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O escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva é o criador do projeto Jogada de Música, que deu nome a quadro de programas na Rádio Globo Rio e a outros trabalhos na área cultural, e é autor dos livros “Profano Coração”, “O Negro Crepúsculo”, “Sutilezas”, “Contos da Bola” e “Cor Própria”, e das peças de teatro “Sentença de Vida” e “A Confissão”.

As mais antigas lembranças

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publicado em 20/06/2022 às 07h00
atualizado em 20/06/2022 às 04h36
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A imagem mais remota de minha infância está registrada em uma foto, o que pode ser algo bastante enganoso, pois a lembrança pode vir da fotografia em si e não do dia em que ela foi feita. De qualquer forma, ela mostra um feito histórico na televisão atrás de mim: a chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, quando eu completava 3 anos de idade. Será que foi mesmo à lua? Eu, como bom lunático, fui muitas e muitas vezes lá sem sair da Terra.

Voltando à foto, estou tapando parte da TV, fantasiado de National Kid, super-herói japonês que era o meu ídolo televisivo da época, com uma toalha, que sobreviveu por muitos e muitos anos aos meus pós-banhos, como capa; na cabeça, um capacete de plástico e acho que uma espada, se bem estou lembrado. Não tenho esta foto comigo, provavelmente minha mãe ainda a possui lá no Rio de Janeiro.

Ademais, as lembranças mais antigas que trago em minha mente são flashes daquela mesma casa em que morava, em Olaria, subúrbio da Zona da Leopoldina, no Rio: um jogo da Copa do Mundo de 1970, com meus pais e amigos deles ou parentes me ouvindo “analisar” a atuação da seleção brasileira sei lá eu contra quem, muito provavelmente antes da final contra a Itália; a bandeirinha do Flamengo que deixei cair da janela do carro do meu pai na rua por dormir no colo de minha mãe, quando saímos para ver a festança nas ruas pela conquista do tri; eu andando de velocípede na varanda daquela casa rosa; eu novamente no colo da minha mãe olhando a rua com um dedo da mão queimado besuntado de pasta de dente; a pasta de dente que minha mãe sempre deixava em minha escova para que eu pudesse fazer minha limpeza bucal quando acordasse; o fato de ela ter se esquecido uma vez e eu, sem saber o que colocar na escova, pus sabonete; o tapete cinza da sala sendo lavado na (pelo menos em minha perspectiva infantil) imensa área que ficava na parte detrás da casa; aquela casa rosa, sendo vista da rua.

Curiosamente voltei a Olaria inúmeras vezes já adulto, quando ainda morava em terras fluminenses, porém nunca soube onde ficava aquela casa, se ela havia resistido ao tempo. Fiquei de perguntar à minha mãe várias vezes, mas nunca me lembrava na hora certa, ou seja, quando ia lá. Saí do Rio no fim de junho de 2019, mas não ia a Olaria desde o fim da primeira década dos anos 2000. Entretanto, com imaginação e memória a gente viaja como e para onde quer, no tempo e no espaço. E, de forma mais “concreta”, outro dia voltei lá, naquela rua, pelo Google Maps. No entanto, a primeira casa em que morei não existe mais, outra foi construída no local.

Pena, mas as imagens que citei acima continuam em minha memória afetiva como as mais antigas que possuo. E é isso que vale para mim. E pra você, quais são as suas mais longevas e saudosas lembranças?

Visite o blog Eduardo Lamas Neiva: eduardolamas.blogspot.com

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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