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Jornalista paraibano, sertanejo que migrou para a capital em 1975. Começou a carreira  no final da década de 70 escrevendo no Jornal O Norte, depois O Momento e Correio da Paraíba. Trabalha da redação de comunicação do TJPB e mantém uma coluna aos domingos no jornal A União. Vive cercado de livros, filmes e discos. É casado com a chef Francis Córdula e pai de Vítor. E-mail: [email protected]

Megera-sena

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publicado em 03/01/2026 ás 07h00
atualizado em 03/01/2026 ás 09h22

Sonhei com a esperança imbecil, tudo por conta da megera-sena.  Sonhei até que Santos Dumont tinha inventado a Manteiga Aviação. Vi-me bilionário! Mas não combinava comigo.

Sim, sonhei como ninguém jamais sonhou assim, estive nos botões da blusa da marquezine, cuja grife britânica de luxo custou 12 mil dólares e chorei feito Cauby, até ficar com dó de mim.

Resumo – Fizemos um bolão da firma e o pacto de que ficaríamos todos ricos, mas a mega deu um bolo na gente –  tive momentos lúcidos, soluções e soluços, delírios bem lúcidos.

Imaginei-me de bigode engomado, usando xícaras bigodeiras de Linaldo Cavalcanti, que possuem uma aba na borda. Eu comprava  um redondo de ouro e dava um rolê abraçado com Dani Fialho, a rainha do pedaço. Comprei um carrão vermelho, mas esqueci o nome.

Sonhos modernosos, com copo stanley de ouro e camisa de força, frequentando circuitos onde se tomava uísque com guarará. Deu a bexiga.

Dava um  churrasco na varanda em que o barbicha quebrava a munheca pra salgar a carne.

No Egito,  comprei dois camelos, um pra mim e outro pra ti – o K vestido numa túnica arrastando nos pés se sentindo o Sheik de Agadir, cantando dinheiro pra que dinheiro, se ela não me dá bola.

Na volta, comprava a casa rosa da avenida Maximiano Figueiredo e deixava as moças entrarem para fazer selfies sem sutiãs.

De  manhã cedinho acordava com o frescor da bufunfa, o aroma adocicado da riqueza, mas não preguei o olho na derradeira noite do ano. Por engano, o resultado saiu no outro dia. Me engana que eu gosto.

No jardim as flores tinham pétalas de dólar  e bolávamos de rir

Comprava tudo – muitos queijos, uma manta de carne de sol, cavalos puro-sangue, carros chineses, sapatos alemães, gravatas italianas, vinhos franceses escambau.

Mas aí eu  caia em si e pensava, então é isso? É pra isso que serve um bilhão? Quero não, e voltava a dormir.

Com a dinheiro debaixo do coxão,  eu levava o amigo Lenilson e Rosa para conhecer Paris, ao grande cabeça Sandro Galvão, eu daria o Iate Lady Laura do Roberto Carlos, para uma viagem espacial pelas profundezas abissais oceânicas sob a batuta do comandante Josinato Gomes.

Compraria uma Cachoeira para Jória, dava um milhão de cruzeiro a Patriota, asas  para Nice, elegeria Valter Nogueira deputado federal, Giba e Darcy uma mala cheia de dinheiro  e um unicórnio para Pedro, Pedro para, e um jatinho para José Vieira  e Roberta fazer a ponte João Pessoa/ Pombal e evitar a fuga das galinhas.

O resto, é continuar coçando a mão.

Kapetadas

1 – A liberdade de expressão existe, desde que não atrapalhe os negócios.

2 – Sei lá, se Ano Novo fosse bom, não vinha com antecedentes.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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