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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginarodriguez@uol.com.br

O idoso e a tecnologia na pandemia

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publicado em 14/01/2021 às 07h00
atualizado em 13/01/2021 às 16h20
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Percebe-se que os idosos não têm muito apreço pela tecnologia, até porque ela surgiu de repente sem que estivessem preparados para utilizá-la. A princípio houve o medo, a insegurança e a fragilidade. Diferentemente das crianças, que não tem esse sentimento, que brincam com o mecanismo de ensaio e erro. O aprendizado surge de imediato e o avanço ocorre rapidamente. Com a pandemia e a recomendação do “fique em casa”, percebi que o isolamento provocado levou os idosos a perderem a insegurança de manusear a tecnologia; procuraram informar-se e aprender como operar. A necessidade de se comunicar e ficar a par dos acontecimentos do planeta, os direcionou ao contexto digital da internet, o que foi uma descoberta fenomenal. Passou a fazer parte do seu dia-a-dia e tê-la como um entretimento dos mais saudáveis. Primeiro, integrou-os ao mundo virtual do planeta. Deram conta de que com a tecnologia o volume de informação é infinito, a aprendizagem torna-se mais rápida e o conhecimento informal globalizado. Há, nesse contexto, condições de se relacionar e interagir, opinar e tratar assuntos com pessoas na intimidade. Verifica-se que os relacionamentos sociais por essas vias ocorrem mais do que antes, pois eram limitados a visitas que nem sempre ocorriam. Estão integrados com seus amigos através do mundo digital mais do que nunca e navegam com facilidade nos aplicativos e plataformas

De acordo com o IBGE, temos atualmente no Brasil 30 milhões de idosos, o que representa uma parcela significativa da população acima de 60 anos e que, em 2030, ultrapassarão ao número de crianças. Estudo da cientista Natália Niro (2019), mostra que este seguimento populacional responde pela terceira maior atividade econômica, movimentando mais de US$ 15 trilhões por ano globalmente e com perspectiva de crescimento. O fato chama a atenção de empresários que estão preocupados em oferecer serviços e mercadorias para atendê-los, seguidos de políticas públicas que assegurem a qualidade de vida, mente ativa, mobilidade e segurança, aplicativos e programas de reinserção social.

Vivencia-se uma nova realidade com essa categoria reconhecendo a utilidade da tecnologia, dos serviços on-line e seus benefícios na pós-modernidade. O estudioso e fundador da “Integrar Gerações”, de Porto Alegre, Guilherme Menezes (2020), ao realizar pesquisa com 459 pessoas da terceira idade, constatou o seguinte: 99% seguem o watsApp, o facebook e instagram; 69% utilizam a internet banking; 67% fazem compras on-line e outros.

Observa-se que esse grupo social, devido ao acesso à internet, consolidou muitas amizades e convivências com parentes distantes no Brasil e no exterior, estabelecendo comunicação mais intensa, recebendo suporte familiar, apoio dos amigos, colegas de faculdade e de trabalho, de quem há muito não tinham notícias. Recrudesceu o sentimento de amor, o diálogo, o bem-estar psicológico, mesmo sem ser presencial. As práticas tecnológicas ocasionaram mudanças de hábitos e costumes, minoraram a ansiedade, o desamparo, o tédio, a solidão, a tristeza, o pensamento suicida. Isto reafirma quanto é importante o uso da internet, que tornou o globo pequeno e o tempo aqui e agora.

É incontestável que a tecnologia, através de smartphones, tabletes e computadores, tornou-se forte aliada na retomada das relações sociais com as pessoas que não se viam há anos e na adaptação a essa nova realidade. Com essas ferramentas, os idosos puderam compartilhar suas angustias, preocupações quanto ao modo de vida, na socialização, na ampliação e na mobilização para resolução de suas necessidades. Temos certeza de que não terão mais volta. Permitiram minimizar o isolamento presencial. Provou-se que na distância foram mais intensos que anteriormente, o que demonstrou, ao contrário, que a convivência virtual assegurou mais intimidade e amizade. Neste momento, aumentam a qualidade de vida, o processo de autoestima e a participação ativa, gerando uma nova convivência. O que seria dos idosos, hoje, sem a internet? Veremos!

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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