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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

O Brasil é nono mais rico e nono mais desigual do mundo

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publicado em 20/11/2020 às 08h17
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O Brasil é a nona nação mais rica do mundo (foto) , com o Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$ 1,9 trilhão, segundo os dados de 2019 do Banco Mundial. O Brasil é a nona nação mais desigual do planeta, com o Índice de Gini de 0,539, conforme as estimativas de 2018 do Banco Mundial. O Brasil é o nono país mais rico e ao mesmo tempo o nono mais desigual do mundo.

De acordo com os dados oficiais referentes ao ano de 2019 do Banco Mundial, os dez países mais ricos do planeta são: Estados Unidos (US$ 21,344 trilhões), China (US$ 14,216 trilhões), Japão (US$ 5,176 trilhões), Alemanha (US$ 3,963 trilhões), Índia (US$ 2,972 trilhões), Reino Unido (US$ 2,829 trilhões), França (US$ 2,761 trilhões), Itália (US$ 2,025 trilhões), Brasil (US$ 1,960 trilhão) e Canadá (US$ 1,739 trilhão).

Só para lembrar o Produto Interno Bruto (PIB) “Refere-se ao valor agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país, (…)” (SANDRONI, 2008, p.641). Entre as dez maiores economias do planeta no ano de 2019, o Brasil era o único país da América do Sul e de língua portuguesa. A recessão econômica chegou em 2020 e provocou dois tombos históricos no Brasil, um pequeno tombo de -2,5% no primeiro trimestre de 2020 e um grande tombo de -9,7% no segundo trimestre de 2020 (IBGE).

No cenário de incerteza, o Brasil tem a moeda mais desvalorizada em relação ao dólar americano no mundo, em 19 de novembro um dólar americano alcançou R$ 5,31 (BACEN), que provocará uma queda da nona para a décima segunda maior economia do planeta, com PIB de US$ 1,4 trilhão em 2020, segundo a projeção da Fundação Getulio Vargas (FGV) com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Provavelmente perderemos três posições no ranking mundial para o Canadá (US$ 1,6 trilhão), a Coreia do Sul (US$ 1,6 trilhão) e a Rússia (US$ 1,5 trilhão). As atividades econômicas foram quase paralisadas na economia brasileira, entre os meses de abril e maio de 2020 pela primeira onda da COVID-19, o turismo foi o mais prejudicado, mas com exceções as atividades agropecuárias que cresceram muito com as exportações e os serviços essenciais como padarias, supermercados e farmácias.

De acordo o Relatório Focus do BACEN (13/11/2020), o Brasil sofrerá uma recessão econômica de 4,66% no ano de 2020 e terá uma recuperação econômica de 3,31% em 2021. Em 2020 poderemos ter a maior recessão da economia brasileira dos últimos 30 anos. O Plano Collor provocou uma retração econômica de 4,3% em 1990 (IBGE). Para uma recuperação econômica forte precisamos de mais portos modernos no terceiro maior produtor e exportador global de commodities agrícolas. Necessitamos de mais ferrovias no quinto país mais extenso do planeta. É indispensável para uma economia emergente mais consumo das famílias.

A Grande Recessão Brasileira entre o segundo trimestre de 2014 (-1,3%) e o quatro trimestre de 2016 (-0,6%) provocou o aumento do desemprego no continental Brasil. No primeiro trimestre de 2017, a taxa de desemprego no País alcançou 13,7% da PEA (IBGE). A crise econômica foi longa, foram 33 meses consecutivos de retração econômica até chegar a recuperação econômica muita lenta no triênio 2017-2018-2019, em média de 1,2% ao ano. Estamos agora em plena Crise da COVID-19 e a taxa de desemprego é de 14,4% da PEA no terceiro trimestre de 2020 (IBGE), com 14 milhões de pessoas desempregadas nas cinco regiões. O elevado desemprego gera mais pobreza, mais desigualdade de renda no secular País.

De acordo com as estimativas oficiais do Banco Mundial, os dez países mais desiguais do planeta são: África do Sul (0,630), Namíbia (0,591), Suriname (0,576), Zâmbia (0,571), São Tomé e Príncipe (0,563), República Centro-Africana (0,562), Suazilândia (0,546), Moçambique (0,540), Brasil (0,539) e Botsuana (0,533). Só para destacar o Índice de Gini ou Coeficiente de Gini significa “Medida de concentração, mais frequentemente aplicada à renda, à propriedade fundiária e (…) se aproximaria de 1, refletindo o aumento da concentração” (SANDRONI, 2008, p.156). Enfatizamos que no ano de 2019, no Brasil encontrava-se com 13,5% da população na pobreza extrema, ou seja, 13,6 milhões de pessoas vivendo com US$ 1,90 por dia, o equivalente a R$ 151 por mês. O País encerrou o ano de 2019 com 51,7 milhões de pobres, ou seja, 24,7% da população total vivendo com renda mensal de até R$ 436 (IBGE).

As projeções são que o preço de um botijão de gás de cozinha de 13 kg poderá alcançar 100 reais no mês de dezembro, em João Pessoa, após nove aumentos mensais não consecutivos. É um absurdo! Quando os preços sobem muito, os trabalhadores não compram ou consomem menos bens e serviços ofertados pelas empresas, logo, as empresas vendem muito menos e tendem a cortar gastos, reduzir custos, demitir trabalhadores. Os trabalhadores desempregados não podem comprar bens e serviços, logo, a inadimplência aumenta, a economia retrai.

Quando a economia entra em recessão econômica é necessário uma política fiscal expansionista, ou seja, aumento de gastos públicos e corte de impostos, a curto prazo. Não podemos permitir o fim do Auxílio Emergencial para 67,7 milhões de habitantes à beira de uma segunda onda da COVID-19. Não podemos continuar com 92 tributos vigentes no País. É hora de construir novos hospitais, novos esgotamentos sanitários e novos acordos de livre-comércio.

O Brasil é um país membro do grupo BRICS e caminha para uma recuperação econômica muita lenta, com US$ 342 bilhões em reservas internacionais e com taxa Selic de 2% ao ano (BACEN), além de superávit comercial de US$ 49,4 bilhões até a segunda semana de novembro (ME). Todavia, a dívida pública bruta foi de 81% do PIB brasileiro em 2017 e passará de 100% do PIB no ano de 2020 (FMI), maior do que os 100% do PIB em 1989, em pleno Plano Verão, que mudou a moeda de cruzado para cruzado novo e congelou preços e salários.

Em suma, que paradoxo, o Brasil é nono mais rico e nono mais desigual do mundo. É importante ressaltar que, promover a prosperidade econômica com maior inclusão social e sem degradação ambiental é o melhor caminho para o Brasil ingressar no seleto clube dos países com PIB alto, IDH muito alto, renda alta, taxa de pobreza baixa e Índice de Gini baixo.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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