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Conscientizar, prevenir e acolher, fortalecendo uma cultura de respeito e dignidade da mulher. É com esse propósito que a Arquidiocese da Paraíba e o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) assinaram, nesta segunda-feira (09), um Termo de Cooperação assumindo o compromisso institucional e humano no enfrentamento à violência doméstica. A união de forças, formalizada no Salão Nobre da Cúria Metropolitana, em João Pessoa, foi o pontapé para a campanha ‘Mesmo que ninguém veja’, com duração de um ano.
O Ato foi assinado pelo arcebispo Dom Manoel Delson; pelo presidente do TJPB, desembargador Fred Coutinho; juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher do TJPB; assessor eclesiástico da Comunicação da Arquidiocese, padre Mário Silva; e a coordenadora de comunicação da campanha, Lorena Alencar. A campanha ocorrerá sob o viés formativo e educativo em comunidades, além do informativo para levar conhecimento em todo o Estado.
Para o desembargador Fred Coutinho, essa é mais uma aposta para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de se combater a violência contra a mulher. “Para nós, que fazemos o Judiciário, hoje é um dia histórico, diante do convite da Arquidiocese para o nosso Poder Judiciário participar da campanha. A Justiça fará sua parte neste termo de cooperação, que hoje foi assinado”, salientou.
Chaga social. Foi essa a expressão utilizada pelo arcebispo Dom Delson para classificar a violência contra a mulher e justificar a necessidade imperativa de fortalecer as redes de apoio e proteção. “É uma campanha necessária e urgente. Vemos no noticiário os tristes acontecimentos atingindo as mulheres, e essa campanha vem em boa hora, com o tema ‘Mesmo que ninguém veja’, mostrando o que acontece no silêncio das casas. É preciso combater essa praga da violência contra a mulher, que é uma chaga social porque fere toda a sociedade e não podemos permanecer indiferentes”, enfatizou.
Educar, prevenir e fortalecer o cuidado social. Esse é o compromisso permanente e diário da Justiça, fortalecido por meio de mais essa campanha. A juíza Graziela Queiroga lembrou que a união do Judiciário paraibano com a Igreja é inovador e chega trazendo frutos promissores.
“Unir religião, fé e justiça é algo de fato inovador. Temos pesquisas que mostram que um dos primeiros locais em que as vítimas de violência buscam são as igrejas, denominações cristãs das mais diferentes. Segundo essas pesquisas, mais de 40% buscaram seus pastores, suas referências religiosas. Sabemos o quanto o cidadão pode ser bem informado dentro das igrejas, ser essa rede extensa de apoio e acolhimento das mulheres vítimas da violência”, destacou a juíza.
A magistrada acrescentou que o Poder Judiciário, além de promover a divulgação da campanha, irá atuar na parte formativa e educativa, levando conhecimento, inclusive técnico, ao clérigo. “A gente contribui com a parte técnica, trazendo conhecimento a padres e todos que trabalham nas diversas pastorais que envolvem a Arquidiocese da Paraíba. Desejamos estender mais em nosso Estado e, também, estamos abertos a outras denominações religiosas”, disse.
Responsabilidade social.
O padre Mário Silva fez questão de evidenciar a importância que cada instituição tem no enfrentamento à violência contra a mulher. “Diante das circunstâncias que temos acompanhado, dessa realidade que não é atual, fomos observando que havia uma necessidade de unir todas as forças. E a Igreja não poderia se furtar à responsabilidade social que temos com as mulheres. Vamos utilizar todas as forças, unindo as paróquias, as comunidades pastorais e movimentos para que todos tenham acesso à informação”, afirmou.
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