João Pessoa, 25 de abril de 2026 | --ºC / --ºC Dólar - Euro

ÚltimaHora
Maispb entrevista

Linda Ramalho fala de álbum ao vivo com canções autorais e obras do pai, Zé Ramalho

Comentários: 0
publicado em 25/04/2026 ás 12h19
atualizado em 25/04/2026 ás 12h38
Linda Ramalho: (Fotografia de Leo Aversa)

Kubitschek Pinheiro – Porta MaisPB

Fotos – Leo Aversa

Linda Ramalho nasceu dentro da música, filha caçula de Zé Ramalho com Roberta Ramalho (prima de Amelinha) – ela é um dos nomes em ascensão da nova geração da música brasileira – é cantora e compositora. A artista lançou o´Linda Ramalho Ao Vivo´, (primeiro registro ao vivo) lançado tanto nas plataformas de streaming como em formato audiovisual no YouTube.

Linda surgiu no cenário em 2018, mas logo se estabeleceu uma forte conexão com o palco, apresentações intensas e as performances guiadas pela presença de suas interpretações, o que se materializou no projeto ´Linda Ramalho Ao Vivo´.

Capa do álbum

O repertório traz canções autorais, como ´Confia, ´Same Bad”, ´Adrenalina´,´Quem é Quem?´ e “Buracos”, e são canções que dialogam diretamente com suas referências musicais.

Linda se destaca também com a obra da roqueira baiana de Pitty, uma de suas principais influências, como ´Equalize´, ´Anacrônico´ e ´Memórias´. Nesta última, a artista recriou o tradicional medley com ´Ando Meio Desligado´, d’Os Mutantes, mantendo a essência da versão original, mas imprimindo sua arte.

Do pai Zé Ramalho, Linda gravou canções como ´Terceira Lâmina´, ´Vila do Sossego´, Dança das Borboletas’, ´Chão de Giz´ e ´Eternas Ondas´. Vale lembrar que a relação dela com o legado de seu pai já havia sido explorada no álbum Linda Ramalho canta Zé Ramalho, lançado em 2023.

No palco, Linda é acompanhada por João Fessih (baixo), Caco Braga (bateria) e Diogo Lopes (guitarra), formando a base instrumental que sustenta a força do registro.

A artista conversou com o Portal MaisPB conta detalhes desse disco e da vontade de cantar em João Pessoa e, afirma a influência da roqueira Pitty: “Sem Pitty não haveria Linda Ramalho”.

MaisPB – Saiu o disco ´Linda Ramalho Ao Vivo´, um registro fantástico e já é um show, com batidas que abrem um lugar para a mais nova roqueira do Brasil. Vamos falar sobre isso?

Linda Ramalho – A ideia de fazer esse registro ao vivo agora surgiu conforme fomos percebendo, eu e minha banda, que o meu som ao vivo é melhor, mais intenso, do que no disco, coisa que eu gosto e admiro em vários outros artistas.

MaisPB – ´Galope Rasante´ tem uma intensidade sem tamanho – como nasceu esse arranjo que vocês gravaram, qual foi a inspiração?

Linda Ramalho – Quem assina esse arranjo é o João Fessih, baixista da minha banda. Ele se inspirou em músicas de várias bandas que nos influenciaram. A introdução tem como ponto de partida a clássica ´Stairway to Haven´, do Led Zeppelin, e o verso segue com um toque da banda inglesa ´The Smiths´. Já o refrão faz referência ao breakdown, que é uma seção onde a velocidade rítmica dá lugar a um peso instrumental lento entre os acordes da música.

MaisPB – A 11ª faixa é uma alegria eterna, ´Jardim das Acácias´, onde seu pai esteve várias vezes na casa do pintor Raul Córdula e Heidelice Cabral e essa canção foi composta lá. Agora você traz a canção de volta, uma maravilha né?

Linda Ramalho – ´Jardim das Acácias´ é uma música interessante, porque ela originalmente já é um rock. Achamos que não valeria entrar em ´Linda canta Zé Ramalho´, pois as versões rock que eu faço das músicas do meu pai neste disco, geralmente têm uma ´pegada´ de MPB. Já no show decidi tocá-la numa versão de voz e violão.

MaisPB – ´Frevo Mulher´ é uma canção que toca em todo canto, tem alguma identificação com ela?

Linda Ramalho – ´Frevo Mulher´ é a música que eu canto para dar um “tchau” para a galera que está no show, assim como acontece nos shows do meu pai.

MaisPB – Achou melhor colocar o clássico Avôhai junto de Admirável Gado Novo?

Linda Ramalho – Na verdade, eu não canto ´Avôhai´, a música faz parte do show como introdução. Ela abre um medley que eu faço, que reúne ´Admirável gado novo´, ´Avôhai´ (introdução) , e ´Pepitas de fogo´.

MaisPB – Aliás, a obra de seu pai é extensa e daria para centenas de releituras, não é?

Linda Ramalho – Sim, a obra do meu pai é extensa, super daria para fazer um “Linda canta Zé II”, mas no momento estou focada nas minhas canções autorais para projetos futuros. Por mim, eu rodaria o Brasil inteiro fazendo esse show! Eu vejo que tenho muitos seguidores de todas as partes do país, principalmente no nordeste e sul e sudeste.

MaisPB – Vai sair cantando esse show pelo Brasil afora? Virá a João Pessoa?

Linda Ramalho – Dependendo dos contratantes: sairia com esse show pelo Brasil inteiro, e ficaria superfeliz de ir a João Pessoa, uma cidade que eu amo!

MaisPB – Vamos falar das canções de sua autoria – ´Confia´, ´Same Bad´, ´Adrenalina´, ´Quem é Quem?´ e ´Buracos?

Linda Ramalho – ´Confia´ é uma música que eu fiz em parceira com Gugu Peixoto, da banda Playmobile, e vamos tocá-la no show com banda, ao invés da versão de voz e violão. Ficou uma ´pegada´ parecida com a banda The Cranberries. ´Same Bad´ é sobre a pandemia. Sobre dormir sempre na mesma cama, sem poder sair de casa, querendo que o lockdown acabasse logo. ´Adrenalina´ foi uma junção de frases que eu tinha guardado. Eu e o meu baixista, João Fessih, fizemos juntos. Coloquei a letra para ele ler e depois cantei em cima do que ele estava tocando. ´Quem é quem?´ é originalmente uma música eletrônica. Fala sobre prestar atenção nas pessoas que você encontra na noite, inspirada na festa na qual eu vi a atriz e cantora Clarice Falcão e pirei, porque sou muito fã, gosto muito dela! ´Buracos´ é sobre um relacionamento que tinha tudo para dar certo, mas deu errado. Um relacionamento que acaba e deixa um buraco.

MaisPB – Vamos falar da banda que toca com você João Fessih (baixo), Caco Braga (bateria) e Diogo Lopes (guitarra)….

Linda Ramalho – A banda começou comigo e com o João Fessih, depois chamamos Caco, que já toca com o João há mais de 15 anos. O guitarrista foi o mais difícil de encontrar. Um amigo meu chamado Luiz Lopez nos viu tocar e recomendou o irmão dele, Diogo Lopes: disse que nosso som tinha tudo a ver com ele. Aí encontramos a engrenagem que faltava. Mas até então, vários guitarristas passaram por nossa banda.

MaisPB – Falaí da sua influência pelo som da Pitty?

Linda Ramalho – A Pitty me influencia desde que sou criança, eu sei todas as suas letras, acompanhei todas as suas fases. Ela gravou com meu pai quando eu era criança e depois, ao longo dos anos, fui esbarrando com ela nos camarins da vida de eventos, etc. Sem Pitty não haveria Linda Ramalho.

Assista o show aqui 

https://www.youtube.com/watch?v=qh_mLVwce_4