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Graduada em direito e pós graduada em direito criminal e família, membro da academia de letras e artes de Goiás, tenho uma paixão pela escrita Acredito no poder das palavras para transformar realidades e conectar pessoas

As histórias que o vento leva e traz

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publicado em 16/01/2026 ás 10h24

O vento sabe muito de nós. Sabe dos passos que deixamos nas trilhas de terra batida vermelha, dos nomes nas noites sertanejas, em que a lua no espelho das poças d’água, e até dos sonhos que guardamos que quase parecem ter um peso.  Viver é melhor que sonhar, como está na canção de Belchior.

No espaço  do sonho entre o silêncio e a palavra, nasce a paisagem,  em forma de linguagem, uma geografia feita de sentimentalidades e presenças que jamais se vão do nosso convivio . O sertão que alguns chamam com rudeza é, na verdade, um coração desvelado. Ele nos olha quando estamos distraídos e nos lembra de que tudo tem ritmo, o som do balanço das árvores, o namoro dos passarinhos, mesmo quando não parecem mais existir ou registrir,

Caminhei por manhãs em que o sol ainda hesitava em nascer. E, naquela quietude, ouvi o canto secreto das pedras que falam de tempo, não de pressa. Falam de eternidade na forma de migalhas de luz.

Cada árvore, cada pedra, cada linha do horizonte é um verso sem ponto final porque a vida não para, não se encerra, apenas muda de lugar qunado deixamos de sonhar.

O homem do lugar costuma dizer que “o silêncio tem voz”. É verdade. Ele canta no balança das folhas, das nuvens  ligeiras nop verão ou no  céu de chumbo, na manhã em que o canto de um pássaro é uma lembrança do que já fomos e podemos ser.  O silêncio não cala, ele traduz.

E constatamos: o que nos falta não é mais o mundo, é mais atenção. É escutar o outro  nas horas que correm depressa, até nos convencerem de que a pressa é virtude. Não é. A pressa é uma janela aberta demais para o vento que arrasta tudo, menos o que importa.

Importa o gesto suave de quem ama sem pedir retorno. Importa a cor do céu que a memória guarda como céu de infância. Importa o brilho fugidio de um pensamento ao cair da tarde. Importa o instante em que respiramos fundo e sentimos, por dentro, o peso benfazejo do existir não como um fardo, mas como um poema que ainda não terminou de se escrever. Um longo poema

A vida é esse delicado momento perante o mistério das coisas simples: o riso fácil, a lágrima que escorre sem aviso, a revoada de pássaros que partem antes da chuva. E ali, no coração de cada coisa, há um segredo: cada fim é só um começo disfarçado.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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