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Outro olhar sobre o 7 de setembro de Bolsonaro

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publicado em 08/09/2021 às 17h03
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Faz quase 1 ano que o presidente Jair Bolsonaro tem peregrinado o Brasil com suas motociatas – muitas vezes em pleno horário de expediente. Ao melhor estilo Benito Mussolini (aquele que foi dependurado pelos pracinhas da FEB em 1945), Bolsonaro tem entoando sua cantiga golpista para meia dúzia de malandros e/ou alienados que ainda o acompanham nesse circo de horrores.

Na verdade, a motociata foi a última tentativa de reacender a mobilização de uma base que desde 2020 dá sinais de cansaço e abandono, após a absurda condução da pandemia e os resultados pífios da economia e de seu governo medíocre, além das denúncias de corrupção na aquisição de vacinas.

A meta era realizar esses passeios em locais estratégicos do país, com objetivo de atrair contingente para um evento maior e determinante para sua estratégia de sobrevivência política: o ato do 7 de setembro.

O resultado, no entanto, não foi o esperado.

Falava-se algo em torno de 500 mil em Brasília e 1 milhão em São Paulo. A grama seca da Esplanada dos Ministérios não pareceu “apetitosa” para um público maior e quem foi até a Paulista não somou 200 mil.

Observem que o 7 de setembro foi escolhido a dedo por algumas razões: um feriadão, bom tempo para mobilizar e, claro, a narrativa do patriotismo. Esta última merece destaque.

Uma verdade inconteste é a de que o Bolsonarismo vem definhando há tempos. Ao lado do preguiçoso e incompetente presidente Bolsonaro, estão (e estarão) os extremistas da sua militância, ruralistas, garimpeiros, milicianos, empresários e líderes religiosos que levam vantagem do seu governo, além, claro, da ala militar que foi cooptada pelos gordos holerites dos cargos comissionados da gestão.

Classe média, pequenos empresários, trabalhadores, estudantes, industriais, povo da periferia e agora o próprio mercado não querem nem conversa com o governo BolsoGuedes. Daí surge a necessidade de apelar para o discurso patriótico e convencer parte do eleitorado conservador mais moderado de que ele não estava indo às ruas pelo presidente, mas pela independência, pela pátria. Em síntese, a guerra de narrativa  Bolsonarista sequestrou a Bandeira e o discurso de independência para sua estratagema eleitoral.

Foi inteligente, mas não o suficiente.

O ato de ontem, marcou o reencontro de Bolsonaro com o que restou do eleitor antipetista que estava envergonhado em assumir sua defesa pública.

Assim, o que temos então são duas análises… a primeira, boa para o Bolsonarismo, é que o antipetismo ainda é o combustível que consegue manter os seus 20%. Ou seja, contra o PT esse eleitor engole a seco os crimes da Bolso Family e a corrupção do governo tende a se unificar.

A péssima notícia é que com a economia capengando, a inflação chegando a 10 pontos e um alerta de apagão aumentam a rejeição de um governo fraco. E as ameaças ao STF e ao Congresso deixam o presidente cada vez mais isolado. De tal maneira, que o impeachment voltou a pauta e os atos de 12/09 podem transformá-lo em algo inevitável.

Para o desespero da tática eleitoral petista, o eventual impedimento desmantelaria a aposta na polarização entre o ex-presidente Lula e o atual.

Quanto ao Bolsonarismo, uma verdade inconteste: nem todo dia é feriadão de 7 de setembro e nem todo liberal (na economia) ou conservador (nos costumes) possui a paciência de Jó.

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