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Coco de roda encerra programação de cultura popular

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publicado em 30/01/2014 ás 10h37

Duas atrações das mais referendadas do universo da cultura popular vão embalar o público da Feirinha de Tambaú ao ritmo do coco, neste domingo (2), no encerramento do projeto Extremo Cultural. Dona Teca de Cabedelo, herdeira do grande Mestre Benedito, abre a programação às 17h, seguida por Selma do Coco, patrimônio vivo da arte pernambucana.

Pela cabeça de Benedito nunca passou a ideia de que a brincadeira de tocar coco e dançar ciranda em família um dia viraria um grupo formal. Mesmo antes de se mudar de Cruz do Espírito Santo para Cabedelo, em 1950, o patriarca já tinha o costume de convocar filhos, netos, irmãos e vizinhos para a despretensiosa dança em grupo. As apresentações tinham letra e ritmo, mas eram guiadas sobretudo pelo improviso. Com o tempo e a notoriedade local, o coco foi sendo cada vez mais requisitado para passagens por festas juninas, carnavais e eventos de bairro.

A “formalização” de fato, com o batismo de Coco de Roda e Ciranda do Mestre Benedito, veio em 1976, ainda que mantivesse sempre vivo o espírito da brincadeira. “Ao nosso núcleo se juntava qualquer pessoa que estivesse assistindo e quisesse se divertir”, lembra Terezinha da Silva Carneiro, a Dona Teca.

Fundamentalmente, o grupo nunca se desviou da sua formação familiar: os 10 filhos e dezenas de netos e bisnetos que formaram a base do Coco de Roda e Ciranda do Mestre Benedito continuariam com Dona Teca do Coco depois da morte do seu fundador, em 1999, aos 84 anos. Incansável aos 72 anos, Teca esbanja disposição para cumprir a agenda de apresentações semanais, na certeza de que a tradição permanecerá viva entre os que ficarem.

Selma do Coco – Nascida em Vitória de Santo Antão, zona da mata pernambucana, Selma Ferreira da Silva, a Selma do Coco, foi uma das únicas representantes da cultura popular a alçar o ritmo à projeção internacional. Aos 10 anos, mudou-se com a família para o Recife, onde se casou muito jovem. Aos 30, depois de 14 filhos, ficou viúva. De lá, foi para Olinda, onde vendia tapioca para sustentar a família. Para atrair os turistas e aumentar as vendas, cantava o coco.

Nos anos 90, caiu nas graças dos jovens do movimento Manguebeat, como Chico Science, que começaram a elogiar as suas músicas. Passou a se apresentar, então, em festas populares e, em 1996, chegou ao festival Abril Pro Rock. Fez sucesso no festival com “A rolinha”, um sucesso no Carnaval do ano seguinte, sendo em seguida gravada por diversos artistas. O primeiro CD, “Minha História”, gravado em 1998, lhe rendeu o Prêmio Sharp.

Apresentou-se no Festival Lincoln Center, em Nova York, no Festival de Jazz de Nova Orleans e fez shows na Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Suíça e Portugal. Durante a excursão pela Europa, atendendo a um convite do Instituto Cultural de Berlim, gravou o disco “Heróis da noite”, ao lado de cantores africanos. Seu segundo disco, “Jangadeiro”, foi lançado em 2004. Aos 83 anos, é considerada um dos maiores expoentes da cultura regional.

Secom-JP

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