João Pessoa, 08 de março de 2018 | --ºC / --ºC
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No Dia Internacional da Mulher – 8 de março – os elogios e homenagens lotam as redes sociais. Nas ruas, as mulheres recebem rosas, chocolates e lembrancinhas com frases prontas. Mas no dia anterior, os que vêm depois, e em todos os outros, o respeito e admiração são muitas vezes ignorados.
“Eu estava no ônibus, voltando pra casa. Estava bem cansada, e acabei pegando no sono. Quando despertei, vi um homem que estava em pé do meu lado, e percebi que ele estava esfregando suas partes íntimas em mim. Mas achei que fosse impressão minha, por conta do balanço do ônibus, e acabei cochilando mais uma vez. Quando acordei, percebi que não era coisa de minha cabeça e ele estava realmente fazendo aquilo. Eu gritei bastante, e apesar do ônibus estar cheio, só um homem se manifestou . As outras pessoas que estavam próximas fizeram de conta que nem ouviram”, conta a dona de casa Joana – nome fictício.
A dona de casa relata que essa foi apenas uma das situações de assédio que viveu. Os abusos ainda fazem parte da rotina de muitas mulheres, e acaba sendo encarado de forma natural. É o que analisa Fernanda, nome fictício, que também já foi vítima de assédio. “Acho que até a gente já trata com normalidade e não se importa tanto, mesmo que se sinta mal com isso”, explica.
“Certo dia um cara começou a falar comigo no whatsapp, dizendo que eu era linda, e eu sem saber quem era, achei que fosse uma brincadeira. Ele começou a dizer que sabia onde eu trabalhava, que eu era um anjo na vida dele. Fiquei com medo, imaginava ele chegando no meu trabalho. Me senti invadida”, relata Fernanda. A situação foi amenizada quando a terapeuta soube quem era a pessoa. Conversou com conhecidos do rapaz e o bloqueou na rede de mensagens.
Discriminação no trabalho
A operadora de máquinas, Beatriz, nome fictício, sabe muito bem o que é ser diminuída pelo gênero. Por conta da área, que é ocupada por homens na maioria, ela já ouviu diversas vezes que não era capaz.
“Já aconteceu de homens me excluírem de equipe de trabalho e dizer que não me queriam porque, segundo eles, eu iria atrasar a linha de produção, porque eu não iria desenvolver”, conta.
A operadora também já foi impedida de treinar para aprender e desenvolver aptidões em alguns pontos de trabalho. “Eu pedi para treinar e ouvi que não ia dar conta por ser mulher, que eu devia entender que não poderia fazer a atividade como os homens”, relata.
Apesar do preconceito, a insistência de Beatriz ultrapassou os tabus determinados por gênero. Atualmente, ela executa a função que antes foi impedida de treinar. “Faço muito mais do que muitos homens aqui”, ressalta.
Mesmo com as notícias, relatos e vivências de discriminação, assédio, desrespeito, as mulheres ainda imaginam e torcem por um futuro que se distancie da realidade. A expectativa é grande, mas o pedido é simples: “Eu só desejo um amanhã de muita paz e tranquilidade para todas as mulheres”, disse uma das entrevistadas. “Quero direitos iguais, mais respeito e mais força para os dias difíceis”, pediu outra.
Os nomes das personagens foram trocados por proteção da identidade solicitada por elas.
Caroline Queiroz – MaisPB
BOLETIM DA REDAÇÃO - 16/12/2025





