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Titular em Letras Clássicas, professor de Língua Latina, Literatura Latina e Literatura Grega da UFPB. Escritor, é membro da Academia Paraibana de Letras. E-mail: marquesjr45@hotmail.com

Livros, necessidade básica

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publicado em 11/05/2022 às 18h00
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Nosso cronista-mor, Gonzaga Rodrigues, em uma de suas crônicas – “Livros e Livros” –, reflete uma preocupação do professor João Trindade, sobre a importância do livro e da necessidade de um debate, que deveria ocupar uma fração do tempo de todos. Um debate, no entanto, que provoque ações e mudanças, mais do que a pura verbalização. Para isto, deve envolver professores, estudantes, pais, artistas, políticos… O eixo do debate é um só: precisamos estimular a leitura! É o que Gonzaga diz: “Falta, sobretudo, estimulo de pai a filho, de professor a aluno”.

O primeiro entrave ao debate é como estimular a leitura se os responsáveis diretos muitas vezes não leem ou não demonstram apreço pela leitura? Como levar seu aluno a ler se o professor não se envolve com a leitura, falando dela por aquilo que ela é: essencial a sua vida?

Outro entrave é o fato de que as escolas, em geral, são mal aparelhadas de biblioteca e faltam-nos bibliotecas públicas que funcionem, sobretudo, nos bairros. Por outro lado, onde estão as livrarias da cidade ou do Brasil? A Epitácio Pessoa, rua mais importante da cidade, tem mais de vinte farmácias, não tem uma única livraria. Insistamos na dificuldade, perguntando qual é o preço do livro no Brasil, objeto caríssimo, para o bolso de poucos?

O estímulo, portanto, passa por decisões políticas, pressionadas pela população, além de uma mudança na atual política de editoração, com o intuito de distribuir, por todo o país, livros a preços módicos, com textos bem editados e confiáveis. Não há saída sem mudarmos essa situação.

Sei que as comparações são complicadas, mas tenho que falar da experiência que tive fora do Brasil.

Morei um tempo na França e pude ver que livrarias são mais comuns que farmácias… No Boulevard Saint-Michel, em Paris, e imediações – Rue de La Harpe e Place Saint André des Arts – há várias livrarias Gibert, sendo a maior a Gibert Joseph, em frente ao Musée Cluny, com cinco andares e um subsolo, muitos caixas, sempre cheios, funcionando das 08:30 às 19:30. No complexo da Sorbonne, que inclui a Rue Soufflot, aquela do Panthéon, é grande o número de livrarias. E os livros são para todos os bolsos. Principalmente, as edições de bolso das grandes obras da literatura francesa. E não faltam bibliotecas em Paris.

Em Roma, existe uma livraria de três andares, na estação Termini, a estação de trem mais importante da cidade, mas uma estação de trem, onde se encontram as obras clássicas em edição bilíngue, grego-italiano/latim-italiano. Em que aeroporto de cidade importante, no Brasil, encontramos as principais obras de nossa literatura? Perdi a conta de quantas livrarias Feltrinelli existem em Roma…

A preocupação de Gonzaga Rodrigues é válida, porque, em suma, é a de todos os que lidam com livros, leitura e escritura. A verdade, no entanto, é que nos falta o básico para que possamos avançar, porque educação nunca foi prioridade para governo algum. E educação se faz com livros, muitos, a mancheias, como diria o poeta, baratos e de fácil acesso.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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