João Pessoa, 10 de janeiro de 2026 | --ºC / --ºC
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Nunca fui de pedir autógrafos. A única vez foi quando vi Caetano Veloso pela primeira vez, no show ´Muito: Dentro da Estrela Azulada´ no cinema do Hotel Tambaú, em 1978.
Eu estava com seu livro “Alegria, Alegria”, organizado por Waly Salomão, com selo da Pedra Q Ronca Edições e Produções Artísticas, 1977 – em sua 1ª e única edição – mostrei a Caetano num camarim improvisado. Ele me pareceu surpreso ao ver seu livro na mão de um jovem, e riu quando eu falei sobre a sacada do homem, que é um caranguejo de duas bocas.

Por onde andará aquele rapaz linguístico desengonçado que tatuou o nome de seu ídolo no bíceps e saiu de João Pessoa debaixo de um diluvio para encontrar o saudoso Aladim, que o levou ao camarim de Reginaldo Rossi, para exibir sua tatuagem, do outro lado que é lado de lá – da margem do Rio Beberibe.
Puxa vida! O tempo apaga tudo, até o rechaço das palavras que os expressa e nos coloca no corredor do pisador.
Sempre ficava encabulado de apontar um lápis e um “papel crepom prata” em direção a um artista para ele colocar uma assinatura e escrever uma dedicatória. Em evidências, a escritora Laila Lalami explica bem direitinho.
Talvez seja reflexo do reconvexo dos tempos, quando eu via, eu ia, eu fui e via um monte de tietes perseguirem Xica da Silva na calçada da Avenida Afonso Pena, geralmente os discípulos e fãs, e riamos até urinar nas calças nas calçadas de Ouro Preto, mas isso não faz parte do relatório de risco.
Nas poucas vezes que pedi um autógrafo, o fiz com a ajuda de meu pai, eu era garoto, que não amava os Beatles e os Rolings Stones, mas eu queria a assinatura de Vanusa, que eu pensava ser Clara Nunes, num poster na parede do Tênis Clube de Cajazeiras, (e tal e qual um guardei com carinho no caderno da escola)
Estava no aeroporto de Madrid quando vi Maria Schneider, linda, deslumbrante, mas não tive coragem de chegar perto, queria a cena do Último Tango em Paris, como um agradecimento pelas nossas idas e vindas a padaria, para comprar margarina como se fosse manteiga.
Tarefa que desempenhei bem meu pedido de autógrafo mais emocionado, no entanto não lembro quando, foi com Mercedes Sosa, que estava com Alex Marques, entre um boing e outro.
O que eu mais admiro numa amizade é a sensação de combinar amorosidades com a capacidade de criar belas história e fraseados virtuosos, sem mea boca, bom de abraço e desde já, sinta-se abraçado.
Esse é o melhor autógrafo.
Kapetadas
1 – O Brasil sempre foi muito mais teológico do que teleológico
2 -Só fico pensando se algum dia bati tudo no liquidificador
3 – Foto Thereza Eugênia
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BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025