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Max Oliveira é graduando em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Tem passagens pelas principais emissoras de rádio de João Pessoa, onde atuou fazendo cobertura esportiva. Atualmente é comentarista e colunista do Mais PB.

O protagonismo dos técnicos

Comentários:
publicado em 19/07/2017 às 10h12

Antes da partida começar, o repórter vai entrevistar o treinador:
Quer saber qual a estratégia para vencer o jogo.
Em seguida, passa a bola para o colega, que quer saber a mesma coisa, só que do técnico adversário.
A bola rola e os dois professores voltarão a conversar com a imprensa no final do jogo, na entrevista coletiva.
Esse é, atualmente, um padrão seguido pelas emissoras de TV durante as transmissões dos jogos.
Os jogadores, claro, continuam tendo voz.
Mas ela está muito mais baixa.
Se pronunciam na passagem do intervalo, muito rapidamente, na chamada zona mista – depois da partida e do banho de chuveiro.
Mas, mesmo quando falam, geralmente respondem perguntas sobre o técnico.
O que você achou do esquema do time na partida de hoje?
O time venceu mais uma, portanto, você acha que já tem o dedo do técnico?
O time perdeu mais uma, você acha que o técnico pode cair do cargo?
Nesse caso, não é um padrão, mas situações muito recorrentes na relação imprensa, jogadores e técnicos de futebol.
É perceptível onde está o foco; quem está em cena; qual o protagonista do espetáculo – mesmo estando fora dos gramados.
Talvez pelo fato dos jogadores não renderem manchete, pois falam sempre a mesma coisa – isso quando não saem sem falar coisa alguma, com seus fones de ouvidos superpoderosos.
Lá se foi a era do Flamengo de Zico.
Do Corinthians do Sócrates, Casa Grande, Rincón.
Do Palmeiras de Evair, Zinho e Edmundo.
O Brasil do Romário, entre outros tantos jogadores que não eram craques com as palavras, mas falavam pelo time e para o torcedor – na vitória ou na derrota.
Vivemos a era do Corinthians do Carille, do Flamengo do Zé Ricardo, do Palmeiras do Cuca.
Não há nada de errado.
Talvez seja o futebol que mudou, ou seria a forma de enxerga-lo?

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