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O escritor e jornalista Eduardo Lamas é o criador do projeto Jogada de Música, que deu nome a quadro de programas na Rádio Globo Rio e a outros trabalhos na área cultural, e é autor dos livros “Profano Coração”, “O Negro Crepúsculo”, “Sutilezas”, “Contos da Bola” e “Cor Própria”, e das peças de teatro “Sentença de Vida” e “A Confissão”.

Um lugar chamado Utopia

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publicado em 09/05/2022 às 07h00
atualizado em 09/05/2022 às 10h05
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Por que toda história começa com “Era uma vez…”?

Será que foi mesmo alguma vez?

Bem, talvez a história que eu tenho para contar

não tenha sido nenhuma vez,

porque é a história de Utopia,

um lugar que só quem sonhava conhecia.

De olhos abertos ou fechados,

quem criava, imaginava, via.

Para se chegar lá, de nenhuma mágica especial precisava,

bastava pensar num mundo bonito, colorido,

que logo se fazia… magia?

Não sei, mas a Utopia chegaria!

Naquele lugar dinheiro não havia,

muito menos apostas ou

qualquer tipo de loteria;

nem brigas, lutas,

ninguém competia.

O povo era trabalhador,

mas só o que agradava é que fazia.

E sempre para todos,

nunca pensando que um dia enriqueceria.

Lá presidente, prefeito, governador não havia,

nem Senado, deputado ou vereador,

tampouco qualquer tipo de chefia.

Ninguém tinha fome em Utopia,

e por morte matada ninguém morria,

porque não havia inveja, ganância,

ciúmes, raiva ou intolerância.

Ninguém tinha nada além do que precisava,

e para ter o pão na mesa era só buscar na padaria,

e conseguir o trigo com dona Maria.

Para ter o leite era só pedir o suficiente ao Zé Vacaria,

cimento e tijolo, com o Mané Olaria.

Mas vocês podem até perguntar:

“E quando alguém adoecia?”

Não faltavam médicos, nem enfermaria.

“E quando alguém morria?”

De saudades, qualquer um choraria,

porém logo se inventava uma homenagem

na base da dança e da cantoria.

“E a cidade, de que vivia?”

De pura arte e alegria.

Os adultos trabalhavam de dia,

Para de noite dançar, ler,

contar histórias, cantar

ou recitar poesia.

Não havia prêmios, troféus

ou qualquer coisa de valia,

só aplausos e muita gritaria.

Lá, todos ganhavam, ninguém perdia.

Bolinha de gude sempre “à brinca”,

se alguém soltasse pipa, ninguém cortaria,

e o céu logo se coloriria.

Nos jogos de futebol,

o número de gols ninguém contaria,

pois a arte de jogar bola é que valia.

As ruas eram limpas,

o rio, livre, corria.

Animais, flores e gente viviam em harmonia;

o céu jamais se poluía.

Todo mundo, no fundo, era criança em Utopia,

lugar em que se realizava

aquilo que um malvado jamais sonharia:

um mundo de solidariedade e generosidade

que só lá existia.

Visite o blog Eduardo Lamas: eduardolamas.blogspot.com
E a página do autor com seus livros publicados: https://url.gratis/SFc37Q

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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