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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

A bunda

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publicado em 13/01/2026 ás 07h00
atualizado em 13/01/2026 ás 07h36

O marido teve um  AVC e ficou impossibilitado de viver, de viver e outras coisas, de andar, de poder sentir  o papel que ele perdeu, de olhar de lado, de seguir em frente, de ser dono do seu nariz ou morrer.

A mulher o leva para o passeio público, ele gosta. A cuidadora é jovem sorridente e o faz se sentir gente nos feitos últimos cortes essenciais da vida de uma pessoa. O nome dele é Sebastião e assim, magro, não vejo as marcas das flexas em seu corpo, mas o mundo é um moinho, como disse a amiga J, – o mundo capota, não gira.

A mulher sentada numa espreguiçadeira, feliz, vendo o circo,  seu país colorido, um papelão machê, que papel! E o olhar do outro lá para lá  ou cá, não tem já tanto jeito, sequer esperança.

Uma menina dança ao ver o mar outra vez, vai mais fundo do fundo do fundo se for por alguém, mas esse alguém é ela mesma, a paisagem constante e trôpega que soa como se reclamasse o assedio dos homens- mas só falta dizer – é de graça, pode olhar.

Eu fiquei olhando a menina, uma moçona né, de 22 anos, que felicidade, ela de biquini azul e apenas um fio fazia a divisisória das duas bandas da terra, uma visão repetida num calor infernal. A tarde caia. Caiu.

No cenário anterior muitos turistas vermelhos queimados de sol, onde se perderam nas referências, mas nessa hora, a mulher olha para o Sebastião e diz: – “Amor, olhe aquela moça, a bunda de fora”. Ele demora a fazer o movimento do pescoço e sorrir, sabendo que os sóis de estações outras já estão mortos.

Todos riem. Acham incrível o movimento, alguns seguem à proa nos estendais, como se estivéssemos no Titanic. O outro homem da esquerda, também do Clube do AVC esticou o olho para ver a menina de biquini azul – a mulher dele, fez uma gracinha.

De longe seguram velas, sem caravelas, ali onde uma bunda foi cutucada com os olhos.

O terceiro homem, (eu era o quarto e estava em pé, de passagem), sim o terceiro homem que não integra o clube do AVC, não se mexeu na cadeia de pensamentos.

Aprender a proeza é uma tarefa difícil

Kapetadas

1 – Hérnia inguinal, flatulência, aderência, azia crônica, constipação, hipertensão, erisipela, insônia, ansiedade, depressão. Isso é o fim do mundo.

2 – Lembre-se: a gente só é levado a sério quando para de pedir permissão para existir.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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