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Francisco Leite Duarte é advogado tributarista, auditor-fiscal da Receita Federal (aposentado), professor de Direito Tributário e Administrativo na Universidade Estadual da Paraíba, doutor em direitos humanos e desenvolvimento. Na Literatura, publicou os romances “A vovó é louca” e “O Pequeno Davi”, uma coletânea de contos chamada “Crimes de agosto”, um livro de memórias (“Os longos olhos da espera”), e dois livros de crônicas.

A vovó é nolt?

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publicado em 23/01/2026 ás 08h31

 

Todos sabem que, pela importação de mercadorias sensíveis, a vovó acabou metida no xilindró, em João Pessoa.

Mas a vovó não é como esses bichos mequetrefes que ficam coçando o fiofó pedindo piedade aos agentes da Justiça. Não mesmo.

“Você é tampa de penico, vovó. Não é como esses machos meia-tigela que, na hora H, arriam os quartos pedindo arrego”.

“Ariela, você é um amor. Só não me diga que eu sou nolt, só porque sou 60+. Odeio essas invencionices  americanalhadas”.

Foi daí que tive a ideia para meu blog. Nada contra a língua inglesa, vovó. A senhora mesma fez um curso por correspondência no Instituto Universal, lembra?

“É preciso, minha netinha, é preciso. Só não pode trocar nossa língua portuguesa, rica e bela, pelo idioma de ninguém”.

De fato, pensei. Se nós temos o “Oi!”, porque o Hi!? Shopping?, se temos centro comercial? Home office, se temos trabalho em casa? Vôte!

Pois é. Hoje é um daqueles dias em que estou “suassunando”. Agora a moda é chamar as pessoas 60+ de nolt. Que munganga de vira-latas é essa? New Older Living Trend…  “Novo jeito de envelhecer e viver”, não seria bem mais porreta?

Enquanto movimento, acho tudo isso supimpa, mas avacalhar a brasilidade, jamais!

Vejam a vovó. Todos sabem que ela tem a idade de tartaruga, nem por isso dispensa seus tibungos estrambóticos na praia de Tambaba. Nua, leve, lépida, diz ela, enquanto me sorri com aqueles olhos amendoados…

A vovó, sim. É nolt. Opa, digo: tem seu novo jeito de envelhecer e viver”.

É curiosa, curiosíssima. Aprende, reaprende, segue em frente. É uma velhinha pra frente;

A vovó busca os médicos do presídio, cuida da mente e do corpo; é linda e fogosa, cheia de planos para quando sair do regime fechado;

A vovó adora os livros que eu levo. Nada de palavrinhas cruzadas infantis, diz ela.

A vovó faz artesanato, origamis, conta histórias, ajuda na enfermaria, faz canja de galinha. E dança, dança muito nas festas do presídio.

E anda de caso novo! Seu Nunum dançou. Levou um gaiada daquelas com lantejoulas verde e amarelas. Também pudera. A vovó descobriu que seu Nunum também cagou no Congresso nacional!

Assina: Amanda

@professorchicoleite

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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