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A professora Erika Marques, Reitora do Centro Universitário Uniesp, é doutoranda em Psicologia Social e mestre em Desenvolvimento Humano pela UFPB, tem MBA em Gestão Universitária pela Georgetown College e é especialista em Planejamento, Implementação e Gestão em Educação à Distância. Sempre atuou na gestão do ensino superior em âmbito nacional, passando inclusive pela UNISA em SP e em outras instituições de relevância como consultora.

Somos livres?

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publicado em 14/04/2021 às 07h13
atualizado em 14/04/2021 às 14h16
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Liberdade é o direito de expressar qualquer opinião, agir como quiser; é independência; ter licença ou permissão; é também, a condição de não ser prisioneiro ou escravo, de acordo com o dicionário Houaiss. De início, já vemos duas grandes expressões da liberdade e suas vertentes: o ser livre fisicamente e de comportamentos, além do ser livre de expressão, opinião e valores.

Mesmo a liberdade individual, é exercida em sociedade e submetida a regras, Carlos Drummond reflete bem esse pensamento em seu poema “Liberdade” quando diz que para se ser livre, bem livre, só estando morto. Encontramos esse sentido quando lembramos que a nossa liberdade termina quando começa o espaço do outro.

Com o advento da pandemia, pudemos sentir, literalmente, a falta dessa tal liberdade. Afinal ninguém nasceu para estar preso ou confinado. Tanto, que a falta de liberdade é uma das formas mais comuns de castigo em nossa sociedade, que se repete historicamente em quase todas as culturas.

Se alguém faz algo contra as regras estabelecidas, sua liberdade pode ser capturada, desde o castigo de mãe até a pena privativa de liberdade. Mas nem sempre precisamos ter culpa para termos a nossa liberdade tolhida, no caso da pandemia, ela foi suprimida de todos, culpados e inocentes, que experimentaram o efeito literal do pássaro engaiolado, mesmo sem ter feito nada de errado.

Sempre brinquei dizendo que a energia (luz) em casa, só damos valor quando falta, porque já faz parte da rotina, mas nunca me vi em uma situação de pensar isso dá liberdade. Nesses tempos de pandemia, sair de casa e sentir o vento no rosto tomou o lugar na lista dos desejos mais esperados por todos, da mesma forma que o abraço, o exercício do direito de ir e vir, de sermos livres.

Ao contraponto da liberdade física, temos a liberdade de expressão, de posicionamento, de lutas e valores. Com a situação da evolução e amplitude do remoto e da tecnologia, personificadas por meio das redes sociais, o exercício do ser livre passou a ser praticado sem a métrica do início desse texto, quando dissemos que a minha liberdade termina onde começa a do outro. Como as relações são controladas seletivamente nas redes sociais, podemos dizer que o modelo exercido é aquele que eu distribuo o que quero, invado espaços de maneira voluntária e com livre-arbítrio, mas seleciono apenas aquilo que me interessa.

Com a modernidade e as novas formas de relacionamento social, podemos dizer que cada vez mais vivemos uma coletividade individualista, na qual eu sou para o outro aquilo que quero ser sem medidas, mas com uma régua distinta, meço e seleciono apenas o que me convém. E assim alguns na ânsia de serem livres, ficam cada vez mais aprisionados e isolados em suas próprias convicções, sem se permitirem ao contraditório.

A vida é feita de escolhas e a liberdade nos traz consequências. O ir e vir, o pensar e agir, optar, decidir, tudo isso nos traz sucessos e fracassos ao longo da vida. E parafraseando a canção “o que é que vou fazer com essa tal liberdade…”, digo com todas as letras: essa parte é com você!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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