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Graduado em Jornalismo, Yago Fernandes é um “pitaqueiro” sobre a vida, relações humanas e um apaixonado pela comunicação. É mestre de cerimônias e tem experiência com palestras e oficinas de Oratória. Atualmente, também é assessor de comunicação.

A cada um segundo as suas obras

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publicado em 28/06/2021 às 12h08
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Já tem algum tempo. Guardei comigo certo artigo de opinião que tratava da situação carcerária do país. O texto, em seu subtítulo, diz o seguinte: “Alguém aí sentiu uma diminuição da violência, já que mandamos muito mais pessoas para trás das grades do que 20 anos atrás?”. Confesso que não fui adiante na leitura. Mas, antes de comentar o motivo de não ter me debruçado no tema em questão, preciso dar umas voltas, leitor/a. Já explico.

Malgrado todos os problemas que passamos, ninguém nunca nos tolheu o direito de estudar e trabalhar. Ninguém. O sujeito com vergonha na cara levanta-se da cama e vai à escola/faculdade. O outro, que quer ganhar dinheiro trabalhando, consegue. Fácil? Não é. Mas consegue. Outra coisa: “A cada um segundo as suas obras.” Com certeza já lestes ou ouvistes tal frase por aí. É bíblica. E há quem diga que não podemos refutar o significado dela. – “Ah, Yago, que conversa mais chata. Não estou entendendo nada.” Vamos adiante, então.

Estou dizendo tudo isso para comentar das penitenciárias… que estão lotadas. E não adianta você que me lê suspirar ou achar antipático tudo isso. É preciso enfrentar o dilema. Ficamos sabendo que a população carcerária da Paraíba aumentou 54% em nove anos, e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registra superlotação. E para muitos desinformados – não os quero chamar de tapados – a solução é a ressocialização dos presos.

Ocorre, todavia, que os governos estaduais não querem construir penitenciárias, pois não é simpático, nem eleitoral. O Brasil tem 8.516.000 km² de extensão. Por que não instalam penitenciárias na floresta amazônica (foto)? Não, não estou brincando. – “Mas o detento não pode ficar longe da família.” Tinha que ter pensado nisso antes. De um lado, ele tem a escola e o mercado de trabalho, do outro, tem a cadeia. Ele escolheu a cadeia. Ninguém é preso por roubo famélico, mas sim, pela opção do caminho mais curto, para chegar a uma vantagem ilícita de qualquer sorte. Ora bolas! E aí querem a ressocialização e os Direitos Humanos? Nem a pau, Juvenal!

O cara foi para cadeia… que pague pelos seus atos. Ninguém o obrigou a estar ali. A chamada “ressocialização”, já disse, não serve para nada. Em psicologia há “Compulsão à Repetição”. O sujeito, na fase adulta, vai se repetir nos atos diante de tudo aquilo que lhe foi passado na primeira infância. E o “Período de Molde”, segundo Freud, é do 0 aos 5 anos… isto é, educa-se a criança nesse tempo. O caráter é formado nessa fase de sua vida. Depois, o indivíduo se repetirá naquilo que aprendeu. É isso. Não adianta vir querer educar um barbudo aos 30 anos.

Então digo ao amigo que escreveu o artigo de opinião – aquele que citei no início dessa conversa – que se “mandamos” muito mais pessoas para trás das grades hoje, motivo há. Há 20 anos as coisas eram bem diferentes, compadre.

Enfim… precisamos de reformatórios. Sim, reformatórios. No penitenciário deve haver disciplina. Na cadeia, ele vai trabalhar, estudar e produzir tudo aquilo que é salutar à vida. Trabalho! Chumbo grosso mesmo! Nada de regalias… Mas isso, infelizmente, está longe de todos os cenários das prisões. Não temos uma política pública que enfatize o trabalho nas penitenciárias. É preciso que os gestores (governadores, presidentes…) façam a diferença no sistema carcerário do país. Só assim, com trabalho, o preso vai amenizar sua pena e, quem sabe, sair da prisão. Ou, teremos de ouvir muito a história da “superlotação”… Ué, querem conforto? Não faça por onde ir à cadeia.

Crentes em Deus

Ainda no contexto do assunto aí em cima, lembro-me de uma pesquisa onde os americanos fizeram. Olhe que curioso: eles entrevistaram presidiários da “pesada”, nos piores e maiores regimes dos Estados Unidos. Bandidos crudelíssimos… e sabem o que todos tinham em comum? Eram crentes em Deus! Que maravilha! Pode isso? Claro que sim… a hipocrisia, mais uma vez, é tamanha. Não havia um ateu sequer no meio dos fervorosos. Eu, pelo menos, não conheço um ateu bandido. E aliás, tenho grandes colegas descrentes da divindade celestial. E acreditem… são as melhores pessoas que já conheci. Inteligentes e sensíveis. Então, não é de religião que precisamos, mas de vergonha na cara e punição aos “crentes”.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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