João Pessoa, 17 de fevereiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Uma janela para o mar, escancarada, do topo do Edifício João Marques de Almeida, na praia do Cabo Branco, não é outra coisa, senão a imitação da vida, uma manifestação permanente da beleza evidente sem pedir explicações à evidência.
Visto da janela do 11º andar, onde mora uma amiga, vejo as tonalidades do azul do céu e mar que movem o sagrado, na luz dos olhos de um homem velho que nem eu, a explorar as cores das reais e imaginárias, foi como precipitar-se na imensidão.
Nesses dias em que a cidade voltou a ser como era, sem trânsito, sem congestionamentos, sem turistas, olhar o mar dessa janela, uma cena que nao se conta em breves palavras.
Se navegar à bolina é preciso, nessa moldura de romances, vidas, citações perdidas, a cidade parece que ressuscitou, de tão bela e vazia.
Melhor é o acaso para determinar destinos de vidas no mar, às vezes, a sua vida, a minha, ou a de um narrador que se parece demasiado com ele próprio, o Pessoa.
De levar-nos a acreditar e, ao mesmo tempo, a duvidar do que julgamos verdadeiro ou falso, tudo é mar.
Mais verosímil impossível, sob o manto das ondas da fantasia mais cintilante, água viva, desse mar que não tem tamanho, é demais.
Uma forma e uma fórmula, tanto faz.
É o mar do Cabo Branco a ser explorado da janela, como faziam expedicionários de um lugar que existe perto daqui, alí, e sugere nos adentramos, e esquecer em que ano estamos.
Um velho calção de banho…
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