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Paulo Galvão Júnior é economista, escritor, palestrante e professor de Economia e de Economia Brasileira no Uniesp

Os 93 anos de Maurice Strong

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publicado em 30/04/2022 às 14h24
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Nos dias 2 e 3 de junho de 2022 ocorrerão as comemorações alusivas aos 50 anos da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, na capital da Suécia, a bela Estocolmo. E o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) irá comemorar com uma nova conferência denominada “Estocolmo+50: um planeta saudável para a prosperidade de todos e todas – nossa responsabilidade, nossa oportunidade”.

Hoje, 29 de abril de 2022, este inédito artigo em memória ao aniversário de 93 anos de Maurice Strong, o primeiro Secretário-Geral da primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (em inglês, United Nations Conference on the Human Environment), que foi realizada entre os dias 5 a 16 de junho de 1972.

Maurice Frederick Strong (1929-2015) nasceu na pequena e rural cidade de Oak Lake, na província de Manitoba, no Canadá, em 29 de abril de 1929. Seu pai, Frederick Milton Strong e sua mãe, Mary Fyfe, eram um casal de uma família pobre e sua infância foi pobre durante a Grande Depressão dos anos 30, que começou nos Estados Unidos, com a grande queda da Bolsa de Valores de Nova York, no dia 24 de outubro de 1929 e contagiou os países capitalistas, sobretudo, o país vizinho, o Canadá.

Em novembro de 1945, o adolescente Maurice Strong partiu para o extremo norte do Canadá, exatamente para as frias terras do povo Inuit, “com quem aprendeu muito, incluindo sua língua. Ele ficou fascinado com a relação deles com a natureza, que lhes permitiu sobreviver e desenvolver uma cultura distinta no clima severo do Ártico” (MAURICESTRONG.NET, 2022).

O diplomata canadense Maurice Strong foi o Secretário-Geral da Conferência de Estocolmo de 1972, posteriormente, o primeiro Diretor-Executivo do PNUMA, com sede em Nairóbi, Quênia, além de empresário de petróleo, gás natural e recursos minerais na província canadense de Alberta.

Ele foi também o Secretário-Geral da RIO-92, nos dias 3 a 14 de junho de 1992, que ocorreu na belíssima cidade do Rio de Janeiro, onde os chefes de Estado e de governo debateram os sérios impactos da emissão de gases de efeito estufa (GEE), do aquecimento global e das mudanças climáticas no mundo e os novos rumos da economia global com a defesa da economia verde (em inglês, green economy). E a economia verde protege o meio ambiente, reduz as emissões de GEE e combate um mundo tão desigual. A economia verde defende o uso da energia solar, da energia eólica e da energia das marés e Maurice Strong defendeu uma economia de baixa emissão de carbono, eficiente no uso de recursos naturais escassos e que busca sempre pela inclusão social.

A Conferência de Estocolmo ficou mundialmente conhecida quando os 113 países e as 250 organizações ambientais, em 1972, na capital sueca, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), discutiram as principais questões referentes ao meio ambiente. Mesmo tendo sido referenciada em anos anteriores, mas só a partir de 1972, que foram desenvolvidos estudos mais aprofundados em relação ao meio ambiente. E na abertura da Conferência de Estocolmo, a primeira-ministra da Índia, Indira Gandhi, “fez um dos discursos mais influentes de toda a conferência” (MAURICESTRONG.NET, 2022).

Em 1972, surgiu o livro do Clube de Roma intitulado Os Limites do Crescimento (em inglês, The Limits to Growth). Em junho de 1973, Maurice Strong utilizou pela primeira vez o conceito de ecodesenvolvimento e, posteriormente, ele refletiu criticamente, “A crise do meio ambiente, talvez acima de tudo, deixa claro que o homem já não pode evitar a necessidade de escolha, porque as escolhas que fazemos vão realmente determinar o curso futuro da humanidade e a evolução neste planeta e, enquanto, ninguém pode colocar uma data em que teremos atingido o ponto sem retorno, parece muito claro para mim, de todas as evidências que eu vi do mundo científico, que as escolhas que fazemos nesta geração realmente determinará se vamos conseguir ou não”.

“Em 1976, a pedido do primeiro-ministro Pierre Trudeau, Strong retornou ao Canadá para dirigir a recém-criada companhia petrolífera nacional Petro-Canada” (MAURICESTRONG.NET, 2022). O atual primeiro-ministro canadense Justin Trudeau é filho do ex-primeiro-ministro Pierre Trudeau que fundou a empresa Petro-Canada, em 1975, no Parliament Hill, em Ottawa, a capital do Canadá, e iniciou suas operações em 1 de janeiro de 1976, sendo Maurice Strong o seu primeiro presidente, com sede em Calgary, a maior cidade de Alberta.

O petróleo é um combustível fóssil, não renovável e que polui muito o meio ambiente. A economia mundial já sofreu muito com a Primeira Crise do Petróleo em 1973, como também, com a Segunda Crise do Petróleo em 1979. Atualmente, a economia mundial vem sofrendo com a Guerra na Ucrânia, onde o preço do barril de petróleo tipo Brent subiu de US$ 99,08 em 24 de fevereiro para US$ 100,09 em 28 de fevereiro, chegando ao seu pico com a exclusão da Rússia do SWIFT, aos US$ 127,28 em 08 de março.

A Convenção de Montreal, a segunda maior cidade do Canadá, ocorreu em 16 de setembro de 1987, quando 46 países, inclusive o Brasil, assinaram o Protocolo de Montreal, revelando sérias preocupações para a proteção da camada de ozônio. Em outubro de 1987, com a divulgação do Relatório Brundtland, também conhecido como Nosso Futuro Comum, a ideia do desenvolvimento sustentável é retomada representando um ponto de inflexão no debate sobre os impactos do desenvolvimento (JACOBI, 2017).

Em junho de 1992 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (em inglês, United Nations Conference on Environment and Development), no Rio de Janeiro, onde foi discutida também a criação da Agenda 21, um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis. E a Agenda 21 foi um documento assinado em 14 de junho de 1992, no Rio de Janeiro, por 179 países, resultado da Cúpula da Terra, ou simplesmente, Rio-92, podendo ser definida como um instrumento de planejamento participativo visando o desenvolvimento sustentável.

Em 27 de novembro de 2012, numa palestra ministrada na Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP), o então ex-Secretário-Geral da Conferência de Estocolmo de 1972 e da Rio-92, enfatizou que, “O Brasil é um importante player para disseminar as práticas sustentáveis ao redor do mundo”. E o Brasil tem a maior floresta tropical do mundo, a maior biodiversidade da Terra e uma das maiores áreas oceânicas do planeta.

Numa época de incertezas, a economia é cada vez mais competitiva, é cada vez mais globalizada, e os consumidores são cada vez mais exigentes, logo, há um cuidado especial em promover um crescimento econômico aliado ao desenvolvimento social sem poluir o meio ambiente. A preocupação ambiental surgiu após a Primeira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Essa conferência de repercussão internacional foi considerada como passo inicial para que a sociedade tomasse consciência dos problemas ambientais (GARCIA; OLIVEIRA, 2009). É possível destacar na Declaração de Estocolmo (1972), “O homem é portador solene da obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras”.

De acordo com o PNUMA (2022), “A conferência desencadeou a formação de ministérios e agências ambientais em todo o mundo, iniciou uma série de novos acordos globais para proteger coletivamente o meio ambiente e resultou na criação do PNUMA, que está comemorando seu 50º aniversário este ano”. Algumas curiosidades de Maurice Strong, ele casou duas vezes, foi presidente da Power Corporation of Canada na década de 1960, ele adorava andar de bicicleta e foi e voltou nos dias da Conferência de Estocolmo numa bicicleta, em seguida, em dezembro de 1972, em plena Guerra Fria, ele foi trabalhar como Diretor-Executivo do PNUMA, no Quênia. Posteriormente, foi Secretário Geral da Rio-92, em seguida, Conselheiro Especial para a Rio+20, em 2012.

Hoje, temos que propagar o legado do ambientalista canadense Maurice Strong, que nasceu em 29 de abril de 1929, em Oak Lake, e que morreu aos 86 anos, vítima de complicações respiratórias, em 27 de novembro de 2015, em Ottawa, e dois dias antes do início da COP 21, em Paris, e sobretudo, continuar fortes na luta pela energia renovável, mitigação das mudanças climáticas e promoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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