João Pessoa, 04 de novembro de 2022 | --ºC / --ºC
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Entre a difusão do café no Brasil e a abertura de uma filial da Starbucks no país, há mais sementes do que essa cronista consegue contar. Com a chegada das primeiras mudas, o café transformou-se em produto base da economia tupiniquim. Mudou o ciclo econômico, afetou a política (o acordo selado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais foi denominado “política do café com leite”) e ganhou novos sabores, sendo incorporado a drinks y otras cositas más.
Apesar dessa nova roupagem, que adquiriu status cool, o café tradicional resiste. Sem essas modernidades, que fazem do café mera água suja. É pra descer queimando a língua. Nada de simpatia, superstição. É preto, forte, quente, amargo. O estereótipo desse consumidor é um homem feito, de bigode bem penteado, funcionário público, que faz uma pausa entre as burocracias para abastecer o organismo do combustível.
Na literatura, café com pão é a locomotiva do eu-lírico de Manoel Bandeira (foto) em trem de ferro. As colheres de café são instrumentos de medição da vida em poema de T. S. Elliot. A história do Brasil pode até ser contada pelas representações da sociedade cafeeira na literatura, como em Memórias Sentimentais de João Miramar. De grão em grão, se fez um país.
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