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Cleo Pires: “Tive relações tóxicas, com manipulação e sexismo”

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publicado em 03/11/2019 ás 10h27

A atriz e cantora Cleo Pires tem sido questionada pela sua aparência e tem aproveitado a visibilidade para falar de aceitação, amor próprio e alertar sobre relações tóxicas. Recentemente, Cleo admitiu ter compulsão alimentar e em bate-papo com o jornalista Leo Dias, ela contou detalhes da sua vida.

Confira trechos da entrevista:

LEO DIAS – Quando começou a mudar seu corpo? Em que momento percebeu que isso era uma compulsão e que estava trazendo consequências ruins?

Eu entendo há muito tempo o que é a compulsão e via que eu estava ali perto. Me identificava com aquilo. Mas nunca fui a fundo nisso e acho que neste ano eu realmente vi que tinha essa questão: compulsão com a comida. Você está feliz e quer comemorar. Tristeza, alegria, ansiedade, depressão. Não é que é uma desculpa, mas é para onde meu organismo vai. Descobri que tinha muitos gatilhos e que eu acabava indo para um lugar de descontrole total, em forma de autopunição. Não é saudável. Dava prazer, mas não era saudável. Amo comer, mas, quando você perde o controle e aquilo vira um foco, fica doentio e problemático.

Existe algum exemplo? Alguma coisa que você comeu muitas vezes e exagerou? Eu não imagino você comendo muito.

Só você perguntar para qualquer pessoa que trabalha comigo. Eu como de tudo, tudo mesmo. Não é comida. É lanche. Tive uma fase em que eu estava completamente obcecada por açaí com farinha láctea. E aí eram três de 500 ml por dia, pelo menos. Só que isso por muito tempo. E demorou para eu perceber que era uma obsessão, porque acontece isso desde que me entendo por gente.

Mas se você tem isso desde que se entende por gente como foi que chegou àquele corpo de quando posou nua?

Eu fazia muita dieta maluca e tomava remédio. Tirava compulsão da comida e, às vezes, conseguia colocá-la em exercício e em querer ficar magra. A compulsão para comida foi para esses outros lugares, mas eles não duram. E é tudo doentio. Você pode estar magra, mas a sua cabeça é doente ainda. Não quero que seja uma coisa pesada, mas é uma questão séria.

Em que momento você começou a fazer terapia? Você já faz terapia para compulsão?

Não fiz terapia para a compulsão. Tenho vontade de fazer hipnose. Mas eu tenho melhorado muito. Hoje em dia não tenho vergonha de pedir ajuda. Eu era muito autoafirmativa e me defendia, mas tudo bem, fazia parte. Como mulher, às vezes, você tem que fazer isso para se impor. Mas chegou um momento da minha vida em que eu tive mesmo que pedir ajuda. E eu tenho ajuda. Tenho uma equipe incrível em casa e no trabalho.

O sexo na sua vida mudou? Continua com a mesma intensidade?

Sou sexual, acho que todos somos. Mas, para mim, sexual não é dar para todo o mundo. Ser sexual é você saber da sua energia. A sua energia de vida é a sua energia sexual. A questão não é se eu tive muitos parceiros. Ser sexual é ter noção do poder da sua energia e usá-la. Isso não quer dizer que você transe muito ou pouco. Eu gosto dessa energia sexual.

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