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Graduado em Jornalismo, Yago Fernandes é um “pitaqueiro” sobre a vida, relações humanas e um apaixonado pela comunicação. É mestre de cerimônias e tem experiência com palestras e oficinas de Oratória. Atualmente, também é assessor de comunicação.

Jornalismo achincalhado

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publicado em 07/06/2021 às 07h48
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O pernambucano Sikêra Júnior, além de exercer outras tarefas, é jornalista, segundo a fonte de informações de muitos, a Wikipedia. É isso mesmo que você ‘ouviu’. E fala a verdade, vai. Você já acessou o site para dar uma espiadinha na idade de algum famoso ou pesquisar um trabalho da escola, mas enfim, vamos ao que interessa.

Eis que Sikêra (foto) é inspiração para muitos jornalistas, não para mim. Nada pessoal contra o cidadão, minha contestação é a forma como o seu trabalho depreciativo vem ganhando espaço em cadeia nacional e, pior ainda, na terra sem dono: a internet.

Afinal, o que o sujeito citado aí em cima faz é jornalismo? Não, já te adianto a resposta sem pensar muito. Um momento que lhe explico. Tendo como preleção o sensacionalismo da área policial, o apresentador ficou conhecido, graças a bendita “net”, quando ainda estava por Alagoas. O auge do seu sucesso veio quando Sikêra rogou morte aos usuários de maconha. Quem não lembra do caso?

Não vou contar sua trajetória aqui, mas só sei que o homem vem militando em Manaus. “Alerta Amazonas” é seu novo cafofo onde ele vomita bobagens. Admirador publicamente de Jair Bolsonaro, o também metido a ator sempre opinou, da forma mais grotesca possível, sobre mortes de criminosos, as quais ele comemora de modo explícito, e outros assuntos que o fazem um ser intelectual para os neofacistas.

E tem mais… Observando alguns vídeos em seu canal, no YouTube, o defensor de “bandido bom é bandido morto” não apresenta nada de novo no atual programa. Ao contrário, além de pensar que faz jornalismo, Sikêra deve acreditar que fazer seu elenco participar de uma competição de quem mais come sanduíche em um minuto e meio deve ser super engraçado. Coisa ultrapassada, sem graça. E pior… tudo isso gera audiência.

Espere, estou quase acabando o assunto chato. Outro vídeo me chamara atenção. Depois de mostrar certa reportagem, o ‘diferenciado’ apresentador pediu que seu produtor — se não estiver enganado — repetisse a frase “Pega ladrão!”, e assim o fez. O riso solto de um câmera estrugiu pelo estúdio quando “Michelle” (alcunha dada por Sikêra ao produtor) repetiu a frase em sonoridade aguda, isto é, caracterizando um gay afeminado. Eu só queria entender o porquê de alguém que seja homossexual serve de chacota de circo para o preconceito declarado de Sikêra.

Agora explico o que disse no começo da conversa, leitor, leitora. Toda esse espetáculo circense cruel e sem conteúdo algum não é jornalismo. O que Sikêra nunca foi e nunca será é jornalista, pelo menos de alma, de essência. É preciso ser ético, sério, opinar com conteúdo e responsabilidade, coisas que de longe passam pelo pobre apresentador.

De minha parte, não há motivos para ter alguma encrenca pessoal com o sujeito, até porque não o conheço pessoalmente (e também jamais pretendo). Talvez o nordestino seja um “cabra” até simpático e que saiba escrever pelo menos um twitter, mas é questionável seu papel à frente de uma profissão que requer seriedade e não um showman.

Melhor casamento

Comentei, por algum tempo nas minhas palestras, que, se há algum casamento que seja por amor, este tem de ser o matrimônio com a profissão. Caso contrário, vais casar só pelo dinheiro… e, se for só pelo salário no final do mês, ganhes o que ganhar serás sempre mal pago. Temos que dizer isso às crianças, em casa e na escola. Ah, e que fique muito bem claro… os pais não devem se meter na escolha da profissão dos filhos. Tal opção deve ser um chamado, uma vocação que pulsa nas vísceras do indivíduo. Escolha o trabalho que você não precise olhar para o relógio nem contar no calendário a chegada das férias. Descubra-o, ele está dentro de você. Se assim fizer, vais te estressar menos… e serás feliz. Experiência própria, hein? Queres apostar?

Veja só

O que mais me irrita é ver cursos de preparação para o vestibular de medicina. Estão “lotados” de jovens almejando a área profissional só pelo status e dinheiro. Gente metida a bacana, mas vazia por dentro. A medicina está entre os cursos da moda. Pouquíssimos são os que têm vocação… De dez, um se salva. – Eu tenho vocação! Não, tu não tens!

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