João Pessoa, 20 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
José Nunes da Costa nasceu em 17 de março de 1954, em Serraria-PB, filho de José Pedro da Costa e Angélica Nunes da Costa. Diácono, jornalista, cronista, poeta e romancista, integra a Academia Paraibana de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, a União Brasileira de Escritores-Paraíba e a Associação Paraibana de Imprensa. Tem vários livros publicados. Escreveu biografias de personalidades políticas, culturais e religiosas da Paraíba.

Comentários: 0
publicado em 20/01/2026 ás 17h16
        
 
José Nunes
Em nosso País, poucos escritores sobrevivem dos rendimentos de seus livros. Somente jornalistas se mantêm com o salário proveniente do que escrevem. O leitor é o maior ganho do escritor. Mesmo que seja um único leitor que se tenha do livro publicado, no dizer do paraibano Ariano Suassuna, bastaria para justificar o ato de escrever.
Meu primeiro leitor foi Nathanael Alves, a quem devo o manuseio de obras literárias que foram veredas para o prazer da leitura e do ato da escrita. Quando jovem, ele foi meu guia, me ajudou a ser menos cambembe, foi a bússola a apontar os caminhos para os livros e a modelagem da escrita, caminhos que continuo a perseguir.  Saindo cambaleante da adolescência, atordoado, tateava abrindo veredas na grande mata virgem minha linha imaginaria do saber. Sem a pretensão de ser literato, porque tudo que escrevia era chocho.
Quem escreve para jornal ganha leitores anônimos, revelados esporadicamente em encontros casuais. Sou do tempo em que chegavam cartas nas redações com referências ao texto publicado, aos autores de livros resenhados.
Durante décadas, o registro da publicação de livros ganhou espaço na coluna Letras, assinado pelo cronista Carlos Romero, no Jornal A União, chamava a atenção de leitores pela diversidade de indicações de livros.
Quantas referências e indicações de leitura ele nos ofertou, abrindo nosso interesse por autores iniciantes ou com produção literária reconhecida. Nos dias atuais, temos a professora Neide Medeiros e outros, como os poetas Sérgio de Castro Pinto e Hildeberto Barbosa Filho com maior constância no registro de publicações e estímulo às leituras em seus espaços no Jornal A União.
Lembro do que escreveu o amigo e acadêmico Hildeberto Barbosa Filho em sua página no Facebook, no dia 24 de novembro de 2025, outro espaço de divulgação de grande alcance.
Ele que apontou o modo como tenho construído amigos e preservado amizades, o que sempre busquei modelar na simplicidade e na camaradagem sincera, – assim espero continuar -, sem carregar mágoa ou colocar pedras no caminho de ninguém. Continuo o camponês de Serraria que se emociona com o canto dos pássaros, com o murmúrio da água dos riachos, com o roçado de milho e feijão florado.
Como no poema “Prece” de Fernando Pessoa, tenho implorado: “Senhor, livra-me de mim”. Porque livre do homem carrancudo que magoa as pessoas, eu possa servir e amar. Amar e sentir a partir do aprendizado das artes.
Reproduzo abaixo as palavras de Hildeberto, profundamente agradecido:
“Pensamentos Provisórios
José Nunes tem falado, em suas crônicas, sobre Gonzaga Rodrigues e Nathanael Alves, da amizade. Da amizade entre os dois e da sua amizade para com eles. Eis aí um assunto que revela uma das boas faces do escriba provinciano, em seu jeito acanhado e quase anônimo de ser. Aprecio os elementos que calcificam essas relações e tenho as amizades, principalmente as amizades literárias, como tema fecundo na história da cultura.
Cícero, o orador; Michel de Montaigne, Raissa Maritain, Francesco Alberoni, Alceu Amoroso Lima e José Rafael de Menezes, entre os que me ocorrem agora, escreveram páginas decisivas acerca desse sentimento que motiva e move as criaturas humanas.
No caso de Nunes, a pauta se deixa preencher pelos bastidores da redação, quando focaliza Gonzaga e Nathan embrenhados na luta com as palavras para extrair, dos rios da crônica, as pepitas literárias que a tornam um gênero singular. A amizade, aqui, foi tecida entre letras, fumaça, barulho, madrugadas e crepúsculos, varando o leito sagrado da prosa sem destino. Nunes reconhece o sabor dessas influências que são para sempre.
Não esquece a lição dos mestres e nem a ternura dos amigos. Faz, do seu texto simples, veículo de recordações, como se fora cada vocábulo uma pequenina nota de lirismo, um sinal de respeito e admiração. Nunes já modelou o perfil do autor de O pássaro e a bala. Elencou achegas biográficas sobre o autor de Notas do meu lugar. Nunca deixa de trazer à tona, em crônicas casuais, porém, contínuas, a presença dos dois jornalistas como referências seminais no seu aprendizado da cartilha literária. E tudo, em nome da amizade!”

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

[ufc-fb-comments]