João Pessoa, 21 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Existe uma pressa, um dia atrás do outro, quase tudo para ontem, que sequer não aparece no relógio. A pressa mora dentro da gente. Não avisa, não pede licença, apenas empurra. E, quando a gente percebe, já está vivendo no automático, como se a vida fosse uma lista de tarefas e não um lugar para viver e trabalhar em paz, mas a vida é tão rara.
Eu fiquei pensando ao ouvir alguém dizer, numa conversa de elevador: “o problema não é a pressa, é a falta de destino”., mas ningéum manada no destino. Frase soltas, simples, dessas que o vento leva, mas que ficam rodando feito estrada comprida.
A gente vive se ocupando e isso não é viver, é preencher tarefas. Agenda cheia, cabeça vazia. E no meio de tudo, uma ansiedade e uma agonia, como se fosse normal correr sem saber para onde. E lá vem a repeyição – “na correria”. Difícil é admitir que não sabe o que está buscando. Se estiver buscando…
Fernando Pessoa, já desconfiava: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. O problema é que hoje temos também todas as distrações do mundo e elas fazem um barulho danado. Sonhar, mais um sonho impossivel, sonhar no silêncio, que a gente desaprendeu a suportar.
Outro dia parei num semáforo e fiquei observando as pessoas ao redor. Cada uma dentro do seu enredo, algumas falando sozinhas, outras rindo para telas ou apenas olhando o nada com uma profundidade que nem elas mesmas sabiam explicar. Aí pensei: quantas dessas pessoas estão, de fato, presentes na própria vida, na vida dos outros?
A verdade é que a gente se ausenta com facilidade. Está no almoço, mas pensando na conta. Está na conversa, respondendo mentalmente outra. Está no aqui, agora, mas com a alma tropeçando no futuro. E o futuro, minha gente, convenhamos, ele chegar do jeito que a gente não ensaiou.
Viver é um pouco de tudo: reaprender a caber no instante. Não com aquela intensidade forçada de quem quer transformar tudo em momento especial, porque isso cansa , mas com a dignidade simples de quem entende que estar é mais difícil do que parecer.
Parecer, hoje em dia, é facílimo. Difícil é sustentar o que se é quando ninguém está de olho.
E seguimos, entre cafés frios e urgências inventadas, tentando descobrir se a vida pede pressa ou presença.
Talvez peça só verdade, mas que complica bastante, não tenho dúvidas.
Recortes do Agora
— Disse que estava sem tempo. Era mentira: estava sem vontade.
— A vida não anda corrida. Quem corre é a gente, geralmente em círculos.
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