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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginarodriguez@uol.com.br

Para onde o destino nos levou…

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publicado em 14/09/2021 às 17h01
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Quando nascemos não se sabe o que nos reserva o futuro. Nada é determinado nem muito menos antecipado o que está por vir e o que nos aguarda. Dizemos assim: “o futuro a Deus pertence”. Todavia, durante a vida somos levados a uma sucessão inevitável de acontecimentos que não se consegue evitar. Fala-se da fatalidade a que muitas pessoas estão sujeitas e às vezes é atribuída ao destino.

Quando se diz assim entende-se como um fenômeno imponderável, inquestionável que não se pode avaliar. Há um entendimento de que se obedece a uma determinação cósmica e divina a que não se pode fugir. “Está traçado”. Não é planejado nem previsto e muito menos avaliado. Concebe-se que ao nascer existe um plano emanado por forças sobrenaturais que guia os passos da vida das pessoas. E tem um fundo de verdade ao delinear a linha do tempo quando se para e pergunta: Como cheguei até aqui?  Claro que cada um tem sua história e sabe como foi construída, no entanto, a evolução dos fatos vai nos conduzindo sem sabermos onde iremos chegar.

A pandemia é um fenômeno sanitário do mundo pós-moderno que abalou o planeta e causou muitas mortes pela COVID 19. É um desses fenômenos de que não temos explicações. Trouxe um estado de insegurança, fragilidade, ansiedade, causando-nos a sensação de impotência diante de uma hecatombe que caiu sobre nós em que a arma para combate-la era moldar nosso comportamento às restrições dos relacionamentos sociais. Um caso inédito, sem cometermos crime algum fomos condenados a ficar trancados em nossas próprias casas. O que isso resultou?  Esse momento que estamos vivenciando, discricionário, foi muito doloroso, mas no meio de tanto sofrimento surge inusitadamente uma coisa boa. O reencontro com amigas que foram companheiras de colégio de há muito tempo, proporcionado pela internet que torna o mundo pequeno e o tempo imediato do aqui e agora.

Germana foi minha colega no 2º Grau do Colégio das Lourdinas, concluído em 1963. Contou: “fez seu curso primário na Escola de Dona Tércia, Concita e Daluz. Eram irmãs e professoras, sentiam-se orgulhosas dos seus alunos. Quando se formavam eram convidados para servirem de modelo aos outros, demonstrando que a Escola ministrava bom ensino e boa educação e os levava ao êxito. As docentes eram severas, enérgicas e amigas de sua mãe. Qualquer traquinagem redundava em castigo no quarto escuro, o que me deixava com medo e obediente. Escapei desse, mas levava reguadas na mão esquerda para escrever com a direita. Isto me dava susto. Até hoje escrevo com a direita, mas o resto tudo faço com a esquerda. De vez em quando íamos, eu e minha mãe, visitá-las. Recebiam-nos muito bem, amáveis, com mesas de tolhas da Ilha da Madeira, lindas! Os filhos delas eram maiores, os vi apenas ao adentrar à casa. Conheci na casa delas o Governador João Agripino que era casado com Dona Lourdes, uma das suas irmãs. Fiz o ensino médio (colegial Clássico) no Colégio Nossa Senhora de Lourdes”.

Após o termino do colegial cada uma seguiu seu caminho. Germana, muito estudiosa, logrou êxito no vestibular ingressando no Curso de Filosofia e Letras da UFPB, concluindo-o aos vinte e dois anos. Após dois meses de formada teve sua primeira experiência como docente nos colégios estaduais do Roger e Cabedelo, emprego dado pelo governador da época. Complementava suas atividades dando cursos para o Clube de mães e adolescentes, mantido das Associação de Voluntárias, vinculada à Igreja N. S. de Lourdes, situada na Rua das Trincheiras. A ministração dos cursos baseava-se na técnica metodológica de problematização. Ela encarregava-se de escrever perguntas para mães e adolescentes, as quais orientavam didaticamente os conteúdos das aulas, tornadas dinâmicas e movimentadas, o que despertava o interesse dos participantes.

Após dois anos atuando no magistério, iniciou estudos para prestar concurso na disciplina educação moral e cívica ingressando na UFPB. Durante esse período, conheceu seu esposo, recém chegado da Alemanha, que veio prestar orientação técnica na fábrica originalmente chamada de Cimento Portland, Gunter Link, engenheiro especialista em máquinas e diretor da Siemens. A fábrica foi fundada, na Paraíba, no século XIX, sendo a primeira no gênero na América Latina, localizada na ilha de Tiriri na cidade de Santa Rita, hoje chamada Ilha do Bispo, região metropolitana de João Pessoa. (MEDEIROS, Alysson, 2020). Esta fabrica pertenceu ao grupo da família Matarazzo.

Diz: “Foi tempo muito bonito do nosso namoro e noivado. Isto levou o espaço de dois anos pois Gunther só falava inglês, eu só falava uns 80% e era interessante, ele tratava de ensinar o alemão e eu de ensinar o português. Isto por dois anos, quando terminou o trabalho aqui em Joao Pessoa. Temia casar e enfrentar um país desconhecido pois tinha muito apego à família”. Casaram dia 06 de outubro de 1971, no civil, e, dia 7, no religioso. A intenção era passar dois anos no exterior. Viajaram à Alemanha em fevereiro de 1972. Tinha 26 anos, na pujança de sua juventude, com sonhos e fantasias acalentados no seu coração e coragem para enfrentar o futuro que lhe aguardava. Chegaram em pleno inverno, com muita neve, o que a fez ficar extasiada com aquela paisagem e com tudo que via, nunca tinha visto a neve e tudo era uma novidade. O seu mundo mudou.

Era destinto do que conhecia: hábitos, costumes, clima, cultura e alimentação. Foi aos poucos adaptando-se e incorporando-os também ao seu dia a dia. Ao chegarem, Gunter apresentou-se à empresa que desejou que fosse prestar assistência técnica de urgência em Salvador-Ba por seis meses. Explicou que agora estava casado e que sua esposa teria que acompanhá-lo. A empresa não concordou, então decidiu sair da companhia. Nesse momento, ela já dominava por completo o idioma alemão. Surgiu um trabalho na Suiça que apresentou melhor situação, diferente da Siemens que fazia muito rodizio renovando as fábricas. Esta nova empresa apresentou proposta com maior tempo. A ida a Suiça tinha por objetivo prepará-lo para sua ida ao México, o que os deixou contentes pois desejávam conhecer o México.

Passaram três meses na Suiça. Fala: “Foram dias maravilhosos, visitamos várias cidades circunvizinhas e encantava-me a vegetação, os lagos e as peculiaridades de cada local. Vivi um conto de fadas. Deixava-me sempre a sensação que estava sonhando”. Ao término do estágio tiveram um mês livre, o que proporcionou oportunidade de passeios e programas fantásticos. Nesse período encontrávamos de sobreaviso que Gunter iria para uma missão de dois meses no Canadá, afim de complementar a formação iniciada na Suiça. Nessa viagem fiquei no Brasil esperando a nossa ida para o México. Nesse tempo tive oportunidade de assistir o casamento de uma sobrinha querida. Completados os dois meses viajamos para o México. Lá residiram em Orizaba que fica a duas horas e meia da cidade México City. Fala: “A cidade é pequena, porém sua gente é muito amável, alegre e hospitaleira como constatei em todo povo mexicano. Era tempo de Copa do Mundo de football, realizada aí e que o Brasil ganhou da Itália”. Seu marido ocupava-se do trabalho que era intenso, pois toda a fábrica deveria ser renovada. Ocupou o tempo com as amizades que subdividiam em três grupos; um de jogo de canastra, outro que tratava de gastronomia e outro de modas.  Assim levava a vida de maneira prazerosa.

Os fins de semana tiravam para viajar à cidades que se situavam nas cercanias. Foram dias inesquecíveis. A cada quinze dias ia a cidade do Mexico fazer compras e conhecer as belezas da cidade. Centros comerciais, mercados e artesanatos, com suas pratas e porcelanas, vidros soprados, coisas bem diferentes, vestimentas cafetas lindíssimas que chamava atenção e fascinava. Durante a viagem, parava em Córdoba, cidade que fica entre o México e Orizaba a fim de tomar suco de frutas, que se convertia em um coquetel de várias frutas, gostosíssimo, diz: “como esse nunca tomei em outro lugar.  Outro passeio que gostava era de ir à cidade de Vera Cruz, onde tomávamos banho de mar e à noite íamos a uma praia muito bonita, jantar, e escutar os mariachis. Isto tudo deixava o clima romântico e convidativo”. Quando tudo se estabilizou programaram ter filho e nasceu Caroline com 4 k, aí em 1975, de uma gravidez normal e parto tranquilo. Durante essa fase alimentava-me bem, com as iguarias típicas, de tapas feitas de farinha de milho, pescados e crustáceos mexicanas; achava-as saborosas. Nessa ocasião, contou com o apoio das amigas dos grupos que frequentava. Recebeu tanto carinho e aconchego do povo mexicano que considera o México sua segunda pátria. Caroline foi criança sadia, sem problemas e passou sua infância nesse ambiente amigo, onde cresceu e se desenvolveu.

Passaram no México seis anos e meio. Na saída foi homenageada pelas amigas dos três grupos com festas de despedidas. Quando no dia da partida organizaram um cortejo que a acompanhou debaixo de muito choro e lamentos até a saída da cidade. O esposo a consolava dizendo que iriam voltar para revê-los logo que pudessem. Fala: “é lindo para recordar, mas a separação doía muito, e as lágrimas rolavam aos prantos. Sofrimento como este pior aconteceu comigo quando tinha dez anos e perdi meu pai, que parecia que a vida tinha acabado e passei dois anos para me recuperar. Este segundo, quebrava os laços das amizades construídas de anos, ficavam para trás aquelas pessoas generosas que tão bem preencheram meus momentos de solidão, distante da família, confortavam-me com gestos e carinho de suas amizades, tornando-os mais amenos e inesquecíveis. Ainda hoje mantenho correspondências com aquelas amigas”.

Do México, a empresa transferiu seu esposo para o Peru, onde permaneceram três anos e seis meses. Sua filha Caroline chegou com 1 ano e 8 meses e logo adentrou a um colégio alemão no jardim da infância e iniciou seu processo de socialização. Na chegada foram recebidos carinhosamente pelos peruanos que os classifica de “amáveis e muito servis o que me chamou atenção e que até hoje guardo em minha memória e no meu coração, com todo carinho. Nunca os esqueci”. Acrescenta: “Não gostei do clima que se constitui como um dos mais atípicos do mundo. Ele é desértico. Há registro de vinte anos sem chuva em Lima, o céu sempre cinza e nublado. Isso fazia me desidratar”.

Há projetos arrojados de irrigação, a água utilizada provém do rio Rímac que é alimentado pelo derretimento das geleiras existentes. “Ao acordar debruçava-se na janela e distraia-me vendo as crianças irem para escola com uniformes cinzas, aí juntava o cinza da farda das crianças e do céu, batia aquele desanimo e tristeza” …. Germana apesar de levar a vida viajando, o que lhe causava prazer, às vezes parava no interior de sua intimidade, que alimentava o segredo privado de sua solidão, pois foi o caminho escolhido e deliberado por ela; muito pouco verde se via, apreciava o mar que tocava o horizonte, a paisagem linda do por sol, a vida dos transeuntes e se via tão distante dos familiares que os amava e o dia amanhecia, iniciava-se e continuava a vida como antes. O país tem muita história, a cidade baixa é bonita. Voltei há cinco anos a Lima e encontrei-a totalmente transformada com relação a minha estada anterior. Hoje, com bastante vegetação e uma vida intelectual mais ativa, com museus e a valorização da cultura indígena.

Na época que vivi lá tudo era baratíssimo com relação a moeda real e mais ainda a da Alemanha. Centros comerciais modernos, bons restaurantes típicos e internacionais, mercados de frutas com imensa variedade de especiarias, que você encontra em todo o mundo. Havia mais de 100 espécies de batatas. Diz: “aprendi fazer uma receita que é rápida: cozinha a batata e deixa ficar ainda dura, faz em rodelas e cobre cada uma com uma fatia de maçã e por cima uma pequena fatia de bacon e um queijo a gosto, coloca no forno para gratinar. Uma delícia como entrada do almoço ou jantar. Há uma bebida típica a base de milho chamada morado, que é fermentada, chicha morado, produzida pelos povos indígenas da Cordilheira dos Andes e da América Latina, advinda da cultura inca. Com esse milho, morado, fazem uma sobremesa deliciosa.

Existe ainda a comida típica que se faz com o pescado ceviche com suco de limão, bastante cebola e deixa por vinte minutos, mexe-se e está pronto. O limão tem a propriedade de cozinhá-lo. Há passeios turísticos maravilhosos aos sítios arqueológicos, e a cidade de Machu Piccho, como sobrevoar e observar as figuras gigantes talhadas nas pedras que impressionam e, segundo informações, eram indicações para aterrisagem de espaçonaves de outros planetas. Passamos no Peru tempo agradável, com o inconveniente do clima, onde o sol de verão só aparece durante os meses fevereiro e março”. Depois desse tempo no Peru seu esposo recebe outra missão da empresa para trabalhar no Equador. Deram-lhe dois meses de férias que usufruíram um mês na Alemanha e outro mês no Brasil.

No Equador, morou em Guayaquil, cidade portuária conhecida como uma porta de entrada para as praias do pacifico e para as Ilhas do Galápagos. A empresa ofereceu a opção a seu esposo que podia permanecer ali, até quando desejasse, moraram 25 anos. O país é pequeno, com diversidades climáticas, na zona de serra faz frio, com paisagens lindas como se observa nas cidades de Cuenca, Ambato e Quito, a capital. No oriente encontra-se clima tropical como Galápagos. Vários pontos de ecoturísmo e turismo de aventura com doses de adrenalina de raras belezas. Guayaquil é a cidade considerada o centro financeiro do país, onde o dinheiro movimenta-se. Sua gente sabe ser amável e hospitaleira. Expressa:” construí um grupo de amizades que ainda hoje conservo e comunico-me com as pessoas de lá. Um grupo maravilhoso. Sempre nos reunimos todas as quintas feiras fazendo rodizio na casa de uma do grupo.

Tenho agradáveis e lindas lembranças do tempo que vivi lá que nunca esqueci. Tinha uma linda residência, perto de Montañita região de rica vegetação e paisagens exuberantes. Na viagem que se faz na sua direção pode-se descortinar as praias paradisíacas do Equador. Nessa região as praias possuem altas ondas próprias para o surf, esporte que atrai os jovens europeus, que buscam aventuras e a prática desse laser, convertendo-se num ambiente internacional com bons restaurantes e casas de shows, tornando o lugar bem frequentado e movimentado. Ao se aposentar, ficaram entre os três países: Equador, Alemanha onde ficavam dois meses e o Brasil que ficávamos quatro meses. Era uma maravilha, todavia, com a idade avançando, saíram do Equador, em 2012, voltando para a Alemanha.

Hoje mora na Alemanha na cidade de Uberlingen Deutschand, cercada de lagos. Lugar maravilhoso e idílico, mas com poucos dias de sol, e mais chuva e neblina. Acrescenta: “as estações do ano são bem definidas: o inverno muito frio, quando tudo está branco é belíssimo, mas quando a neve começa a desaparecer não me agrada muito. Não aprendi a esquiar, que é diversão do povo daqui que ama ir as cidades com muita neve para esquiar. O outono é lindo com um colorido de folhas, fantástico. Na primavera, transborda de flores de todas qualidades e matizes, é um fenômeno fascinante, um encanto para os olhos, a temperatura sobe e no verão é muito calor. Cada uma com suas especificidades e divertimentos. Quando o astro rei aparece enche de alegria a todos, o verde é profuso e surge em abundância nas flores viçosas em variedade e cores, surgem os jogos infantis. Há aqui um grande evento, o Landes Garten Schow, que atrai gente de toda Europa para conhece-lo. É uma tradição que surgiu na Baviera. Na tradução literal, o Biergarten é o “jardim da cerveja”, uma celebração imperdível para quem visita a Alemanha. São espaços públicos convidativos ao ar livre, informais, com mesas compartilhadas ou não, que aliam cerveja e boa gastronomia, oportunizando congregar famílias para brindar a vida com amigos ou até desconhecidos. A boa energia do Biergarten é contagiante, está presente nos restaurantes, cervejarias, e em grandes eventos anuais como a Oktoberfest. Tem como principal item, na comida, a cerveja, mas pode-se encontrar à venda vinho, chá, bolo e outras gostosuras. Um detalhe: as mesas que tiverem toalha demarcam que naquele local do Biergarten é preciso comprar a cerveja e a comida”.

Expõe Germana que a cultura alemã é militar porque primam pela organização e disciplina. Tudo tem hora certa e tem seu lugar. Por viver na Europa facilitava as viagens, que foram muitas, com destaque a da Rússia. Adianta: “foi a que mais me encantou ver sua beleza, o palácio do governo, a Praça Vermelha, suas cúpulas, as igrejas fascinantes, é como se agente estivesse em um conto de fadas. San Pittsburgh é uma maravilha. Fomos três vezes às Ilhas Canárias, ao norte, mas, a que mais gostei foi a região do Sul, além de outras viagens.

A filha está casada, reside em Penzberg, tem 2 filhos adolescentes. O Alexandre e o Andreas, inteligentes, chamam atenção. Na intimidade usam o diminutivo de Alex e o menor Andi.

O esposo há algum tempo vem lutando com problemas de saúde, teve um aneurisma cerebral que quase o levou a óbito, passou quatro meses numa clínica de reabilitação. Contou Germana: “Tem um câncer, não pode tratar mais com quimio, o médico disse-me que ia usar imunoterapia e graças a Deus apresentou melhoras, pois o câncer paralisou. Hoje está controlado. Passou por 4 cirurgias e está 70% recuperado, mas segue com muitas sessões de fisioterapia, massagem e visitas médicas. Todo mês faz a imunoterapia esperando que apareça o medicamento correto para seu tipo de câncer e poder exterminá-lo completamente. Agora, já saímos a passear um pouco e ele se sente melhor que a um ano atras, que foi muito sofrido. Ao vê-lo agora, sei que Deus realizou um milagre em nossa vida. Estamos muito contentes e esperançosos na evolução da medicina para curá-lo totalmente. Caminhamos todos os dias e a vida vai seguindo…”

Percebe-se, nos relatos da vivência do casal, principalmente nesses momentos difíceis e sofridos, que a assistência e a dedicação incansável de Germana foi determinante para o restabelecimento de Gunter. Constata-se que mais uma vez o amor e a fé em Deus, são as forças motrizes para influenciar a cura das pessoas. O sentimento do amor revelado por gestos de carinho são imprescindíveis para aumentar nossa autoestima e encontrar a razão de viver. Tenho certeza que Gunter experimenta esse sentimento.

Posso imaginar quão guerreira e vitoriosa é nossa amiga Germana que, em outras plagas, distante, embora tendo amigos e a filha a cerca-la, necessita de um apoio e aconchego de vozes amigas. Pena que nos encontramos longe, o que torna impossível. Percebe-se que sublima e esconde a saudade dos familiares e amigas e a vontade de tê-las por perto. Internaliza e guarda o que vai no íntimo do seu interior solitário e o mantém resguardado de Gunter que necessita senti-la inteira junto a ele. Lembra quando, com saúde, também a proporcionou e compartilhou momentos inusitados de felicidade que serão eternizados em sua vida. Agora é ter paciência para que Deus possa fazer voltar tudo à normalidade.

Ao formar o grupo de Lourdinas 1963 no WhatsApp, loco de encontro das velhas amigas e companheiras de estudo, Germana exclama: “voltei no tempo trazendo muitas saudades, revendo as fotos que relembram os momentos felizes em que estivemos juntas durante nossa juventude, horas de laser e datas comemorativas que marcaram nossas vidas e ficaram gravadas e são inesquecíveis.  No grupo, cada colega, hoje mais amiga que colega se pronuncia. Vânia: “que bom encontrar vocês nas estradas da vida! É, literalmente, ver o tempo passar e dizer a ele que não tenho pressa. Vida que segue”.  Wolma, Eliete, Lucinha, Ana Maria, Ana Lúcia, Valmira são as que mais se falam entre si, trocam fotos, acontecimentos e recordações passadas que marcaram suas vidas. Cleinha e Germana: “vocês me fizeram mergulhar no passado e recordar o grupo de amigos dos nossos pais, todos homens de palavra e íntegros, e nós, as filhas, aprendemos ser honestas e íntegras pelo exemplo recebido. Que tempo maravilhoso em que sentíamos segurança e felicidade por viver no meio de pessoas educadas e dedicadas a fazer algo para a sociedade, sua cidade e seu país”.

Faz mais de três anos que Germana não vem a João Pessoa por recomendação médica, já que Gunter não pode viajar, isto desde 2018. Está ansiosa para que logo Gunter recupere-se e possa vir ao Brasil. Pela história da linha do tempo de Germana verifica-se que é uma mulher extraordinária e realizada como esposa e mãe de família exemplar. Por onde passou criou laços e fez recortes que foram momentos únicos e bem construídos no compartilhar das alegrias e preocupações, que em várias ocasiões, mesmo longe dos entes queridos, sentiu-se ancorada e ajudada a construir, com certeza, sua história. Esses recortes quando descolados e lembrados dão calor em sua alma e mostram que valeu a pena a trajetória percorrida. Fez amizades, ensinou e aprendeu nos países onde viveu, incorporou a gastronomia, suas práticas, costumes e culturas. Germana, olhando para o passado, fica a mirar extasiada e às vezes sem acreditar. Para onde o destino nos levou….

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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