João Pessoa, 21 de março de 2026 | --ºC / --ºC
Dólar - Euro

Kubitschek Pinheiro
A novidade é que o cantor e compositor baiano Dorea criou e lançou “O Que Mais Você Quer De Mim?”, seu segundo álbum, já disponível em todas as plataformas digitais. Aos 40 anos, o artista apresenta ao público, seus desejos, amores, inseguranças e medos, tudo embalado por uma sonoridade que lembra o conforto de seu álbum de estreia, ‘Grande Coisa’ foi lançado em 2023. O selo e do Ajabu!.
O Que Mais Você Quer Saber de Mim? Tudo, né? Essa não é a pergunta que quer calar, não é, é a pergunta que está ar – neste segundo Dorea, a canção é uma resposta a uma amiga, diz ele em entrevista ao MaisPB: “Surgiu de uma vontade dela de decifrar o meu desejo de também olhar mais para dentro.”
Dorea é a modernidade, com arranjos e riffs do guitarrista Junix, do Baiana System. o resultado traz identidade híbrida que vai do berro ao sussurro, várias vezes na mesma faixa. A influência do “Clube da Esquina” aparece aí, sobretudo na melodia.
Repertório: Inclui as faixas: “O Que Mais Você Quer Saber De Mim?”, “Maria Milhões”, “Mais Que Dois”, “Essa Pressa”, “Até Que Seque”, “Quatro Ventos”, “Sem Ancorar”, “Pequenas Criaturas”, “Meu Lugar”, “A Cidade”, e “A Pé no Deserto”.
O Que Mais Você Quer Saber de Mim?, pode ser um romance, uma prosa, um cinema. Neste álbum, o desejo impera nas criações de Dorea, sua arte, a quem possa se interessar: “como também a vontade de ver outros artistas fazerem o mesmo e lançarem ao mundo suas próprias composições”.
Na faixa que dá título ao trabalho, o artista canta: “Você me pergunta por que fico assim / Não sei lhe dizer / Eu não me entendo e nem pretendo / Não quero saber”.
O artista conversou com o MaisPB e fala mais do disco, das parcerias e da intimidade das canções.
MaisPB – Vamos começar pelo clipe – do Que Mais Você Quer Saber de Mim? Parece uma cena antiga, triste?
Dorea – A intenção não era passar tristeza, mas intimidade. Por isso as imagens próximas, a pele nua. Essa é uma canção em que revelo sentimentos bastante pessoais, falo sobre o meio artístico, inveja, aceitação. Foram coisas que vivi intensamente nos últimos três anos
MaisPB “Grande Coisa” (seu primeiro disco) seria um impulso para O Que Mais Você Quer Saber de Mim, ou é outra coisa?
Dorea – Não deixa de ser um impulso no sentido de que ganhei coragem ao lançar meu primeiro disco, e ela se elevou ainda mais para eu chegar a este segundo. Mas no conteúdo não creio que seja uma continuação. Em termos musicais, houve uma elaboração maior, mais arranjos, a entrada das guitarras ruidosas de Junix. E a principal diferença entre os dois discos é que no Grande Coisa eu falei muito pouco de mim. Eram canções que compus durante a pandemia, quando tive muito mais vontade de escrever sobre o mundo e o que se passava com ele. Neste novo disco me veio a necessidade de falar mais de mim.
MaisPB – A segunda faixa ´Maria Milhões´ surge com uma delicadeza, e tem o mar e tem até Maria Bonita – vamos falar dessa canção?
Dorea – Tem Maria Bonita e tem todas as mulheres, as que eu conheço e as que não conheço. Minhas músicas às vezes têm um ar misterioso, que não deixa entender tão claramente do que estou falando. Acho q Maria Milhões é assim, mas me parece uma canção de apoio, de incentivo, para manter a força na luta.
MaisPB – ´Mais que Dois´ – é uma canção para se ouvir se balançando numa rede, parece amor ou desencanto – quem é Joana Queiroz que brilha intensamente nas melodias dos sopros?
Dorea – Joana Queiroz é uma instrumentista de outro mundo. Toca divinamente e, ao mesmo tempo, tira um som tão lindo desses instrumentos de madeira que você já se comove ao ouvir a primeira nota. Concordo que ela é a grande estrela dessa canção, ou ao menos desta gravação. Mais Que Dois é uma canção de descoberta de um amor diferente, costumo dizer que, das minhas músicas, é aquela que melhor se encaixaria na trilha sonora de uma novela..
MaisPB – ´Essa Pressa´ é uma canção lenta, quase um monólogo – proposital?
Dorea – Pode parecer estranho, mas essa música era para ser sensual, sobre desejo. Isso não ser compreendido, talvez seja a constatação de que eu não tenho o molho, será? Creio que essa música cause uma certa estranheza, o que acho ótimo, por conta do tempo dela, muito inusitado.
MaisPB – A canção ´Até Que Segue´, tem uma sacada tardia, mas sempre lá na frente – “ninguém é obrigado a nada” – falaí pra gente?
Dorea – Acho que é a minha letra mais autoajuda. Assim como Maria Milhões, é uma canção de apoio, de incentivo, mas essa bem mais escancarada. E, como Essa Pressa, destaca-se pelo tempo esquisito, em cinco.
MaisPB – A canção mais bela é ´Quatro Ventos´ é a mais bela – foi feita para um amor?
Dorea – É uma singela canção de 1 minuto e meio, parece uma vinheta para mudança de lado nos discos antigos. Fala sobre amores complicados.
MaisPB – ´Sem Ancorar´ você canta com Luíza Britto – ficou lindo, a voz suave, quem é ela?
Dorea – Luíza Britto é uma das maiores cantoras que conheço. Ela é também minha amiga e parceira no Outras Vozes, um grupo diverso de artistas que construímos aqui em Salvador, focado principalmente nas nossas próprias composições. Essa canção, entre todas do disco, deve ser a que compus há mais tempo, mas ela se transformou a partir do momento em que introduzi nela o vocal final com a ideia do dueto com uma voz feminina.
MaisPB – Você nasceu na Bahia, ser artista vem de longe?
Dorea – Sou de Salvador, uma cidade que já carrega em si um ar artístico e nos faz pensar em música ou ao som de música o tempo todo. Além disso, sou bisneto de Estevam Moura, um maestro genial, compositor de frevos e dobrados maravilhosos, que se correspondia com Heitor Villa-Lobos.
Assista o videoclipe de O Que Mais Você Quer Saber De Mim?
SAÚDE - 20/03/2026