito, na pandemia, escrevi um romance com esse título “pancadas no morto” com 28 capítulos, mas não será publicado nunca. devo destruí-lo a tempo.

 já levei muitas batidas, mas meu coração está em paz, e pago, não pediram tanto pelos desenganos que arrasto essas batidas…

não sou uma pessoa ruim, nunca, nem tenho inveja, (antes a morte) esse crescente desequilíbrio do ser humano. ainda vejo à distância o sol e quando ele não brilhar, farei como o filósofo chinês confúcio, acenderei uma vela. eu ainda acredito no amor, seja com quem for, o amor que é tão falado, e pouco vivido.

não sou um homem frustrado, jamais. desde pequeno que eu sabia o que eu queria ser: eu sei me comunicar e, como gilberto gil, se eu quiser falar com deus, tenho que ficar a sós.

penso que é melhor viver sozinho, são muitos embaraços a enredar-se nos dias, as impaciências e o jeito como algumas pessoas tratam as outras, nesse terreno dialético das tempestades.

temos um jardim, saio dele todos os dias e volto no entardecer, certo de que cultivado, as borboletas de todas as manhãs já não estão, mas ali anteciparam seus voos alegres, coloridos, libertas.

 a vida trai muita a gente, disse o poeta manoel bandeira: vida  sublime,  que sublinha coragem e decepções –  é um modo de dizer, de ser firme, não é um filme, mesmo assentando-me como tenho feito para compensar as perdas e vencer outras batalhas.

 já estou velho e com os anos, a idade mostra os sinais:  olhos e ouvidos não fazem mais o trauteio, a mania que tenho de cantar sozinho pelas ruas da cidade e nas caminhadas à beira mar –  radiosos sóis, sejam do mar ou do sertão – o meu olhar não se divide nesta linha devastada.  vou procurar a minha alegria, acreditando que é melhor ser sozinho.

sonhar é interceder, sem interferir. sou uma antena. até lá liberdade.

kapetadas

1 – os seus pensamentos precisam do silêncio. a mente pode gritar por estímulo. mas resista, porque só, somente só, que as melhores nuances.

2 – levante la mano quien tuvo está maravilla.

3 – sem palavras pequenas, obrigado maria izabel mendes claudino por cuidar do meu dente da frente. love you.

 

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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