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A Editora Record segue relançando obras da maior importância da cultura brasileira. Já está nas livrarias ou nas plataformas, para que o leitor possa solicitar a edição impressa “A Casa da Paixão”, de Nélida Pinõn, que está completando 50 anos da primeira edição Obra premiada e de grande valor literário.
Com o sucesso de Uma furtiva lágrima, a Record, na verdade, deu início à reedição da obra de Nélida Pinõn com novo projeto gráfico. O primeiro a seguir a identidade foi Vozes do deserto, uma das obras mais emblemáticas da escritora, que revisita As mil e uma noites, e que levou o Jabuti nas categorias melhor romance e livro do ano em 2005. Em novembro deste ano, será relançado Tebas do meu coração, outro romance dos anos 1970.
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Lançado em 1972, A Casa da Paixão marcou época pela forma como trata a sexualidade feminina. A protagonista é Marta, uma bela ovem que vive entre o desejo incestuoso do pai e a submissão quase animalizada da ama de criação, mas vive na busca pela libertação de seu prazer.
Em tempos sombrios, a escritora Nélida Piñon avançou e transgrediu na trama e na linguagem, e a tradução americana chamou atenção de Toni Morrison. O romance chega ao seu jubileu de ouro, com capa e projeto gráfico renovados, e prefácio de Sérgio Abranches.
A casa da paixão ganhou o Prêmio Mário de Andrade da Biblioteca Nacional, como melhor livro de ficção, em 1973.
Em outubro de 2020, em plena pandemia, Nélida Piñon publicou o inédito Um dia chegarei a Sagres, romance ambientado em Portugal. Saga de um andarilho em busca do Infante Dom Henrique, o livro foi um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura de 2021. A escritora prepara mais um inédito para breve.
Em dezembro de 2021, Nélida participou do projeto Caja de Las Letras, iniciativa promovida pelo Instituto Cervantes, em que escritores depositaram em um cofre, que só será aberto futuramente, artefatos e registros emblemáticos de nossos tempos. Integrante da Academia Brasileira de Letras, foi a primeira mulher a presidir a instituição. Atualmente é secretária-geral da diretoria.
Trecho do livro
“Homem que for herdeiro do meu corpo eu acusarei em via pública, eu o derreterei com meu suor, eu o acusarei de assassino, inocência também enxergarei em sua carne, uma inocência perigosa conhecendo o perigo, chamas sou, chamas, mas ele veio porque o pai trouxe, o pai sabia, breve eu perco a filha, a filha se fez para salvar o universo, e não alterar seus eixos. E trouxe o homem, um garanhão de prata, moreno escuro, gigante de caverna, crocodilo da minha carne, serpente do meu ventre, e eu o odeio, o pai pensou, a filha não se decidindo eu decido por ela.”
Sobre o livro
“Que força de raiz em A casa da paixão, que esplendor de vida impetuosa e gritando por todas as palavras!” – Carlos Drummond de Andrade
“O poeta sempre tem razão. A vida de Marta grita impetuosa por todas as palavras.” – Sérgio Abranches
“A linguagem do romance é de rara beleza, ao mesmo tempo forte e poética, mas sempre carregada de sensualidade.” – Rodrigo Lacerda
Sobre a autora
Carioca, Nélida Piñon estreou em 1961 com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo. Ao longo de sua carreira, colaborou em publicações nacionais e estrangeiras, proferiu conferências em diversos países e foi traduzida para diversas línguas. É catedrática da Universidade de Miami desde 1990, havendo sido escritora-visitante das universidades de Harvard, Columbia, Johns Hopkins e Georgetown. Recebeu os prêmios brasileiros Golfinho de Ouro, Mário de Andrade e Jabuti — este, de melhor romance e livro de ficção de 2005, por Vozes do deserto. E os internacionais Juan Rulfo, do México; Jorge Isaacs, da Colômbia; Gabriela Mistral, do Chile; Rosalía de Castro, e Menéndez Pelayo, da Espanha. Em 2005, pelo conjunto de sua obra, recebeu o importante Príncipe de Astúrias. É doutora honoris causa das universidades Poitiers, Santiago de Compostela, Rutgers, Florida Atlantic, Montreal e UNAM. Em 1990, foi empossada como imortal pela Academia Brasileira de Letras e, em 1996, por ocasião do centenário da Academia, tornou-se a primeira mulher a presidi-la. Em 2012, foi nomeada Embaixadora Ibero-Americana da Cultura.
Kubitschek Pinheiro MaisPB, editor de Cultura com assessoria da Record
PRESIDENTE DA ALPB - 05/05/2026





