João Pessoa, 13 de janeiro de 2021 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora

A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é mestre em Desenvolvimento Humano pela UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância. Sempre atuou na gestão do ensino superior em âmbito nacional, passando inclusive pela UNISA em SP e em outras instituições de relevância como consultora.

Assertividade em tempos incertos

Comentários:
publicado em 13/01/2021 às 06h49
A- A+


Falar o que pensa e expressar seus valores, ideais e posicionamentos políticos, tem sido praticamente uma norma nos dias de hoje. A ação por si só, podemos dizer que é valida e necessária, porém a proposta não é discutirmos os conteúdos, mas sim a forma que as mensagens e as relações estão sendo pautadas, principalmente no contexto atual, de relações remotas e interpretativas.

Defender seu ponto de vista com “unhas e dentes”, por meio de condutas agressivas, sempre foi explicitado por frases como: eu tenho personalidade forte, falo o que penso, sou sincero, autêntico entre outras justificativas. No contraponto a essa postura, está o que evita discordar, com os termos mais frequentes, do tipo: não sou de briga, prefiro deixar pra lá, não gosto de confusão, entre outras afirmações de evitamento. A conduta assertiva é o meio, o equilíbrio entre a conduta agressiva e a passiva, sendo obviamente a mais acertada, por respeitar e finalizar bem o processo de comunicação entre o emissor e o receptor.

O termo “assertividade” deriva do latim “asserire” com o significado de afirmar a si mesmo, sustentar a própria opinião. Na psicologia está no âmbito das habilidades e competências interpessoais. Ou seja, ser assertivo requer um repertório positivo de experiências e interpretações capazes de fazer o sujeito se colocar no lugar do outro e assim, adequar o seu dialogo e promover relacionamentos interpessoais produtivos.

A assertividade nada tem a ver com o que nos parece justo ou correto, pois aqui, falamos de postura e transmissão da mensagem, e não sobre a mensagem em si, como já discorrido anteriormente. A assertividade é a capacidade de nos expressarmos de forma clara, direta e objetiva, utilizando métodos que façam com que o outro entenda com exatidão aquilo que queremos dizer, sem rompantes emocionais. Quando o processo assertivo acontece, tanto o emissor da mensagem quando o receptor (direto ou indireto) são respeitados e compreendidos, mesmo tendo conteúdo negativo. Os modelos gerais identificados quando se discute sobre assertividade são os comportamentos: inassertivos (passivo ou agressivo) ou assertivo. Podemos classificar as condutas assertivas como aquelas que provocam algum reforço positivo ou minimizam o evento aversivo, em contrapartida, os comportamentos inassertivos são aqueles que provocam algum tipo de sofrimento para o emissor ou receptor e o processo de comunicação não segue de uma forma clara e concisa.

Para ser assertivo precisa-se de uma boa dose de empatia, pois devemos sair da nossa interpretação, passarmos a entender o mundo do outro e assim, possamos atuar dentro do processo de assertividade e clareza também por parte do receptor no processo de comunicação. “As pessoas precisam entender que quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, quem pensa diferente de mim apenas pensa diferente de mim”, como diz o escritor contemporâneo Leandro Karnal.

Martin Buber, um filósofo do século passado, já discorria sobre o tema, caracterizando as posturas de comunicação e diálogo em eu e tu (mais pautada no dialogo e empatia) e na condição eu e eu (desconsidero e desrespeito o outro), segundo ele “A relação eu-tu é um ato essencial do homem, atitude de encontro entre dois parceiros na confirmação mútua”.

Em uma sociedade praticamente digital, é válido pontuarmos o processo de comunicação exercido nas redes sociais. Percebemos claramente que as opiniões, criticas e posicionamentos são mais fervorosos e muitas vezes ignoram que do outro lado existe alguém, como se fosse “terra de ninguém” e como se tivessem autorização a uma liberdade de expressão que pudesse atuar extrapolando e violando limites. Em seu artigo Redes sociais: território sem governança? Maria Luíza Kuhn trás essa reflexão, e finaliza quando se refere aos comportamentos vistos nas redes, que nós evoluímos na tecnologia e involuímos na humanidade.

A pergunta que aprendemos desde cedo de até onde vai o nosso espaço e onde começa o do outro, infelizmente foi esquecida, e as pessoas como carros enlouquecidos em um trânsito sem lei, se atropelam umas as outras na ânsia de ter sempre razão. O que eu quero, o que sou e principalmente o que penso, são preceitos sagrados para mim e devem ser respeitados a todo custo. O que o outro pensa? Não me importa, pois se é diferente do que penso, está errado e não curto nem compartilho. Melhor ainda, vou bloquear para não me incomodar. E assim caminha a humanidade (Lulu Santos). Para onde, não sabemos…

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

error: Alerta: Conteúdo Protegido !!