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REVELAÇÕES INÉDITAS

Da intimidade às crises: veja a 1ª entrevista de João em 2022

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publicado em 03/01/2022 às 09h38
atualizado em 03/01/2022 às 06h54
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Bastidores da entrevista do governador João Azevêdo a Heron Cid e Wallison Bezerra

Pouca gente sabe que o reservado governador da Paraíba já foi assíduo frequentador da Festa das Hortências, tradicional na década de 60, 70 e 80 no popular bairro de Cruz das Armas ou que o engenheiro João Azevêdo mantém em casa instrumentos musicais, herança dos tempos de guitarristas da banda da escola industrial. “Ainda tenho violão e teclado em casa. O que não tenho mais é o tempo”, confessa.

Menos paraibanos ainda conhecem os bastidores que a vida do governador e da família foi investigada por Ministério Público, Tribunal de Justiça, Superior Tribunal de Justiça e Polícia Federal e nem dos momentos de tensão interna no governo e no PSB no auge da Operação Calvário, e das decisões que tornaram impossível a convivência entre ele e o seu principal cabo eleitoral de 2018, o ex-governador Ricardo Coutinho (PT), alvo principal da maior investigação contra corrupção governamental na Paraíba.

O estopim? As exonerações de “algumas figuras” e a ruptura com as organizações sociais. “Hoje está comprovado o mal que essas estruturas causavam à Paraíba”, crava, para relembrar os conflitos gerados pelas decisões que “contrariaram interesses”. “Não faltou lealdade. Cada um que tive que afastar eu expliquei o motivo porque estava afastando. Foi feito olho no olho”, revelou.

Essas e outras revelações foram captadas durante uma entrevista de uma hora e doze minutos, na Granja Santana, onde mora e despacha, muitas vezes, das 8h às 21h, o governador da Paraíba. Aliás, a chamada “residência oficial” será transformada em ambiente de exposição de obras de artistas paraibanos com visitação aberta ao pública. “Esse é meu sonho e estou falando pela primeira vez”, antecipou João, na conversa com os jornalistas Heron Cid e Wallison Bezerra, da Rede Mais.

No começo do governo, João conta que resistiu a morar na Granja, e preferiu continuar em seu apartamento no bairro de Manaíra, em João Pessoa. A nova rotina do prédio com protocolos de segurança e entra e sai provocou invasão de privacidade e reclamações dos moradores. Não teve jeito.

“Essa mudança não me traz nenhuma noção de propriedade. Eu estou aqui passando uma temporada aqui por conta da minha função de governador. Eu não chamo de casa, a minha casa é o meu apartamento”, assinala, antes de sentar no banco debaixo de uma árvore em frente à residência que hoje abriga um casal; “Aqui só moram eu e minha mulher”.

Na entrevista, um outro Azevêdo, ainda desconhecido, se apresentou ao público. O amante da informática: “Comprei um dos primeiros computadores da micro digital na década de 80, o NEZ 8000, daí surgiu a paixão pela informática”. O pai e avô que não abre mão do almoço semanal com a família. “Todo sábado, filhos e netos vêm pra cá. Isso nos dá vigor”.

No meio da conversa na Granja, as melhores lembranças surgem de um outro endereço: a casa e a bodega de João Azevêdo e dona Otília, os pais, na Rua do Rio (Rua Félix Antônio, em Cruz das Armas”. Lá, confidencia Azevêdo, “as primeiras leituras do que seria a vida, os ensinamentos que influenciaram para o resto da vida”.

“Aprendi principalmente o espírito de solidariedade. Meu pai prestava serviço àquela comunidade”. Recorda, por exemplo, do dia que o pai mandou derrubar o muro da própria casa para instalar um chafariz para uso dos moradores da rua, ainda sem rede de água. “Era o terreno que a gente jogava bola. Meu pai disse: o interesse pessoal jamais pode se sobrepor ao interesse coletivo. Eu acredito nisso. E na pandemia isso foi o que mais se exigiu de todos nós. Você está no mundo com uma missão. No final das contas, isso tudo é um servir”.

Além das revelações pessoais, também a nada mole vida de gestor de um governo que enfrentou período turbulento de crises desde o princípio: a Operação Calvário, o rompimento com o PSB e a desconhecida pandemia, onde – no princípio de tudo – produziu pessoalmente relatórios estatísticos, com base nos casos da Europa, para subsidiar a Secretaria de Saúde nas medidas de enfrentamento à covid-19.

E nova crise do momento. como superar o impasse com a Polícia Militar? “Dentro do limite do Estado eu vou até o limite para atender uma categoria que nos elevou a condição de melhor segurança do Nordeste”, avisou, sobre a reunião programada para esta terça-feira (4).

Assista:

A Operação Calvário e a devassa na vida pessoal

“As pessoas imaginam que nesse tempo todo não houve investigação a minha pessoa. Claro que houve. Ministério Público, Tribunal de Justiça, Superior Tribunal de Justiça, Polícia Federal. Minha vida foi investigada durante esse tempo”.

“Onde é que eu sou sócio oculto de outra pessoa. Não é que eu sou melhor do que outra pessoa. É porque eu nunca pratiquei isso. E isso incomoda muita gente”.

“Eu sei que o passei. Eu tive minha vida e de minha família virada pelo avesso. E não encontraram nada. Por isso eu tenho a consciência tranquila. E isso incomoda muita gente”.

“Tinha tudo para ser um governo extremamente tranquilo em função da nossa vitória (no primeiro turno”, entretanto, a própria Operação Calvário gerou um começo de governo extremamente difícil. Tivemos que tomar decisões muito duras. Se não fossem tomadas, você teria o desandar daquele governo”.

“Não faltou lealdade. Cada um que tive que afastar eu expliquei o motivo porque estava afastando. Foi feito olho no olho. Estão aqui os motivos”.

A Granja Santana

“Sonho abrir a Granja para exposição de grandes obras artísticas e para visitação do público. (…) Até para desmistificar essa coisa de residência oficial. Aqui só tem eu e minha mulher. Isso aqui mais do que tudo meu ambiente de trabalho. Passo 80% do tempo da minha produção neste gabinete”.

“Ah se o problema da Paraíba fosse a manutenção da Granja”.

Paixões 

“Sou muito afeito a tecnologia, informática, dados”.

“Comprei um dos primeiros computadores da micro digital na década de 80. NEZ 8000, daí surgiu a paixão pela informática”

“Eu não abro mão do almoço com minha família. Todo sábado, filhos e netos vêm pra cá. Isso nos dá vigor.

Revelações pessoais

“Tive que fazer um regime na pandemia para cuidar da saúde (perdeu 13 quilos). A gente fica protelando isso para depois. Mas termina chegando num ponto que o joelho começa a pedir cuidados”.

O desafio da pandemia

“Também tivemos decisões terríveis que exigiam ser tomadas. Tivemos noites sem dormir. Talvez poucos imaginem a dificuldade de um governante de fechar segmentos econômicos. A mim proteger a população primeiramente. E foi graças as medidas que tomamos nós conseguimos, naquele momento, eram as armas que tínhamos, e nós usamos”.

“Eu montei diversos cenários e simulações de acordo com o que estava acontecendo na Europa e eu projetava para a Paraíba as estimativas de casos e óbitos. E mostrava diariamente à Secretaria de Saúde o que poderia acontecer na Paraíba. Me cabia não permitir que jamais faltasse um leito para um paraibano. Eu sempre trabalhava com um número maior”.

Impasse com a Polícia Militar

“Se houver necessidade de algum ajuste, eu vou fazer. Mas temos que entender os limites do governo. Dentro dos limites legais eu estou disposto a ir ao limite para atender a uma categoria que nos deu a condição da melhor segurança do Nordeste”.

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