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Professora Emérita da UFPB e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba (AFLAP]. E-mail: reginabotto@gmail.com

A dor e o medo vem das ruas

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publicado em 18/03/2021 às 07h50
atualizado em 18/03/2021 às 04h51
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Conheço uma trabalhadora que sai de casa todos os dias às 5 da manhã há muitos anos. Disse-me que o mundo mudou. Por quê?
“A começar do ponto de ônibus: não se pode ficar sozinha, porque toda semana tem um assalto tipo arrastão. Ao tomar o ônibus cada um segue o seu destino. Quando chega o meu tenho que sair correndo e andar depressa para chegar à casa da cliente”. Vive assombrada. Não pode deixar a profissão. É massagista e não tem como mudar, agora que está perto de aposentar. Estamos pandemia e esses profissionais estão sem trabalhar.
Em casa ajuda o marido com o bíceps rompido devido a um peso que pegou no trabalho. Já bateu todos os hospitais, ninguém resolve o problema. O caso é cirúrgico disse-lhe um dos médicos que já o encaminhava para o procedimento, porém quando o coordenador chegou e perguntou sua idade (56 anos), imediatamente reverteu e falou; “não se faz cirurgia, ele é capaz de aguentar dor.”
E encaminhou-o para outro órgão que o atendeu e confirmou que o caso era cirúrgico. Será que com a idade de 56 anos é tão velho que não mereça um tratamento terapêutico, para aliviar sua dor? Faz meses que esse homem pena de hospital a hospital e, segundo ele, dizem que tem que entrar numa cota de cirurgia e essa nunca vem. É sofrimento… Como pode um ser humano ser tratado assim?
O trabalhador, neste país, não merece a atenção devida e é tratado como coisa. Passa constrangimentos e humilhações. É-lhe negado tratamento digno. Como, diante dessa problemática social, política e educacional, mudar o país e fazê-lo diferente? A estrutura estabelecida e as artimanhas do poder determinam essa situação, como afirma Lúcio Kowarick,(foto) autor de “Escritos Urbanos” estudando a margilinalidde na America Latina: “é uma forma de articulação estrutural necessária e intrinseca de um modo específico de acumulação capitalista que se dá no quadro de uma economia dependente e monopolista”.
E assim caminha nosso Brasil, em pleno caos, com quase trezentas mil pessoas mortas por conta da Covid 19. A dor se espalha imensamente.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

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