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Vou contar esta história porque já vi o mesmo fato acontecer muitas vezes e sempre sobra uma mesma lição, mote do livro que estou terminando de escrever: “O limite do suficiente”.
Em 1958 juntaram-se Lucia e Lourdes, as duas “Lus” e fundaram a Daslu, que funcionava na casa de Lucia na Vila Nova Conceição. Não faziam publicidade e só recebiam as amigas, ávidas por produtos de luxo que elas mandavam vir da Europa. Cresceu tanto que anexaram 20 casas ao empreendimento, mantendo, entretanto, o clima intimista e o atendimento exclusivo à alta sociedade. Era como se a madama fosse visitar a casa de uma amiga e ali provasse uma roupa. Porém não era qualquer uma que tinha acesso à Daslu. Era necessário ser amiga de uma frequentadora; a Daslu funcionava como um clube exclusivo, desses que despertam o desejo em todas as socialites. As “Lus” trouxeram as marcas mais famosas do mundo para o Brasil e um outro segredo era só terem como atendentes as filhas da alta sociedade paulista, como Sophia Alckmin, filha de Geraldo. As dasluzetes. Era o sonho da alta sociedade.
Em 1983, com a morte de Lucia, sua filha Eliana Tranchesi assumiu o negócio e conseguiu contratos de representação com as principais grifes do mundo. Já não eram apenas revendedoras, estavam um degrau acima. O faturamento de 400 milhões por ano atestava o sucesso. E então Eliana conseguiu dar sua maior tacada. Convenceu a Chanel a abrir uma loja dentro da Daslu. Era a única da América Latina e a que mais vendia em todo o mundo. Por gravidade vieram a Gucci, Dolce & Gabbana e outras mais. A Daslu mudou-se para um novo prédio com 17.000 metros quadrados, a Villa Daslu. Só que continuou com a “informalidade” que guiava os negócios e a visibilidade chamou atenção. Em julho de 2005 a polícia montou a operação Narciso e invadiu a loja. No fim de 2006 a Receita multou a loja em 236 milhões e proibiu a importação das mercadorias. Em 2009 Eliana foi condenada a 94 anos de prisão e ficou presa por 12 horas, só saindo da cadeia porque precisava tratar um câncer no pulmão. O resto da história é conhecido. Destaco a garra de Eliane, que mesmo num estágio avançado do câncer continuava trabalhando em seu leito. Morreu em 2012. Em 2016 a falência da Daslu foi decretada.
Neste e em outros casos que estudei para o meu futuro best-seller (kkkk) não me fixei nas empresas, mas nas pessoas. Elas é que precisam estabelecer o limite do suficiente em suas vidas.
* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 15/01/2026