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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e Diretor do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba. Contato: givaldomedeiros@uol.com.br

Meus followers, of course!

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publicado em 18/01/2022 às 07h06
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Ando confuso e mal dormido. Pensando na vida. Assim que nem sertanejo que sai por uma estrada deserta, falando sozinho e matutando. Pois dei para matutar. Coisas à toa evidentemente. É que estou achando as coisas fora do lugar. Ou vai ver fui em quem saí. Ao modo Zé Marcolino que foi para o Rio de Janeiro, fez aquela música Matuto Aperreado, que Luiz gravou, e voltou para Sumé.

Estou entendendo, e se estiver errado me corrijam, que toda pessoa sem profissão está sendo chamada de influencer. Não escuto ninguém falar que passou num vestibular, que está trabalhando, estudando. E esses eram os assuntos que eu ouvia no meu tempo.

Só escuto dizer que a moça tal se separou e, agora, é influencer. O rapaz que saiu da Fazenda é influencer também. Parceiro, marido, esposa de gente famosa é tudo influencer. Bem por isso, fiquei pensando em que essa coisa vai dar.

Só vejo gente harmonizada. No rosto. No corpo. Nos exemplos. Pessoas perfeitas. Com opiniões que julgam desenfreadamente os outros e promovem os mais corretos sentimentos de convivência social 24 horas por dia.

É o mundo virtual! Você vai dizer. Eu sei! Porém, esse “espaço” ocupa quase nosso dia inteiro. E, repito, estou confuso porque fui acostumado a conviver com educadores, professores, modeladores. Pessoas que nos serviam de modelo pelas habilidades que tinham nos seus ofícios e, imitando-as, procurávamos nos tornar tão exímios quanto elas. E esses e essas caras estudavam pra valer, a fim de aprender para nos ensinar. (Resta um espaço assim no You Tube).

Me preocupa, também, porque os que nos ensinavam, se exerciam alguma influência, era em consequência da capacidade didática, ou das técnicas educacionais que usavam. Influenciador, sem outra designação, me remete a alguém que não nos leva para bons lugares.

Vamos, então, combinar assim. Quem tiver o que mostrar de bom nas redes, vira educador. Pode ser para ensinar moda, medicina, arte, sacanagem, o que quiser. Mas será um educador. Sorry, um “Educator” considerando que falando em inglês soa mais chique, podendo usar a designação de “teacher” também.

Todavia, para assim ser socialmente chamado, precisa de alguma certificação de habilidade em alguma coisa ou alguma área, que sem saber de nada ninguém pode “too educate” (ou educar) ninguém.

Se você concordar com minhas ideias, curta o texto, compartilhe, que se eu alcançar um número alto de curtidas, posso virar um educador e vocês serão meus educandos. Se, por acaso, não aceitarem, serei um influencer e vocês, consequentemente, terão seus status modificados para seguidores. Aliás, porque influenciador é em inglês (influencer), e seguidor é em português mesmo? Por que não os chamar de followers? Por respeito à língua pátria internáutica, chamarei vocês assim. “Meus followers”, of course! (É claro!).

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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