João Pessoa, 22 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Esta é uma crônica sobre o espanto em tempo de desencanto, sobre a rebentação no lar, o centro da vida e do abuso de aspecto triste, mas que tanto tem se revelado assustador. Quem era ele? Por quê? Não sei. Esses são os tempos em que fazemos muitas perguntas e não queremos entender. Tá na cara. Matou os dois filhos e depois tirou a sua vida.
A maior parte de nós não quer saber ou ignora a resposta: eu estou aí, não querer saber quem é, porque aumenta o espanto, o medo, a comiseração que vai contra ensinamentos, no momento em que a notícia se espalha, é cruel. Ouvi de uma mulher na padaria, que o casal já estava separado, ele havia traido primeiro. Como a senhora sabe?, perguntei
Usando a violência, um pai de 40 e poucos anos, mata os dois filhos e depois se mata em Itumbiara, Góiás – ao ver o que queria, a imagem de sua mulher com outro homem, cujo vídeo ele mesmo encomendou a um detetive. A palavra é encomendar?
Ele só queria certificar pra si mesmo, que a sua mulher estava com outro. Pagou para ver. Essa coisa da propriedade, da posse, é uma arma quente. Faz tempo. O pai disse que amava os filhos…
Conheço pessoas que resolvem as confusões amorosas ou não resolvem, mas não partem pra violência. Teria Thales cometido um feminicídio? Afinal, ele destruiu a mulher.
Nem quero pensar que velório seja um lugar público, mas as imagens de pessoas querendo atacar a mulher, no enterro dos filhos, se colocando no papel do protagonista, subtraindo a cena já consumada – resumo – são os horrores do cotidiano no Brasil.
Na verdade não há o protagonismo, há a falta de lucidez, o ciúme e sua flecha, a notícia sendo repostada. Quem era ele? Quem é ela? Normalmente inconsequente e incompleto, o ser humano não muda. Os resultados são assustadores. Tolstói (foto) diz que os guerreiros mais poderosos são o tempo e a paciência.
Aliás, querer saber o sítio do outro, para destruir vidas, é a loucura da manifestação mais desumana. Eu pensava que não veríamos mais cenas dessa natureza, o pai mata os filhos, filhos que matam os pais. Quem faz isso por ciúme, insegurança, desespero, não deveria sequer existir, jamais mas tirar a vida dos filhos…
Onde está o amor, que é tão falado e pouco vivido. Tão abundante a luz, o silêncio.
Homens matando as mulheres sem parar. Quando um não quer mais o outro, não quer mesmo. Espera-se uma ação outra do homem, uma vênia ao destino antes de antecipar a morte. A vida dos filhos, o que eles seriam no futuro? Á flor da idade, nem isso foi pensado.
Me impressiono com a repetição. Não sou ninguém para anunciar nomes. Ter um filho já é mágico (por mérito próprio) e temos que saber tirar o melhor proveito. Quanta coragem, matar os filhos e se matar.
Eu permaneço envergonhado, matar a mulher virou um hábito, como ler um livro, mas poucos leem e muitos matam. Todos os dias. Matar os filhos é abrir o caminho para a morte.
Kapetadas
1 – A felicidade dura bem menos que os guarda-chuvas.
2 – Há pessoas tão focadas no intestino que esquecem completamente do cérebro.
3 – Sofía Tolstaia e seu marido, Lev Tolstoi. ( foto dominio público)
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