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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginabotto@gmail.com

Reencontro

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publicado em 26/03/2021 às 16h38
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Nesse tempo de pandemia, em que nos sentimos frágeis, ansiosas, com medo, a sensação de perigo é iminente e o pior, não se sabe o que nos causa esse fenômeno, criando um clima de insegurança e pavor. O causador? Não sabemos. O vírus é invisível. Tudo nos faz sentir que ele existe, pelos danos que causa. Há dias que amanhecemos bem dispostos e com a alegria de viver: mas há outros em que, diante de tantas notícias tristes por perdas de entes queridos, amigos e outros doentes, hospitalizados, nos deixam desolados. Estamos em uma batalha sem ver o inimigo. Essa situação nos causa desconforto e incertezas de nossa vitória. Diante do contexto e da impotência que se nos apresenta, seja pessoal, política e científica, só um caminho nos resta a recorrer ¬- Deus. Para Deus não há necessidade de explicar o que para nós é inexplicável. Passamos por momento único.
Num ambiente hostil e constrangedor, como já citamos, surge um fato inesperado: o encontro com nossa turma do curso de 2º grau do Colégio Nossa Senhora de Lourdes (1963). Recebemos o convite de nossa colega e amiga Ana Maria Carvalho para adentrar ao grupo que outras colegas estavam formando, intitulado Turma 1963, no watsap. Dizia ela: é uma oportunidade de bater papo e trocar ideias. De pronto aceitamos. Foi algo dos mais prazerosos que aconteceu, nos últimos tempos. Poder rever as colegas, mesmo sendo de forma virtual. Estamos usufruindo da tecnologia moderna cibernética, a internet, que nos dá chance de viver essa realidade virtual. Quando se fala em virtual parece que estamos tratando de mistério e de irreal; pelo contrário, o virtual não se opõe ao real, é o aqui e o agora, sem escolher lugar e tempo, consolidado num só momento – o virtual; O mundo torna-se pequeno, não existe limite de territorialidade e o tempo inexiste. O que nos permite conversar com pessoas de longínquos países e lugares, tornando os momentos cheios de emoção e sentimento, tão verdadeiros e únicos.
Resgata-se o tempo perdido em que estivemos distantes. Restabelecem-se as relações anteriores, do tempo de nossa formatura, quando cada uma seguiu seu destino, e não mais nos vimos. Tornamo-nos profissionais de diversas categorias. Construímos nossas famílias. Todos têm uma história que foi elaborada ao longo da vida. Uma caminhada para contar. Nas nossas conversas vamos sabendo dos fatos e acontecimentos ocorridos. Umas já partiram e não estão mais entre nós.
Foi uma beleza reencontrar as colegas Cleinha, Rosimar, Walmira, Tereza, Ana Maria, Maria Vania, Lucinha, Zenilda, Wolma e Maria Leticia esta última vivendo período de luto, pois perdeu seu irmão querido há poucos dias, casado com uma das colegas de turma, Carmem, que também veio a falecer, por conta do COVID, o que nos deixou tristes. Acreditamos que outras colegas serão incorporadas à confraria, criada em boa hora, quando estamos reclusos socialmente, e esse fato veio minimizar nossas tensões e ansiedades, trazendo um lenitivo para todos nós. Permanecem a afetividade e a amizade que nesse instante consideramos verdadeiras, pois não há interesse de trocas, etc. Predomina o desejo de conversarmos e apoiarmos uns aos outros em época tão crítica e atípica, o que nos torna unidas e, em consequência, felizes. Reviver é sempre bom, nos faz lembrar o passado, lugares, momentos, músicas, etc. É voltar no tempo sem mais poder vivê-lo. Só ficaram as lembranças incentivadas pelo sentimento que nutrimos do objeto construtor de nossa história. Valeu!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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