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Clara Velloso Borges é poeta, escritora e professora de Literatura, com graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba. É também concluinte do bacharelado em Direito. E-mail: claravellosob@gmail.com

Quando um livro se esgota?

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publicado em 17/09/2021 às 07h41
atualizado em 17/09/2021 às 04h42
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Nos últimos dias, o livro Código de Machado de Assis vem sendo divulgado por nomes de peso, como o ministro Luis Roberto Barroso. A obra se propõe a analisar o texto literário sob a ótica jurídica, considerando expressões típicas do ofício e analisando os personagens machadianos que trabalham com o sistema de justiça. O advogado e jornalista Miguel Matos, autor do Código, não se limita a mapear o Direito na obra de Assis, porque tem também a ambição de sanar a mais discutida questão da Literatura tupiniquim.

Para o autor, há uma prova jurídica, o uso da expressão “embargos de terceiros”, que comprova: sim, Capitu traiu Bentinho.

Controvérsias à parte, a reverberação da detalhada interpretação jurídica de Dom Casmurro leva ao questionamento: quando um livro se esgota? Diante da magnitude literária de Machado de Assis, há quem acredite já ter sido dito tudo que cabia sobre o autor; nenhuma outra ideia ou interpretação terá o brilho de uma novidade. Assis já foi analisado sob a luz de teorias filosóficas, geográficas, de gênero e psicanalíticas. No campo da Literatura Comparada, ao menos nos estudos feitos no Brasil, livros de boa parte do globo terrestre já foram contrastados com os textos do Bruxo do Cosme Velho.

No exterior, mesmo em meio acadêmico, Assis ainda não se destaca como sua pena merece. São poucos os críticos, como Harold Bloom, que consideram Machado um dos maiores ficcionistas da Literatura mundial.

Também são poucos os artistas estrangeiros, como o polêmico diretor Woody Allen, que leram Assis. Para Allen, aliás, a Literatura machadiana não é meramente conhecida. Memórias Póstumas de Brás Cubas figura entre suas cinco leituras preferidas da vida.

Com as barreiras linguísticas quebradas por traduções bem trabalhadas, é hora de Machado ser mais valorizado a nível internacional. Em 2020, a editora Penguin Books lançou uma nova tradução de Memórias Póstumas de Brás Cubas, esgotada em apenas um dia nos Estados Unidos. Portanto, talvez já se tenha falado muito sobre o autor no Brasil, mas o resto do mundo ainda há de comentar sobre o Bruxo do Cosme Velho. Ou, nos moldes daquela recente interpretação, o Juiz do Cosme Velho.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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