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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginarodriguez@uol.com.br

A sabedoria

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publicado em 20/09/2020 às 08h37
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reginarodriguez@uol.com.br

Ouvi uma pessoa falando ao telefone, quando disse: “porque um burro lhe dá um coice não lhe corte a perna, porque você perderá sua força de trabalho. Seja inteligente. Saiba usá-lo”. Fiquei a pensar que havia uma lógica e uma razão no que estava sendo dito. No caso sua fala queria se referir ao fato que estava contando e aconselhando o outro.

Nessa conversa capta-se quanto saber tinha aquela criatura e com inteligência dava as estratégias que deveriam ser seguidas. Vejam nas palavras pronunciadas como elas vêm carregadas de amadurecimento e experiência. Mensagens populares, adágios ou provérbios foram sempre usados por nossos avós para nos exemplar com ensinamentos. São frases e expressões sábias passadas de geração em geração que expressam conhecimento, experiência e diversidade cultural de um povo. Podem ser de cunho religioso, de amor, folclórico etc. Ajudam, usando a metáfora, a fazer entender e compreender o que se quer dizer. Didaticamente é falar de uma coisa quando se está expressando outra para ficar melhor explicito, embora camufladamente.

Ao longo da história pensadores e filósofos afirmam que para encarar a vida com sabedoria não é necessário aprender nos livros, na escola. O conhecimento é adquirido e cultivado no limiar do tempo, através de experiências, vivências, erros e acertos. Os adágios nos trazem mensagens reflexivas de otimismo e de construção da vida. Às vezes são frases de autores anônimos, desconhecidos e que foram incorporadas ao linguajar popular, como: “Chega-te aos bons, serás um deles, chega-te aos maus, serás pior do que eles”; “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte”. Personagens famosas dizem:” Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho.

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas! (Mahatma Gandhi foto); “O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano” (Machado de Assis); “Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais escuras cai água límpida e fecunda” (Isaac Newton); “Saber não é o bastante; precisamos aplicar. Querer não é o bastante, precisamos fazer” (Cora Coralina); “Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo” (Pitágoras). O provérbio chinês: “O grau mais elevado da sabedoria humana é saber adaptar o seu caráter às circunstâncias e ficar interiormente calmo, apesar das tempestades exteriores”. Poderíamos ainda citar inúmeros outros.

Percebe-se que as frases vêm onustas de valores éticos morais e cada uma defende, ilustra e origina uma semântica própria que define ações que elogiam, dão lições, apoiam ou depreciam. O povo tem talento inato advindo de esforços pessoais e de experiências empíricas cujo saber provém da escola da vida. Haja vista as que surgem nas redes sociais em forma de sátira, ironia, retratando a situação atual do novo normal e ridicularizando a política. O brasileiro utiliza a situação mais difícil e crítica em que se vive para transformá-la em um momento jocoso, tratando-o com deboche e zombarias, de configuração cômica, engraçada e divertida. Isto de feitio inteligente e versátil. Nesse contexto, a comunicação e a informação são ferramentas para o conteúdo da linguagem a que se quer atingir, do indivíduo ou da população alvo.

As máximas, provérbios etc. manifestam-se espontaneamente e são incorporados à cultura. Seguem uma tradição. Passam a identificar um local ou uma região. No Brasil, tivemos a influência do indígena, do português e do africano. Segundo Plinio Marcos (1981), escritor, teatrólogo e jornalista, “Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre”. Enfim, a cultura popular é de grande importância na personalidade de um povo. Somos um pais rico na arte de expressão, que se manifesta de várias maneiras – carnaval, festas juninas, festa do Divino, jongo, maculelê; Música e dança: frevo, samba, xaxado, quadrilha; Cantigas de roda: atirei o pau no gato, ciranda-cirandinha, sapo cururú; Brincadeiras de rua: pega-pega, pula-mula, queimada; Ditos populares, frases feitas, provérbios, trava-línguas, parlendas, brincadeiras e muito mais. Em Cada recanto o Brasil se vê cheio de retalhos, crendices, superstições, sincretismos. Toda essa riqueza poderia converter-se em atração turística, rendendo divisas para o país, que se sente tão carente de recursos. Por que não acontece?

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