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Onaldo Queiroga é juiz da  5ª Vara Cível de João Pessoa  e escritor e é conhecer e colecionador da obra de Luiz Gonzaga

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publicado em 25/08/2021 às 07h31
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Três letras, uma palavra pequena, mas que, às vezes, torna-se tão difícil de ser pronunciada e exercitada no dia a dia. Nos referimos à palavra “não”. Nesse contexto, a verdade é que existem pessoas que não sabem dizer “não”, e, por isso, a enorme bondade que carregam em si termina por conduzi-las ao “sim”, que representa em algumas situações renúncia dos próprios desejos e de sonhos.

Há ocasiões em que pessoas que assim agem chegam a se anular diante do fato de sempre ceder aos desejos ou até aos meros caprichos daqueles que lhes circundam, isto por ser difícil dizer “não”. É incrível como um vocábulo fácil de se pronunciar se agiganta ao ponto de tolher a vontade própria. A pessoa deixa de fazer algo que lhe proporcione alegria e felicidade, para acolher as imposições de um alguém que, pelo “sim”, sempre se sente agradada.

A vida nos mostra que não são poucas as pessoas que assim se conduzem no seu viver. Isso nos faz ver que aquele que é beneficiado com a ausência do “não”, na verdade carrega um indiscutível egocentrismo no seu íntimo, além de demonstrar ser uma pessoa insensível e sem bom senso, pois, diante do seu comportamento consegue aflorar uma exploração desmedida em relação àquele que sempre mostra-se pronto a lhe dizer sim.

É preciso, no entanto, saber que servir aos outros é bom, é divino, é exemplo de solidariedade. Não devemos, entretanto, esquecer de que, antes de mais nada, temos que alimentar o amor próprio, haja vista que só quem ama a si mesmo é capaz de verdadeiramente estender esse amor e o servir com efetividade ao seu semelhante, pois se assim não for, esse sentimento deixa de ser solidário para se transformar em algo doentio, que maltrata o próprio existir de quem não consegue exercitar o “não”.  É imperioso estabelecer um equilíbrio do nosso agir, tendo em vista que o excesso do dizer “sim” acarreta transtornos maléficos, que, ao invés de produzir algo de bom, apresenta situações que desagradam e implicam em desconfortos.

Focado nesse aspecto, o ser humano tem que mudar o seu pensar e seu modo de agir, pois é fazendo do “não” uma bandeira de luta em busca de felicidade e do justo, que ele poder afastar diversos males, alcançando dias mais dignos, de paz e de amor.

Por isso, é preciso dizer “não”, por exemplo: ao egoísmo, à inveja, à luxuria, e de um modo mais amplo, à lentidão para a solução dos litígios judiciais, como também às obras públicas inacabadas, aos maus políticos, às drogas, ao lixo sonoro que empobrece a cultura brasileira, à impunidade movida pela branda legislação penal brasileira, enfim, à corrução endêmica, câncer que sucumbe o justo em favor dos foras da lei.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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