João Pessoa, 11 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Fiz uma arte com a imagem de Kafka (foto) peguei uma frase do livro ´Metamorfose´, postei o feed do Instagram: “é incrível como as pessoas se relevam quando você não tem nada para oferecer”. Eu que estou sempre a caminho de Vênus, postei uma ilusão, mas não deu outra, veio um ciclópico de uma janela escancarada. Kafka vai além desse conceito migração.
Mais tarde fui olhar meu canal, vi que a postagem de Kafka, valeu 14 mil trezentas curtidas ´tarará´ e 295,077 pessoas visualizaram e não precisa falar mais das outras interações.
A frase é a cara da gente, face a face. Desde o começo, que uma desenfreada construção de fachadas, de interesses e de gula, tornou o mundo num gigantesco galinheiro do toma lá dá cá.
As sentimentalidades sumiram, assim que as tentaram emparedar. O entusiasmo da multiplicação, a descoberta de um outro desejo, coincidi com a suspeita do abandono. Sim, as pessoas se revelam, abandonam e se abandonam, zarpam.
Quanto mais evidente o desprezo, quanto menos temos para oferecer ou quase nada, uma titica, não escapamos à fúria de quem quer mais, sempre mais. No entanto, os paradigmas formam como percebemos, interpretamos e agimos no mundo, no desencontro e se espalham.
O desejo dessa transparência, de imediato, impossibilita uma relação quando a fonte seca. Calcular, acumular, gerir, planear é a lei e ao contrário, aumenta a miséria dos dias.
O excesso resulta num definhar dos sentidos, mas quanto mais se tem mais se quer e não importa se a coisa aparece puída, rasa, adequada à percepção de que o outro está afunilando, levam a que se salte de um muro para outro, antes que algum temor ou tremor pressentir a espessura do tempo.
A vida poderia ser uma biblioteca, mas aí seria chata, a desilusão seria maior, ou como disse Nietzsche ´Deus está morto´, mas Kafka é a metamorfose e nós, os ambulantes.
O escritor mineiro Paulo Mendes Campos, em seu livro ´Os bares morrem numa quarta-feira´, conta que o escritor alemão arquitetava o seguinte: um homem desejando criar uma reunião em que as pessoas aparecessem sem ser convidadas.
As pessoas poderiam se ver ou conversar sem se conhecerem. Cada uma faria o que lhe aprouvesse sem chatear o próximo. Ninguém se oporia à entrada ou à saída de ninguém. Não havendo propriamente convidados, não se criariam obrigações para com o anfitrião. O espinho da solidão doeria mais ou não. Odeio reuniões
É possível que Kafka não haja escrito esta alegoria por ter percebido que a mesma já existia sob a forma de cafés, restaurantes e bares. Mas o episódio pode levar-nos a considerar com súbita estranheza o mil vezes conhecido e repetido: os bares já eram kafkianos quando surgiram no mundo.
O mundo, é que foi o primeiro bar, quando se encontraram num jardim duas criaturas desconhecidas, e a mulher, buscando comunicação, ofereceu ao homem uma fruta. “Naquele Garden Bar principiaram os equívocos. Foi o primeiro ponto de encontro. E não durou muito”
Kafka botou quente, mas o mundo é o mesmo e as pessoas não mudaram, elas falam a mesma língua, falam nas costas, mentem ou são omissas, tanto faz e isso não é conversa de bar, que há anos não frequento. Na verdade, aumentamos, nunca inventamos
Deixe o mundo girar, né Kafka?
Kapatedas
1 – Felicidade não existe, o que existe são momentos de alegoria.
2 – Iranianas estão queimando mais hijabs que feministas queimando sutiã. O mundo está mesmo em transformação.
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025