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Poeta, escritor e professor da UFPB. Membro da Academia Paraibana de Letras. E-mail: hildebertopoesia@gmail.com

Nomes infelizes

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publicado em 22/12/2021 às 07h02
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Nomes infelizes

Se é verdade que o destino do homem pode ser traçado pelo nome de batismo, como disse Balzac (foto), quantos destinos devem causar dó! E por que? Porque existem nomes simplesmente capazes de fazer o dono sofrer, e sofrer muito, quer pelo ridículo ou pelo absurdo, quer pelo grotesco ou pelo estapafúrdio, que a onomástica, em sua mirabolante e surpreendente variedade, pode envolver.

Se há norma civil que procura proteger o cidadão desse nefasto vezo, tal não parece suficiente, pois a subjetividade dos entes cartoriais, não raro, compactua com estranhas, hilariantes e inusitadas nomenclaturas. Os apelidos, os apostos, os epítetos, os pseudônimos, muitas vezes, vêm em socorro do infeliz que, por motivos óbvios, esconde o verdadeiro nome.

O poeta Mauro Mota, em nota introdutória a seu delicioso livro Barão de Chocolate & companhia: apelidos pernambucanos (1983), refere, a título de exemplo, o caso dos bardos Austro Costa e Jaime Altavila, cujos nomes originais eram Austriclínio Ferreira Quirino e Amphilóquio de Mello, respectivamente.

Pinçados de Fios Sanctorum, do padre Diogo do Rosário, obra em doze volumes, editada em Lisboa, no ano de 1870, o autor de Canto ao meio ainda cita estrambóticas alcunhas da hagiografia portuguesa, a saber: “São Abúndio, mártir romano de 857; São Medardo, profeta e bispo de Noyon; São Cacufate, pregador, supliciado em Barcelona no tempo de Maximiliano”.

Eu mesmo conheci um casal de irmãos lá de Rio Formoso, cidadezinha do litoral pernambucano: ele se chamava “Londres”; ela, “Brasil”. E tendo sido professor a vida inteira, portanto, habituado às listas de chamada das cadernetas escolares, deparava-me, aqui e ali, com etimologias enigmáticas, cavernosas e dissonantes que, até hoje, coçam-me o imaginário.

E o pior: são nomes que constam no registro civil e que os dicionários especializados legitimam. “Calicrates”, “Rutílio”, “Taia”, “Isnardo”, “Itibé”, “Eucáris”, “Zulka”, “Afesibeu”, “Baldonaro”, “Berengério”, “Tízia”, “Tercícora”, “Heládio”, “Hostílio”, “Hildegar” e “Hildeberto” são os que me ocorrem momentaneamente ao correr da pena.

Dia desses, discorrerei sobre o último e do desgosto de carregá-lo vida afora.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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