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Marcos Pires é advogado, contador de causos e criador do Bloco Baratona. E-mail: [email protected]

Um herói necessário

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publicado em 09/01/2026 ás 20h32

Juca Paranhos, o Barão do Rio Branco (foto), foi tão importante que durante muito tempo a cédula de maior valor do nosso dinheiro (mil cruzeiros) era uma homenagem a ele. Ainda jovem engravidou uma corista de cabaré e assumiu a paternidade da criança. Foi um escândalo. Mandaram-no para o consulado brasileiro em Liverpool e ele foi, porém levando a corista com quem viveu a vida inteira. Tiveram cinco filhos.

Como não tinha nada para fazer na Inglaterra, Juca foi fundo nos estudos e tornou-se um dos grandes especialistas em história do Brasil, conseguindo reunir a maior coleção de mapas e documentos históricos sobre a formação do nosso país.

Era monarquista, mas seu talento não podia ser desperdiçado pela então jovem republica brasileira. Então Juca assumiu o Ministério das Relações Exteriores no governo de Rodrigues Alves e continuou no cargo nos sucessivos governos de Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.

Nesse período ele fixou nossas fronteiras atuais, incorporando 900 mil quilômetros quadrados ao território brasileiro.

Apesar de ser um diplomata (gente cujo trabalho eficiente é também discreto), tornou-se um herói popular, ao ponto da sua morte em 1912 interromper o carnaval.

De suas conquistas vou citar apenas uma; a questão do Acre, que era uma parte da Bolívia, prenhe de brasileiros que colhiam o látex para produzir a borracha, então um produto estratégico. Deu-se que a Bolívia arrendou a área por cem anos para empresas inglesas e americanas. O Barão do Rio Branco sacou que depois de cem anos os gringos jamais sairiam dali. O pau cantou, a ponto dos americanos deslocarem sua poderosa marinha para garantir “seus direitos”. O Barão fechou a navegação na bacia do Amazonas e acunhou: “- Se os E.U.A. querem negociar conosco com sua armada se deslocando para o sul, negociaremos com o nosso exercito marchando para o norte”. É que nossas melhores tropas estavam na fronteira da Argentina. Quem muito bem registrou isso foi o então Sargento Getúlio Vargas em seu diário. Depois de ameaças reciprocas, acordos e indenizações o Acre foi incorporado ao Brasil.

Ele peitou os gringos, hem?

Rio Branco morreu em sua mesa de trabalho no Itamaraty, tão pobre que foi necessário o congresso conceder uma pensão à família para que ela não caísse na miséria.

Juca faz falta, né?

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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