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Trabalhadores contrariam lojistas da PB e defendem fim da escala 6×1

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publicado em 19/02/2026 ás 17h06
Comércio de João Pessoa - Foto: Kleide Teixeira/PMJP

Trabalhadores rebateram, nesta quinta-feira (19), a posição dos lojistas paraibanos e defenderam o fim da escala 6×1, quando o empregado trabalha seis dias na semana e folga apenas um. Em entrevista ao Portal MaisPB, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Paraíba, Tião Santos, disse que o atual regime de trabalho impede o funcionário de ter acesso ao lazer.

“A própria Constituição de 88 garante lazer, vida para o trabalhador. O trabalhador que trabalha na escala 6×1 ele não tem vida. Ele vive do trabalho para produzir para o trabalho. No setor empresarial, muitos já estão fazendo a redução sem a regulamentação porque está tendo ganhos nas empresas. Já tem estudo que comprova isso”, frisou Tião.

O presidente da central sindical lembrou que é uma luta história da categoria a redução da escala sem a perda salarial. Ele citou que as novas relações de trabalho também exigem que o poder público promova mudanças na legislação trabalhista.

“É uma luta histórica da classe trabalhadora que essa redução da jornada seja feita sem redução salarial. Mesmo com a posição da CDL, de setores do capital, do mercado financeiro, a gente acredita no avanço. Estamos em pleno século 21, as relações de trabalho mudaram, a escala 6×1 é exaustiva, já foi comprovada que o adoecimento dos trabalhadores é por conta da jornada exaustiva”, complementou o presidente da CUT na Paraíba.

O que dizem os lojistas

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Paraíba (FCDL-PB) emitiu uma nota de repúdio à proposta do fim da escala 6 por 1 (um dia de folga a cada seis dias de trabalho). No comunicado, a Federação citou impactos da proposta no setor, como demissões, fechamento de empresas e estímulo à informalidade.

Na nota, a FCDL-PB disse ter compromisso com a modernização das relações de trabalho e com o fortalecimento do ambiente de negócios, “mas repudia soluções simplistas, de caráter político e sem sustentação técnica, que possam comprometer a estabilidade econômica e social do país”.

“A FCDL/PB considera temerária e desconectada da realidade econômica brasileira qualquer tentativa de impor mudanças abruptas na jornada de trabalho sem a necessária análise técnica, sem avaliação de impactos e sem diálogo efetivo com os setores produtivos responsáveis pela geração de empregos e renda”, iniciou a Federação.

“A medida, embora apresentada sob o argumento de avanço social, ignora fatores estruturais essenciais, como a baixa produtividade nacional, o elevado custo operacional das empresas e a complexidade do ambiente econômico. A adoção precipitada dessa mudança poderá resultar em aumento de custos, redução de postos formais de trabalho, fechamento de empresas e estímulo à informalidade — consequências que atingem diretamente trabalhadores, empreendedores e a economia como um todo”, diz a entidade.

Tramitação do projeto

A Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 está em trâmite na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), se comprometeu a votar o texto ainda no primeiro semestre de 2026 e defendeu a redução da jornada de trabalho e uma ampla discussão entre empresários e trabalhadores antes da aprovação.

Os senadores se anteciparam e aprovaram o texto nas comissões. Após o projeto passar pela Câmara, o presidente do Senado Davi Alculumbre (União) já pode colocar ele em votação no plenário.

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