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Rússia diz ter expulsado 600 terroristas de suas posições

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publicado em 03/10/2015 às 16h59
atualizado em 03/10/2015 às 17h00

Os aviões de combate russos bombardearam neste sábado várias posições do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em seu quarto dia de intervenção na Síria, mas os Estados Unidos denunciam uma estratégia centrada na defesa do regime de Bashar Al Assad.

Segundo um alto oficial militar russo, os bombardeios aéreos da Rússia na Síria geraram “pânico” e forçaram cerca de 600 “militantes” a abandonarem suas posições.

“Nossos relatórios de inteligência indicam que militantes estão abandonando as zonas sob seu controle. Há pânico e deserção entre suas filas”, declarou o general Andrei Kartapolov, do Estado-Maior do exército, ao informar sobre os resultados dos três dias de bombardeios russos na Síria.

“Cerca de 600 terroristas abandonaram suas posições”, completou em um comunicado.

“Nos últimos três dias conseguimos danificar material e recursos técnicos dos terroristas e reduzir significativamente seu potencial de combate”, assegurou.

“Não só prosseguiremos os ataques com nossa força aérea, como iremos intensificá-los”, declarou o oficial.

O conflito na Síria começou em março de 2011 com uma revolta popular fortemente reprimida pelo regime e com o tempo tornou-se uma guerra civil. O regime de Assad perdeu dois terços do território nos combates.

O presidente americano Barack Obama considera possível cooperar com a Rússia no caso sírio desde que seja reconhecida a necessidade de uma mudança de regime. Moscou não quer ouvir falar do tema e considera o regime de Assad como uma proteção frente ao EI.

Desde o começo na quarta-feira de seus bombardeios na Síria, a Rússia atacou o EI e, sobretudo, a Frente Al-Nosra, filial síria da Al-Qaeda, e seus aliados rebeldes islamitas, segundo fontes sírias e o OSDH. Também bombardeou, embora em menor medida, grupos insurgentes apoiados pelos Estados Unidos.

A Al-Nosra, considerada um grupo terrorista também por Washington, participou neste ano junto a seus aliados de vários retrocessos importantes para o regime, enquanto o EI se concentrou em combater os grupos rebeldes rivais.

Receita para o desastre

Moscou assegura que seus ataques tem como alvo EI, Al-Nosra e “outros grupos terroristas”. Mas, ao contrário dos países ocidentais, o Kremlin considera “terrorista” qualquer grupo que lute contra Assad.

Os países ocidentais criticam a estratégia russa e insistem que os bombardeios não são dirigidos aos grupos apoiados por eles. “Desde seu ponto de vista são terroristas. É uma receita para o desastre”, disse Obama.

Segundo os serviços secretos britânicos, só 5% dos bombardeios russos são dirigidos contra os combatentes do EI e a maioria deles tiveram como alvo a oposição moderada, além de causar mortes entre os civis.

“Fica bem claro que a Rússia não está distinguindo entre o EI e os grupos da oposição síria legítima, fato pelo qual na realidade está apoiando o açougueiro Assad”, declarou o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Os Estados Unidos e seus aliados reprovam Moscou sobre seu apoio incondicional ao regime de Assad. “O problema aqui é Assad e a violência que afeta o povo sírio”, disse Obama.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país é um dos principais apoios dos rebeldes, disse que pedirá aos russo que “avaliem novamente suas operações” e os acusa de ignorar as vítimas civis.

Segundo um novo balanço do OSDH, os bombardeios causaram na quarta-feira 53 mortos, entre eles 39 civis, dos quais 8 crianças. Entre os combatentes mortos havia 12 jihadistas do EI e dois da Al-Nosra.

Na quinta-feira, os bombardeios alcançaram “um hospital de campanha” na província central de Hama e há “vários médicos feridos”, segundo a ONG.

“A ocupação russa vem para matar as crianças da Síria que não matou o criminoso Bashar”, tuitou um militante anti-regime.

Uma coalizão de países liderada pelos Estados Unidos, da qual a Rússia não participa, realiza desde setembro de 2014 ataques aéreos contra o EI, que controla a metade do território sírio.

Ig

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