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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

Estamos preocupados com as mudanças climáticas

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publicado em 25/07/2022 às 16h43
atualizado em 25/07/2022 às 14h00

Estamos em pleno Capitalismo Informacional, em plena Quarta Revolução Industrial, e, sobretudo, com acesso diuturnamente as informações, indicadores, índices, dados, números e estatísticas de qualquer país nos cinco continentes habitados na Terra, com raras exceções, como a Coreia do Norte.

Recentemente, ocorreu o 51º Fórum das Ilhas do Pacífico (FIP), “uma organização intergovernamental que visa melhorar a cooperação entre os países e territórios do Oceano Pacífico, incluindo a formação de um bloco comercial e operações regionais de manutenção da paz” (STRINGFIXER, 2022).

O número de países integrantes do Pacific Islands Forum (em português, Fórum das Ilhas do Pacífico) aumentou dos sete fundadores originais (Austrália, Ilhas Cook, Fiji, Nauru, Nova Zelândia, Tonga e Samoa) em 1971 para 16 após incluir mais nove países membros em 2000, os Estados Federados da Micronésia, Kiribati, Niue, República das Ilhas Marshall, Palau, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu e Vanuatu. A Polinésia Francesa e a Nova Caledônia são países associados ao FIP.

Recentemente, Kiribati, um país insular da Oceania, na região da Micronésia, uma das nações mais vulneráveis às mudanças climáticas, deixou o FIP, provocando várias especulações políticas para tal decisão, antes do 51º Fórum das Ilhas do Pacífico na capital de Fiji, Suva. Existem especulações sobre a crescente influência geopolítica da China na região do Oceano Pacífico.

Com certeza, a maior preocupação das nações do FIP são as mudanças climáticas e os líderes do FIP apelam pela ação global urgente e imediata contra as mudanças climáticas (em inglês, climate changes) para evitar o aumento dos oceanos. Outra preocupação é a segurança alimentar da população das Ilhas do Oceano Pacífico, sobretudo, em relação à pesca.

Nos últimos trinta anos, o nível do oceano subiu 30 centímetros nas Ilhas do Oceano Pacífico, devido o derretimento das geleiras no Ártico (em especial, na Groelândia) e na Antártica, o sexto continente do planeta. “A Antártica foi o último continente da Terra a ser explorado pelo homem. Em tamanho, é o quarto e sua área supera a da Europa e da Oceania juntas com mais de 13 milhões de quilômetros quadrados” (ATLAS NATIONAL GEOGRAPHIC, 2008, p. 66).

Infelizmente, o emergente Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) no mundo, devido ao desmatamento e incêndios florestais. E os GEE provocam o aquecimento global, por sua vez, o aumento do nível dos oceanos, que cobre 70% da superfície da Terra e gera 50% do oxigênio que a humanidade respira diariamente.

Portanto, é fundamental despertar a consciência ecológica sobre as mudanças climáticas, que ameaçam elevar globalmente o nível dos oceanos, a cada ano, principalmente, na Oceania, conhecida como o Novíssimo Mundo. “A Oceania é o menor dos continentes. Sua área é de 8,5 milhões de quilômetros quadrados – equivalente à do Brasil. O território é formado por uma massa continental – a Austrália – e por inúmeras ilhas divididas em três regiões. No leste fica a Polinésia; no centro, a Melanésia; e no norte, a Micronésia” (ATLAS NATIONAL GEOGRAPHIC, 2008, p. 6).

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, IPCC) é uma entidade criada pela parceria entre a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 1988, e atualmente, com 195 países membros. Recentemente, o relatório do IPCC revelou que, “Desde a era pré-industrial até hoje, a humanidade já emitiu 24 trilhões de toneladas de CO2. Desse total, 58% foram emitidos entre 1850 e 1989, e 42% entre 1990 e 2019”. O IPCC revelou também que entre 1850 e 2020 a temperatura média da Terra aumentou em 1,09ºC e o nível global do oceano elevou em 20 centímetros entre 1901 e 2018, ambos impactando a qualidade de vida da humanidade nos últimos 170 anos.

Recentemente, um relatório regional da OMM sobre as mudanças climáticas na América Latina e no Caribe em 2021, revelou que as fortes chuvas nos estados da Bahia e de Minas Gerais causaram US$ 3,1 bilhões de perdas econômicas no ano passado. E o relatório da OMM revelou também que, “O desflorestamento está em seu nível mais alto desde 2009; 22% a mais de área florestal da Amazônia desapareceu em 2021 em comparação a 2020” (ONU NEWS, 2022).

Nos dias atuais, os impactos das mudanças climáticas são visíveis na Europa, com os grandes incêndios florestais na Espanha, Portugal, França, Romênia e Croácia, e, com as fortes ondas de calor na Inglaterra, Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Grécia, ambos provocando mais de mil pessoas mortas e prejuízos de milhões de euros.

Na Inglaterra, berço da Primeira Revolução Industrial no século XVIII, a onda de calor registrou 40,2 graus Celsius, a temperatura mais alta já registrada, que paralisou as principais redes ferroviárias, danificou as pistas de aeroportos, as praias ficaram lotadas e as vendas de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado cresceram abruptamente.

Logo, FIP, IPCC, OMM, PNUMA, você e eu estamos preocupados com as mudanças climáticas, porque a elevação do nível dos oceanos encontra-se em ritmo alarmante de 3,1 milímetros por ano, ameaçando a sobrevivência das populações que moram em cidades litorâneas como Suva, Funafuti, Auckland, Bairiki, Malé, Sendai, Valparaíso, Veneza, João Pessoa, Recife, Niterói, Paraty e Santos. Portanto, devemos reduzir as emissões de GEE e incentivar as inovações tecnológicas verdes.

Finalizando, é visível que perdemos muito tempo para cuidar melhor do nosso planeta, e, muitos continuam ainda de olhos fechados para as mudanças climáticas e os seus impactos econômicos, sociais e ambientais. Hoje, é necessário mergulhar em ações sustentáveis para proteger o meio ambiente na hora de explorar os recursos naturais finitos.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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