José Nunes
Quando me dei conta, o acesso à Academia Paraibana de Letras se tornou realidade. O coletivo dos acadêmicos, olhando na mesma direção, avalizou minhas aspirações literárias.
Sempre observei o ponto de luz no horizonte da Academia. Durante décadas, caminhei lentamente, recolhendo saberes, semeando os grãos colhidos nos livros, até decidir cruzar o Rubicão. A partir de 9 de fevereiro de 2023, a Casa de Coriolano de Medeiros passou a ser espojeiro de meus sonhos.
Sem atropelar ninguém, cruzei o portão da vetusta casa da Rua Padre Salim. Depois de anos, acomodando projetos literários, alguns concluídos e outros inacabados, estendi as mãos aos integrantes da Academia. Acolhido com afetuosos abraços dos imortais, preparo a colheita dos grãos de ensinamentos que deles recebo, tentando contribuir para manter vivo o gosto pela literatura, principalmente entre os jovens.
Cheguei para integrar o grupo de imortais, carregando comigo ingredientes que minha terra ofertou e que ajudaram na composição da canção de nossa gente.
O dia 9 de fevereiro de 2023 gravou na minha memória luzes espirituais e culturais, desejei nunca esquecer.
Desde então, a Academia se tornou para mim ambiente de devaneios. A base de minhas lucubrações, lugar para recolher ensinamentos que brotam dos livros e da convivência com destacadas vozes da cultura e das artes da Paraíba.
Voltando meu olhar para o passado da Academia, tento recolher o melhor do seu pensamento e da poesia guardada entre as centenárias paredes, para montar a composição de uma nova paisagem cultural e humana junto com os atuais imortais. A Casa tem a presença de muitas épocas da cultura e do saber da Paraíba, revelando ser possível expandir nossas raízes culturais, as quais jamais esquecerei.
A proteção da memória literária e das artes constitui-se no papel principal da Academia Paraibana de Letras. A memória de autores paraibanos que integram seus quadros ou que circulam pelos seus arredores, deve ser resguardada. Sua função é ajudar na preservação de obras literárias de valor estético, sociológico e histórico, bem como a preservação da língua.
Desde 1976 as redações dos jornais andam comigo. Redações que se transformaram em escolas. Depois do estágio de quase cinco décadas em jornais, no exercício da escrita diária, cheguei para habitar a Casa de Coriolano de Medeiros, com o intuito de aprender com os mestres e professores, para contribuir no semeio e no águo do roçado literário, de modo a ajudar na construção da fisionomia cultural da Paraíba, sempre com harmonioso espírito de coletividade.
Como a escutar a voz do Senhor aconselhando o profeta a tirar a sandália dos pés para pisar na terra santa, lembro desse gesto toda a vez que cruzo o umbral da minha nova casa.
Tenho feito o possível para me tornar merecedor dos galardões acadêmicos, para participar da emblemática comunhão de afinidades. Uma comunhão nascida da aproximação fraternal e das ideias acerca do pensamento comum em favor das letras.
Avesso à vida social ostentativa, sem caturrice, me contento em carregar Serraria comigo. Trouxe o sítio onde nasci para dentro dos meus livros.
Neste lugar aspergido pelos saberes e pensamentos diversos, sou arrastado a desfrutar da sombra dos que engrandecem esta Casa. Os que contribuíram para o resplendor e a glória das letras paraibanas.
Nunca desejei escalar montanhas ou navegar nas nuvens, para usar uma expressão do escritor francês Victor Hugo. Apenas desejei estar perto, bem perto dos insignes talentos, de imaginação fértil que compõem a nossa Academia.
O tempo me fez haurir as emanações da sabedoria que procede da Academia Paraibana de Letras, desde a sua fundação, em 1941.
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