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Médico. Psicoterapeuta. Doutor em Psiquiatria e coordenador do Curso de Medicina da UFPB. Contato: givaldomedeiros@uol.com.br

Vacina para doentes mentais

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publicado em 08/06/2021 às 07h52
atualizado em 08/06/2021 às 04h55
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Todos precisam de vacina. Até o momento, todos que têm acima de 18 anos, considerando que as vacinas não foram testadas em faixas etárias inferiores. Os portadores de doença mental também.
Não vou aqui tecer teorias sobre quem é ou deixa de ser. Num nível neurótico, como falava a classificação de doenças na época de Sigmund Freud, somos todos. Mais, ou menos doentes. Era o que ele afirmava. Tinha razão. Quem é essa pessoa indubitavelmente saudável do ponto de vista emocional? Não conheço.
Refiro-me, no entanto, aos doentes mentais que apresentam doenças mais graves; ou, em outras palavras, crônicas e, muitas vezes incapacitantes. Indivíduos com quadros psicóticos, ou outros transtornos, com certa cronicidade, e que são “polimedicados”.
Isso significa que tomam, regularmente, três ou mais medicamentos para se manter em equilíbrio. No geral, têm tendência a apresentarem, como efeitos colaterais do uso prolongado, a Síndrome Metabólica. Sendo assim, são mais vulneráveis a serem diabéticos ou pré-diabéticos, a terem alterações de triglicérides e colesterol, comprometimento de taxas hepáticas; além de maior predisposição a eventos cardiovasculares.
Nenhuma dessas condições está catalogada entre as comorbidades. Salvo, se forem formas mais graves. Ocorre que, todas essas alterações numa mesma pessoa, em um só tempo, tornam-na tão vulnerável a apresentar formas graves de Covid-19, quanto os que têm como comorbidade uma única doença, mesmo com maior grau de gravidade.
O único lugar em que caberia os problemas mentais, nos planos de vacinação, seria entre as Deficiências. Nosologicamente, quando se fala em deficiência mental, refere-se a Retardo mental, a hipodesenvolvimento da capacidade intelectiva. No Rio de janeiro e São Luiz-MA, as doenças mentais foram postas entre as deficiências mentais. Até creio que quem elaborou a lista também tenha pensado assim.
Eu que os acompanho, que convivo com as suas dificuldades, venho levantar essa urgente questão, em favor de uma minoria, por quem, em geral, ninguém grita. Ninguém considera. Ninguém se aproxima, a não ser aqueles diretamente ligados ao problema ou aos próprios doentes. Não importa se há erro nosológico. Importa que é necessário. Urgente. É só seguir o exemplo de quem já começou.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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