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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginabotto@gmail.com

Como seremos amanhã?

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publicado em 10/08/2020 às 07h00
atualizado em 09/08/2020 às 18h11
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Nas conversas que mantemos com amigos uma pergunta vem sempre à tona: Como será o mundo depois dessa pandemia? Não queremos ser vidente nem tão pouco profeta mas cremos que o cenário de hoje nos aponta algumas tendências e que alguma coisa irá mudar. A pandemia atingiu o mundo de modo que em cada lugar ela teve repercussões próprias e especificas, arraigadas aos hábitos e costumes da cultura local. Povos ficaram isolados – pessoas, animais ou mercadorias, visando reduzir a transmissão da doença. Sim, a pandemia continua.

Por que quarentena? De acordo com o Centro para a Prevenção de Doenças e Controle (CDC) esse procedimento surgiu na Idade Média. No século XIV, os navios que chegavam em Veneza de lugares afetados pela Peste Negra eram obrigados a esperar 40 dias antes de atracar no porto. Geralmente os quarenta dias correspondiam ao tempo de incubação da doença que é o tempo necessário para o aparecimento da enfermidade. É uma medida de Saúde Pública para limitar ou parar a disseminação e garantir que outras pessoas não sejam infectadas. A OMS propôs que os países estabeleçam estratégias para o combate ao COVID 19. No Brasil, foi aprovada a Lei 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, pela qual o Ministério da Saúde emitiu a Portaria n.º 356 que disciplina a matéria.

Fica-se a imaginar: quando essa pandemia vai embora? Como será o amanhã? Que tipo de vida nos espera? Se diz em voz corrente que o mundo depois dessa pandemia será muito diferente. Quando nossa vida retornará ao normal? Pensou-se a princípio que seria coisa rápida e que em breve iria passar. Qual surpresa, estamos confinados há 6 meses e ouvimos as mesmas palavras: tal mês será o pico da doença…E nada. Temos mais incertezas que concretude, o que faz gerar dúvidas e medo da morte. Essa situação nos fez pequenos e nos mostrou que estamos longe de controlar a vida e desvendar os seus mistérios. Ficou demonstrado que na natureza não há preconceitos e todos os homens são iguais. Muitas coisas aconteceram durante esse período e ainda estão para acontecer, isto nos diversos níveis da sociedade; na economia, o desemprego, queda nas rendas, redução da demanda por bens e serviços; muitas empresas fecharam as portas etc.

A pandemia do COVID – 19 pegou o país já doente, com muitas mazelas políticas, sanitárias e econômicas. Se fala em nova Constituição com os olhos voltados para o futuro, prevendo o progresso e a justiça social. Reconhecer nossos erros e ter a coragem de começar tudo de novo. De acordo com as publicações o mundo vai ter que ser reconfigurado. A economia terá que ser reconstruída, porque poucas estruturas empresariais sobreviverão. No aspecto socioeconômico e ambiental, os estudiosos pensam que é possível construir uma humanidade mais preparada para outras catástrofes globais e, assim, menos vulnerável aos impactos que elas possam gerar. Haverá um recomeço e uma nova distribuição de riqueza no mundo, renivelando os países pobres e ricos, tornando a competição menos desigual, pois durante esse período ela foi ressaltada. A solidariedade é um imperativo de sobrevivência da nossa nação. Constatou –se que os problemas são comuns a todos. O Estado terá que ser recriado, grande ou pequeno, mas que sirva a todos e não a uns poucos. A educação terá um novo perfil nas palavras do Doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Karnal, em que o ensino à distância será pulverizado. Na saúde ele aponta o Sistema Único de Saúde SUS, entendendo como fundamental no papel do Estado no combate ao vírus. A cobertura de saneamento básico, hoje precária para quase metade dos brasileiros, é essencial na prevenção de várias doenças. Se faz necessário um serviço sanitário eficiente, de acesso a água e esgoto, que funcione para prevenir e suplantar a problemática nosológica ainda existente.

A filósofa, psicanalista e poeta Viviane Mosé (foto) diz: “A civilização se compôs como uma bolha de ilusão que te promete o que não pode cumprir. Felicidade, estabilidade. Nunca tivemos isso, e agora estamos vivendo o mundo real”. E ainda acrescenta: “A pandemia vai nos ensinar a lidar com a incerteza, a insegurança, o desconhecimento. A gente precisa se fortalecer, aprender a amadurecer em situações como essa. Estamos vivendo um processo de amadurecimento com muito sofrimento”.

Refletindo sobre o futuro o médico e neurocientista Miguel Nicolelis argumenta que todos esses desafios põem em xeque o mundo. Que transparece algo que ele chama de “algoritmização” da vida humana. E analisa: “Nós desenvolvemos uma tecnologia interessante, caímos de cabeça e não pensamos na fragilidade do modelo de integração global que estávamos criando. A culpa não é da China (onde o vírus começou a se espalhar), é da nossa espécie porque, ao invadir hábitats e dizimar vidas de animais selvagens, entramos em contato com esse tipo de vírus que, em teoria, não chegaria a nós. A pandemia expôs nossa falta de preparo porque olhamos só na direção de como ganhar dinheiro e explorar a terra”.

Diante do quadro pintado conservamos nosso otimismo até porque como docente acreditamos no aprendizado que une a teoria à prática e percebendo que essa pandemia oportunizou fazer essa integração com relação ao comportamento do ser humano. Cremos que vale a pena sonhar com um modelo de vida mais solidário e colaborativo para que fiquemos mais preparados no enfrentamento de futuras crises. A ciência reafirmou ser ferramenta determinante nesse contexto que não deverá ser relevada e que tem papel preponderante na vida das pessoas. O conhecimento cientifico é a ferramenta para vencermos o nanoscópico vírus; só ele dará em definitivo a solução. Esse micróbio coranavirus tão ínfimo tornou-se o epicentro da política, da economia, das igrejas e religiões, dos hábitos das pessoas com abrangências e consequências mundiais.

Como se observa, os pronunciamentos dos cientistas não apontam o que vem depois dessa pandemia. Não dá para se saber porque são tantas as variáveis e condicionantes que qualquer previsão será frustrada. Uma única certeza será a mudança em vários aspectos da sociedade, no relacionamento com os amigos, na família, no trabalho e no governo. Novos hábitos, nova visão corporativa do trabalho, maior respeito aos serviços públicos e aos profissionais da saúde, heróis no combate a pandemia. Por esses relatos de estudiosos teremos de traçar prioridades para alcançar a segurança das populações de modo a oferecer-lhes vida sustentável do ponto de vista sócio-sanitário-econômico e ambiental. Acredita-se que é possível construir uma humanidade mais preparada para outras crises globais que possam surgir e termos as respostas imediatas com capacidade, discernimento e resolução. Uma coisa nos alenta, tudo passa e essa onda vai cessar. Como seremos amanhã? Só Deus sabe.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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