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Antônio Colaço Martins Filho é chanceler do Centro Universitário Fametro – UNIFAMETRO (CE). Diretor Executivo de Ensino do Centro Universitário UNIESP (PB). Doutor em Ciências Jurídicas Gerais pela Universidade do Minho – UMINHO (Portugal), Mestre em Ciências Jurídico-Filosóficas pela Faculdade de Direito da Universidade do Porto (Portugal), Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Autor das obras: “Da Comissão Nacional da Verdade: incidências epistemiológicas”; “Direitos Sociais: uma década de justiciabilidade no STF”. E-mail: colaco.martins@unifametro.edu.br

Inovação e mindset universitário

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publicado em 29/03/2021 às 07h38
atualizado em 29/03/2021 às 04h41
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(Texto dedicado ao professor da Unifametro Alexandre Pinho Pessoa de Hollanda (07/10/1979-26/03/2021), educador por vocação e apóstolo da inovação universitária)

Imagine uma faculdade em que os dispêndios seguem rigorosamente o que foi estabelecido em orçamento. O planejamento estratégico é executado de forma consistente. Contudo, no coração do gestor, persiste o sentimento de que a instituição, quando responde aos novos desafios, fá-lo de forma extemporânea e ineficaz.

As características acima referidas – higidez orçamentária, disciplina na execução do planejamento estratégico – estão intrinsecamente relacionadas à capacidade de a instituição prestar os serviços educacionais com regularidade, segurança e observância a padrões previamente estabelecidos. Os atributos acima mencionados são adequados para a execução de serviços de contabilidade, processos financeiros internos, armazenamento de dados, jurídico, auditoria, manutenção do ERP educacional, entre outros.

Ocorre que alunos, funcionários e demais stakeholders também demandam o constante aperfeiçoamento e a criação de novos serviços de ordem educacional, financeira, tecnológica etc. O processo de criação de novas ofertas é tão mais eficaz quanto maior for a capacidade da faculdade de produzir uma versão básica da nova funcionalidade; disponibilizar tal funcionalidade ao usuário; e adaptar a funcionalidade conforme o feedback do usuário.

Para esse tipo de atividade, os atributos de adaptabilidae, resiliência e criatividade são essenciais, ao passo que os atributos mais estáticos anteriormente mencionados se mostram inadequados.

Não nos parece razoável pensar que um setor vai ter a capacidade de “mudar de chip”, alternando entre modelos mentais diferentes, várias vezes ao dia, a depender da demanda que se apresente. Sem mencionar que a maioria dos tradicionais departamentos universitários não têm a diversidade de competências e a autonomia necessárias para criar funcionalidades relevantes aos seus clientes.

O quadro acima esboçado reforça a necessidade de fazer com que a estrutura organizacional das faculdades particulares leve em conta as jornadas do universitário e o modelo mental que ela demanda. As projeções de diminuição de receita das faculdades da livre iniciativa, em face da crise econômica e das crises políticas que vamos enfrentar, tendem a tornar ainda mais importante a criação de novas ofertas ao público universitário.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB