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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginabotto@gmail.com

Que fim nos aguarda?

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publicado em 12/05/2022 às 18h12
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Há sempre uma incógnita para todos nós:  como chegaremos ao final de nossas vidas? O ocaso da vida gera em nós uma expectativa que nos deixa uma série de interrogações. Como será nosso fim? O que acontecerá? E a solidão que nos acompanha? Por mais que tenhamos pessoas juntos a nós, os jovens têm seus espaços e não permitem que os ocupemos e nada mais justo que isto aconteça. Eles estão no tempo deles, como nós, quando fomos jovens tivemos o nosso. Agora, será que estamos preparados para enfrentar com galhardia essa época? Ou tudo é motivo de reclamação? Não é e nem será fácil, mas estejamos abertos e adaptados às mudanças porque elas serão inevitáveis. Queiramos ou não elas acontecerão. Tudo depende de nós como encararemos a vida nesse contexto.

Estas reflexões surgiram na antessala de urgência de um hospital quando levei uma parenta para tratar de uma infecção intestinal. Permanecemos ali mais ou menos meia hora para sermos atendidas. Foi quando presenciamos um quadro desolador e comovente de uma senhorinha numa cadeira de rodas, magrinha, debilitada. Na aparência tinha uns 70 anos, mas sua faixa de idade devia corresponder a uns 50 anos.

Ao seu lado estava o filho aparentando uns 30 anos. Ela tremia muito e ficava encolhida na cadeira. Aquela situação começou a me incomodar e a minha prima; E ficamos a nos indagar. O que ela tem? Percebemos um desespero que não era de dor, de doença, mas de uma condição diferenciada que transparecia uma sensação desagradável interna, de sofrimento intenso. Ela ficava com aquele olhar expressivo de clemência para o filho e dizia todo tempo:” Samuel me tire daqui, me leve para casa”. Naquele estado de desesperança e desânimo excessivo, como se sentisse incapaz de realizar alguma coisa. Um clima desalentador, de aflição e de sensação de perda. Emocionava a todos que presenciavam aquela cena.  O filho dizia:” não mãe, eu não vou levar você pra casa, a última vez que levei você fez do que fez”.

Implorando como se estivesse suplicando. Ele continuava: “mãe faz três dias que você nem água quer beber, nem comer. A senhora está morrendo. Vou lhe deixar em cima de uma cama? Eu tenho que lhe internar, talvez num hospital psiquiátrico.” Ouvimos todos aqueles diálogos, e minha prima, como psicopedagoga, disse: “Verbena eu acho que isto é depressão”.  Constata-se que o problema era um transtorno mental. No meio daquele ambiente tenso, comovente, e diante das palavras firmes do filho, ela chama; “Samuel!  Samuel! ele diz; “O que é mãe? Expressa com a voz saída do âmago d’alma.  “Não desista de mim”. Diante do quadro naquele corredor, eu olhei para minha prima, ela chorava e eu também. Ficamos em silêncio. O episódio foi forte. Falou por si só.  Constatamos que não foram mais que oito minutos naquele local da emergência e tivemos oportunidade de vivenciar uma história de vida, sabe Deus aonde irá terminar.

Depressão é a doença da atualidade, creio que a pandemia, a solidão, os desencontros amorosos e financeiros levam e agravam a situação psicológica das pessoas que não têm como reagir diante dos problemas que parecem  maiores do que as razões que impulsionam a vida, e assim desistem de viver.

Na semana passada tive conhecimento de que uma colega do grupo da hidroginástica estava com problemas de depressão, porque, além do financeiro, sentia-se rejeitada pela família o que a estava fazendo não encontrar o sentido da vida. Achava que a morte seria solução, tomando dose excessiva de psicotrópico para se matar. Sendo a turma sabedora da situação (na quinta feira era o aniversário dela) então as colegas compraram um presente e fizeram uma pequena comemoração, juntamente com a professora. Foi colocada no som da piscina uma música de Roberto Carlos, oferecida pela mestra e suas colegas: “Como é grande meu amor por você”. Angélica, diante dos gestos da docente e das companheiras, desabou no choro. Foram abraços, beijos e declarações de amor à Angélica, que diante dos fatos, disse: “Foi o melhor aniversário que eu já tive em minha vida”. Ela tem quarenta anos. Uma ação tão simples pode transformar a vida das pessoas.

Não vou entrar nas explicações cientificas sobre o fenômeno da depressão o que já foi motivo de outras crônicas. Vou interpretar à luz factual e do empirismo. Nos dois casos verificam-se situações completamente diferentes, como são as diversas causas das depressões. Todavia, percebe-se que não é só um problema psíquico, mas físico e que tem que ser tratado como doença. A senhorinha do primeiro caso sumiu da nossa vista. Quando entrou no consultório, certamente a médica deu o encaminhamento que o caso requer. No segundo, o motivo demonstrado foi o desamor de alguém, que aparentemente foi fácil de resolver.

Uma simples comemoração de aniversário ocasionou uma transformação no humor de Angélica perante o grupo. Todavia, o problema, que para alguns é pequeno, para outros é enorme, torna-se insuperável. Chega-se à conclusão de que apesar dos casos serem diferentes, a raiz é única. O amor. A problemática resume-se na questão de amar e sentir-se amada. Quando o amor é presente em nossa vida nos deixa satisfeito.  Sem queixas não há porque relembrar o passado. Ele garantirá o presente e nos reservará um futuro feliz! Eu acredito nisto.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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